Poucos meses atrás, visitar o Palmeiras significava enfrentar uma das maiores sequências de invencibilidade como mandante do futebol brasileiro. Nesta quarta-feira (12), o Cerro Porteño retorna a São Paulo justamente como uma das equipes responsáveis por quebrar aquela sensação de invulnerabilidade.
Palmeiras e Cerro se enfrentam às 19h, no Nubank Parque, pelo primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores. A partida ganha um componente curioso porque o adversário paraguaio já venceu o Verdão no mesmo estádio nesta edição do torneio.
E isso aconteceu quando perder em casa ainda parecia algo quase estranho para o Palmeiras.
Uma sequência que chegou a 31 jogos
Antes de receber o próprio Cerro Porteño pela fase de grupos, o Palmeiras acumulava 31 partidas consecutivas sem derrota como mandante.
Foram 24 vitórias e sete empates desde agosto de 2025, considerando partidas disputadas no atual Nubank Parque e na Arena Crefisa Barueri.
A marca ajudava a explicar uma das maiores virtudes construídas durante o ciclo de Abel Ferreira: transformar partidas como mandante em uma fonte extremamente confiável de resultados.
Só que o Cerro quebrou a sequência.
Em 20 de maio, o time paraguaio venceu o Palmeiras por 1 a 0 em São Paulo pela quinta rodada da Libertadores. A derrota ainda teve impacto direto na tabela, já que o adversário terminou à frente do Verdão no Grupo F.
Agora os dois voltam ao mesmo cenário.
Atlético também encontrou o caminho
O episódio contra o Cerro poderia ser tratado simplesmente como uma exceção.
Pouco mais de dois meses depois, porém, outro adversário saiu da casa palmeirense com três pontos. Em 26 de julho, o Atlético venceu o Palmeiras por 2 a 1 pelo Campeonato Brasileiro.
Isso não significa que o Palmeiras tenha deixado de ser um mandante forte. A prova veio logo na sequência. Pela Copa do Brasil, o Verdão recebeu o Fortaleza em 2 de agosto e venceu por 3 a 0.
O ponto está em outro lugar: a vantagem de jogar em casa deixou de parecer automática.
Empate com o Inter aumentou o alerta
No domingo (9), o Palmeiras teve outra oportunidade de transformar o fator casa em três pontos pelo Brasileirão. Não conseguiu.
O time ficou no 0 a 0 com o Internacional e chegou aos 48 pontos. Apesar do tropeço, continuou na liderança do Campeonato Brasileiro, seis pontos à frente do Flamengo, que possui um jogo a menos.
É uma situação curiosa, o Palmeiras tem a melhor campanha do país e atravessa uma temporada extremamente competitiva.
Não existe uma crise de resultados. Mas, existe um ponto de atenção dentro de uma temporada excelente.
Cerro traz uma lembrança incômoda
E justamente nesse momento aparece novamente o adversário que já demonstrou saber como jogar em São Paulo.
O Cerro Porteño não apenas venceu o Palmeiras no Nubank Parque. Também terminou a fase de grupos da Libertadores à frente dos brasileiros.
Isso cria uma situação diferente da encontrada normalmente por Abel Ferreira em mata-matas continentais.
O Palmeiras não precisa descobrir apenas como vencer um adversário desconhecido. Precisa encontrar soluções contra uma equipe que já mostrou na prática que consegue neutralizá-lo.
Há um contraponto favorável: o Cerro chega em momento irregular depois da paralisação para a Copa do Mundo, o que coloca o Palmeiras em condições de tentar impor desde o início a superioridade técnica de seu elenco.
A chance de reconstruir a fortaleza

O cenário torna a partida desta quarta particularmente interessante.
O Palmeiras continua líder do Brasileiro, está vivo na Copa do Brasil e disputa as oitavas da Libertadores. Não faltam resultados para sustentar a confiança, mas mata-mata costuma transformar pequenos sinais em grandes problemas.
Construir uma vantagem diante do Cerro seria importante pela classificação e também por outro motivo: reafirmaria uma força que durante meses pareceu quase incontestável.
A de que, quando o Palmeiras joga diante de sua torcida, o adversário precisa fazer algo excepcional para sair com o resultado.
O Cerro Porteño já conseguiu uma vez em 2026.
Agora, cabe ao Palmeiras mostrar que aquilo foi uma exceção, e não o começo de um padrão.


