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Quase metade dos gols do Palmeiras depois da Copa veio de estrangeiros

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O Palmeiras marcou 30 gols desde a retomada do calendário depois da Copa do Mundo. Quase metade deles veio de jogadores que nasceram fora do Brasil: foram 14 gols de estrangeiros, o equivalente a aproximadamente 46% da produção ofensiva alviverde no período.

O número coloca uma característica do elenco de Abel Ferreira em evidência. A internacionalização deixou de aparecer apenas na lista de inscritos ou no mercado de transferências e passou a ocupar uma parcela concreta do que decide as partidas.

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Palmeiras está bem acima da média brasileira

O levantamento publicado pelo UOL considera todas as competições desde o fim da Copa, e não somente o Campeonato Brasileiro. Nesse recorte, os 20 clubes da Série A tiveram 28,2% de seus gols marcados por jogadores estrangeiros.

No Palmeiras, a proporção chega a 46%. Foram 14 gols de atletas estrangeiros em 18 partidas, dentro de um total de 30 bolas na rede.

Em números absolutos, nenhum outro clube da Série A teve mais gols estrangeiros nesse intervalo. Proporcionalmente, Athletico-PR e Grêmio aparecem acima, o que também impede uma interpretação exagerada de que o Palmeiras seja o time mais dependente desse grupo.

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Ainda assim, a distância em relação à média brasileira é significativa. A cada dez gols marcados pelo Verdão depois do Mundial, praticamente cinco vieram de jogadores estrangeiros.

Flaco explica metade da conta, mas não toda

O jogador Agustín Giay, da SE Palmeiras
O jogador Agustín Giay – Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Flaco López é naturalmente o maior responsável pelo número. O argentino marcou sete dos 14 gols estrangeiros do Palmeiras no período, exatamente metade do total.

A outra metade, porém, ajuda a tornar o dado mais interessante. Jhon Arias, Ramón Sosa e Gustavo Gómez fizeram dois cada, enquanto Agustín Giay completou a conta com um.

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Portanto, não se trata apenas de um artilheiro argentino elevando artificialmente a participação estrangeira. Cinco jogadores diferentes contribuíram, distribuídos entre ataque, criação e defesa.

Gómez acrescenta ainda uma particularidade. Mesmo sendo zagueiro, o capitão aparece entre os nomes que sustentam essa produção, algo que reforça a capacidade palmeirense de encontrar gols em diferentes setores.

O mercado mudou a composição do time

O dado também ajuda a entender decisões tomadas pelo Palmeiras nos últimos anos. O clube passou a buscar mais jogadores consolidados em seleções sul-americanas ou com mercado internacional, enquanto manteve a utilização da base e de jogadores brasileiros.

A presença estrangeira, portanto, não funciona como um núcleo isolado dentro do elenco. Ela está misturada à espinha dorsal do time.

Flaco virou um dos principais atacantes da equipe e recebeu propostas milionárias do exterior. Arias chegou cercado por enorme expectativa depois da experiência na Inglaterra. Sosa ganhou importância ao longo da temporada, Gómez é uma das maiores lideranças da história recente do clube e Giay se tornou um ativo esportivo e financeiro desde sua contratação.

Quando esses jogadores passam a produzir 46% dos gols de um período de 18 partidas, o recrutamento internacional deixa de ser apenas uma característica administrativa.

O recorte também pede cuidado

Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Há uma limitação importante no número: são apenas os jogos disputados depois da Copa e considerando todas as competições. Não significa que 46% dos gols do Palmeiras em toda a temporada tenham sido estrangeiros, nem que a proporção necessariamente permanecerá igual até dezembro.

Mesmo assim, 18 partidas já formam um recorte suficiente para mostrar uma tendência. O Palmeiras voltou do Mundial com sua produção ofensiva muito mais internacionalizada do que a média dos clubes brasileiros.

O dado ganha ainda mais peso porque não está concentrado exclusivamente em um setor. Atacantes, meia-atacante, lateral e zagueiro participaram da conta.

Para Abel Ferreira, isso amplia as formas de decidir um jogo. Para a diretoria, também oferece uma espécie de confirmação de uma estratégia de mercado construída ao longo de diferentes janelas.

O Palmeiras tem brasileiros importantes e continua formando jogadores na base, mas a reta pós-Copa revelou uma mudança concreta: quando o time precisa colocar a bola na rede, quase uma em cada duas vezes a resposta tem vindo de um estrangeiro.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.