Everton Cebolinha voltou ao radar de clubes brasileiros em uma janela que deve ter várias oportunidades de fim de contrato. Palmeiras e Cruzeiro monitoram a situação do atacante do Flamengo, segundo informação do jornalista Leonardo Moll, da Band, repercutida por O Dia.
O jogador tem 30 anos e vínculo com o clube carioca até 31 de dezembro de 2026. A tendência atual é de não renovação. Isso muda o tamanho da negociação: o Flamengo ainda pode tentar uma compensação financeira no meio do ano, mas corre o risco de perder o atleta sem receber nada ao fim da temporada.
Cebolinha tem histórico de seleção brasileira, passagem pela Europa, títulos importantes e características de ponta que ainda têm mercado no Brasil. Ao mesmo tempo, carrega salário alto, oscilação recente e menor protagonismo no elenco rubro-negro.
Quanto custa Cebolinha hoje
O Transfermarkt avalia o atacante em 7 milhões de euros, cerca de R$ 43 milhões. Esse número, porém, não deve ser lido como preço obrigatório de venda. Como o contrato acaba em dezembro, o Flamengo tem menos força para pedir uma cifra cheia.
Em 2022, a contratação custou caro. O clube carioca pagou ao Benfica 13,5 milhões de euros fixos, com possibilidade de chegar a 16 milhões de euros por metas. Na cotação da época, a operação ficou próxima de R$ 87 milhões.
Quatro anos depois, o cenário é diferente. O jogador está na reta final de contrato e não virou titular absoluto. Por isso, uma saída no meio do ano tende a depender mais de acordo entre clubes e composição salarial do que de uma grande taxa de transferência.
O salário é outro ponto relevante. Estimativas publicadas na imprensa gaúcha, com base em informação atribuída ao jornalista Jorge Nicola, apontam vencimentos próximos de R$ 1,2 milhão mensais. É um valor alto para a maior parte dos clubes brasileiros e exige negociação cuidadosa.
Flamengo não deve facilitar para qualquer rival
O Flamengo não pretende renovar, mas também não tem motivo para reforçar concorrentes diretos sem compensação adequada. Esse é o ponto que pode dificultar qualquer negociação nacional.
O clube já avaliou uma saída no meio do ano como forma de recuperar parte do investimento feito em 2022. Também há concorrência interna pesada. Samuel Lino, Carrascal e Bruno Henrique estão à frente na hierarquia em diferentes momentos, o que reduziu o espaço do camisa 11.

Ainda assim, liberar para Palmeiras ou Cruzeiro envolve risco esportivo. Os dois podem cruzar o caminho rubro-negro em competições nacionais e continentais. Por isso, qualquer operação deve exigir pagamento, troca, alívio de folha ou estrutura favorável ao clube carioca.
Como o atacante jogaria no Palmeiras
No Palmeiras, Cebolinha seria uma peça de rotação qualificada pelos lados. A principal função seria atuar como ponta esquerda, recebendo aberto, atacando o um contra um e buscando diagonais para finalizar com a perna direita.
O encaixe depende da leitura de Abel Ferreira para o segundo semestre. O elenco tem opções ofensivas, mas vive calendário pesado e pode sofrer com convocações, lesões e propostas por jogadores valorizados após a Copa.
A experiência do atacante também pesa. Ele já disputou Libertadores, Copa do Brasil, Brasileirão, futebol europeu e seleção. Para jogos grandes, seria um reforço mais pronto do que uma aposta jovem.
O obstáculo está no custo-benefício. O clube paulista tem adotado lógica de investimento em ativos com valorização futura. Aos 30 anos, Cebolinha chegaria mais como solução esportiva imediata do que como jogador de revenda.
Por isso, a operação só faria sentido com valor de compra baixo, contrato controlado e salário dentro de um limite que não desequilibre a folha.
Como ele jogaria no Cruzeiro
Na Raposa, o encaixe esportivo é mais direto. Artur Jorge busca mais profundidade e agressividade pelos lados, especialmente para o segundo semestre, com Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão.
Cebolinha poderia atuar pela esquerda, sua posição principal, ou alternar pela direita em jogos específicos. A principal utilidade seria dar mais repertório ao ataque: condução curta, drible para dentro, finalização e capacidade de criar vantagem individual. O elenco celeste tem Matheus Pereira como referência criativa e Kaio Jorge como principal nome de área. Um ponta experiente poderia ajudar a abrir campo, atrair marcação e reduzir a dependência da construção central.
O risco é financeiro. O clube já fez investimentos altos em 2026 e precisa avaliar prioridades. Há discussões no mercado envolvendo lateral, ataque, possíveis saídas e reposições. Assumir salário elevado por um jogador de 30 anos exige clareza sobre tempo de contrato e papel no elenco.
O que pesa a favor da contratação
O primeiro ponto favorável é o prazo contratual. Jogadores com currículo e contrato curto costumam virar oportunidades no meio do ano. Se o Flamengo aceitar valor reduzido ou uma composição, a operação fica mais possível.
O segundo é a experiência. Cebolinha tem 25 jogos pela seleção brasileira, com três gols, e foi destaque na Copa América de 2019. Também conquistou títulos relevantes pelo clube carioca, incluindo Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil, Supercopa e Carioca.
O terceiro é a função. Pontas de velocidade, drible e chegada à área seguem valorizados no mercado. Mesmo em fase de oscilação, ele entrega uma característica que vários clubes procuram.
O que pesa contra
O principal obstáculo é o pacote financeiro. Taxa de transferência, salário, luvas e tempo de contrato podem transformar uma oportunidade em negócio caro.
Também há o fator físico e de sequência. A passagem pelo Flamengo teve altos e baixos, com bons momentos, lesões e perda de espaço. Segundo a CNN, desde a chegada em 2022 até o fim de 2025, foram 168 jogos, 18 gols e 24 assistências, mas apenas 76 partidas como titular.
Outro ponto é a concorrência. Corinthians e Internacional também foram citados como interessados, embora o histórico de identificação do atacante com o Grêmio dificulte um avanço colorado.


