O Flamengo encaminhou a contratação de Anthony Valencia por aproximadamente €5 milhões, cerca de R$ 30 milhões, para reforçar o ataque de Leonardo Jardim. Aos 23 anos, o equatoriano chega ao futebol brasileiro depois de participar da Copa do Mundo e carregar uma característica importante para entender sua trajetória recente: duas lesões graves o deixaram, somadas, mais de um ano afastado dos gramados.
O histórico não impediu a recuperação do atacante nem a aposta rubro-negra. Valencia voltou a atuar regularmente há quase um ano e chega ao Rio depois de reconstruir sua sequência no Royal Antwerp, da Bélgica.
Ainda assim, o passado físico é uma das informações mais importantes para compreender por que a contratação representa uma aposta diferente das tentativas milionárias realizadas pelo Flamengo durante a janela.
Valencia perdeu mais de cinco meses por fratura
Valencia deixou o Independiente del Valle e chegou ao futebol belga em 2022.
A adaptação à Europa foi interrompida por um problema significativo: uma fratura na fíbula afastou o equatoriano das partidas por mais de cinco meses.
Depois de retornar e recuperar espaço, surgiu um obstáculo ainda maior.
Em 2025, o atacante sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho. A lesão exigiu um longo período de recuperação e o manteve aproximadamente oito meses sem jogar.
Somados, os dois afastamentos ultrapassam 13 meses.
Segundo levantamento publicado pelo ge ao detalhar a negociação do Flamengo, o histórico físico foi um dos pontos avaliados antes do avanço das conversas.
Flamengo aposta na recuperação já consolidada

O contexto atual é importante para que os números não criem uma imagem incompleta.
Valencia não está chegando imediatamente depois de romper o ligamento do joelho. O jogador já voltou a atuar regularmente há cerca de 11 meses e conseguiu reconstruir uma sequência competitiva antes de despertar o interesse definitivo do Flamengo.
A diretoria também avaliou características físicas e técnicas que diferenciam o equatoriano de Gonzalo Plata, negociado com o Dínamo Moscou.
Valencia tem perfil de ponta, capacidade de atacar espaços e força no um contra um. A ideia é oferecer a Leonardo Jardim uma opção com intensidade para atuar pelos lados, especialmente depois das mudanças realizadas no setor ofensivo.
O negócio gira em torno de €5 milhões. O Royal Antwerp ainda deve manter participação de 15% sobre o lucro de uma futura transferência.
Operação é bem menor que os grandes alvos da janela
O investimento ajuda a entender a mudança de comportamento do Flamengo.
Durante boa parte da janela, o clube foi associado a operações muito mais caras e nomes já consolidados, incluindo Thiago Almada e Luiz Henrique. As negociações não avançaram nos termos desejados.
Na reta final, o Rubro-Negro mudou de direção.
Além de Valencia, o Flamengo avançou por Joaquín Freitas, jovem atacante do River Plate. Os dois representam um perfil diferente daquele imaginado inicialmente: jogadores jovens, com margem de desenvolvimento e custo inferior ao dos principais alvos tentados anteriormente.
Essa mudança de estratégia já havia aparecido nos movimentos recentes do mercado rubro-negro.
Histórico físico será acompanhado de perto
No caso de Valencia, existe ainda uma camada adicional.
Jogadores que passaram por uma reconstrução de ligamento cruzado normalmente têm carga, força muscular e resposta física monitoradas com atenção especial. Isso não significa necessariamente maior risco de uma nova lesão, principalmente depois de quase um ano de retorno regular, mas explica por que os exames realizados antes da assinatura assumem importância ainda maior.
Para o Flamengo, o cálculo parece claro.
Por aproximadamente R$ 30 milhões, o clube aposta que está adquirindo o jogador que conseguiu se reconstruir depois das lesões, e não aquele que ficou mais de um ano acumulado fora dos gramados.
Se Valencia conseguir sustentar no Brasil a sequência construída após a recuperação, a contratação pode transformar um histórico que chama atenção em apenas um capítulo anterior de sua carreira.


