O Flamengo passou boa parte da atual janela buscando nomes capazes de provocar impacto imediato, mas deve terminar o período com uma estratégia diferente daquela desenhada inicialmente. Anthony Valencia, de 23 anos, e Joaquín Freitas, de 19, estão muito próximos de se tornarem reforços e representam uma mudança clara de perfil: menos status, mais juventude e características específicas pedidas por Leonardo Jardim.
Valencia já desembarcou no Rio de Janeiro e realizou exames médicos antes de concluir os últimos trâmites da transferência. O equatoriano pertence ao Royal Antwerp e chega para ocupar a lacuna aberta pela saída de Gonzalo Plata. A operação gira em torno de 5 milhões de euros, aproximadamente R$ 30 milhões, com o clube belga preservando participação sobre eventual lucro futuro.
Flamengo saiu dos medalhões para buscar perfis
O movimento fica mais interessante quando comparado às principais novelas do Rubro-Negro durante a janela. Thiago Almada chegou a avançar nas conversas, mas acabou escolhendo o River Plate. Depois, o clube também tentou Luiz Henrique e encontrou valores e condições que impediram a conclusão da operação.
Essas frustrações obrigaram a diretoria a recalcular a estratégia. Em vez de concentrar grande parte do orçamento em uma contratação de enorme repercussão, o Flamengo passou a procurar atletas jovens que oferecessem funções diferentes dentro do modelo de Jardim.
A lógica já havia começado a aparecer nos bastidores, mas Valencia e Freitas materializam essa mudança. O equatoriano atua pelos lados, tem velocidade e intensidade para atacar em transição. O argentino, por sua vez, pode trabalhar como segundo atacante ou partir pela direita, oferecendo mobilidade ao redor do centroavante.
Joaquín Freitas vira investimento relevante

Freitas chega com um investimento significativamente maior. Segundo apuração do UOL, Flamengo e River chegaram a um acordo verbal por US$ 15 milhões, aproximadamente R$ 78 milhões, entre valores fixos e variáveis, por 80% dos direitos econômicos. Os argentinos permaneceriam com os outros 20%, apostando em uma futura valorização.
O jogador tem 19 anos e vinha participando regularmente da equipe profissional do River. A idade ajuda a explicar outro componente da estratégia comandada por José Boto e pelo presidente Bap: o Flamengo não está apenas procurando rendimento imediato, mas ativos que ainda possam se valorizar dentro do clube.
Somados os valores divulgados para Valencia e Freitas, as operações ficam próximas de R$ 108 milhões. É uma quantia relevante, mas distribuída entre dois jogadores e distante do perfil de investimento que seria necessário para algumas das estrelas sondadas anteriormente.
Libertadores acelera os anúncios
O relógio também interfere diretamente nas negociações. Embora a janela brasileira continue aberta por mais alguns dias, o Flamengo precisa registrar os reforços rapidamente para utilizá-los nas quartas de final da Libertadores. A documentação, os exames e a publicação dos contratos no BID passaram a ser prioridade da diretoria.
Jardim já deixou claro que procura funções, e não simplesmente nomes. O treinador entende que o elenco possui jogadores parecidos em determinadas posições e precisa de alternativas capazes de modificar uma partida sem obrigar a equipe a repetir o mesmo desenho.
Esse talvez seja o principal significado das duas contratações. O Flamengo não abandonou sua capacidade de investir, mas mudou a maneira de usar o dinheiro depois de semanas tentando negócios mais chamativos. Anthony Valencia e Joaquín Freitas chegam, ou estão muito próximos de chegar, porque encaixam naquilo que o treinador acredita estar faltando.
Depois das novelas por Almada e Luiz Henrique, o mercado rubro-negro deixou de ser uma corrida pelo nome mais famoso disponível e passou a ser uma busca pelo jogador que oferece uma ferramenta diferente. A resposta sobre a eficiência da mudança será dada em campo, possivelmente já nas próximas semanas no Maracanã.


