O Flamengo iniciou a janela de transferências com um elenco repleto de jogadores conhecidos, investimentos milionários e opções capazes de decidir partidas. Isso não significa, porém, que o grupo comandado por Leonardo Jardim esteja completo para enfrentar o restante da temporada de 2026.
A avaliação feita durante a pausa para a Copa do Mundo revelou carências que já apareciam antes da interrupção do calendário. O Rubro-Negro precisa de pelo menos três reforços: um meia com capacidade de criação, um atacante de velocidade pelos lados e um centroavante com características diferentes das apresentadas por Pedro e Bruno Henrique.
A lateral esquerda também merece atenção e pode provocar uma quarta contratação, caso apareça uma oportunidade considerada adequada. A prioridade imediata, entretanto, está na construção de um setor ofensivo mais equilibrado e menos dependente de poucos jogadores.
José Boto confirmou que o Flamengo negocia com três atletas, embora tenha mantido os nomes e as posições em sigilo. O diretor de futebol também deixou claro que o clube não pretende abandonar a responsabilidade financeira para acelerar os acordos.
“Nós não vamos pagar mais do que aquilo que devemos e podemos”, afirmou o dirigente ao falar sobre a atuação rubro-negra no mercado.
A cautela é compreensível depois dos altos investimentos realizados na primeira janela do ano. O Flamengo, no entanto, também precisa reconhecer que o atual elenco ainda apresenta lacunas capazes de comprometer a disputa simultânea do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e das competições eliminatórias.
Um meia para diminuir a dependência de Arrascaeta
A contratação mais necessária é a de um meia ofensivo. Arrascaeta continua sendo o principal responsável pela criatividade, pelos passes decisivos e pela conexão entre o meio-campo e o ataque.
O problema aparece quando o uruguaio não está disponível ou precisa ser preservado. O rendimento coletivo cai, o time encontra mais dificuldades para superar linhas defensivas fechadas e a circulação de bola se torna previsível.
Carrascal pode desempenhar a função em determinadas partidas, enquanto Lucas Paquetá também possui qualidade para atuar próximo da área. Os dois, porém, entregam características diferentes daquelas oferecidas por Arrascaeta.
Leonardo Jardim reconheceu publicamente a necessidade de outra opção para o setor. Segundo o treinador, a função está concentrada em Arrascaeta e, em alguns momentos, em Carrascal. Sua avaliação foi de que o elenco poderia contar com “um jogador ali diferente”.
Thiago Almada se encaixa nesse perfil. O meia argentino pertence ao Atlético de Madrid e se tornou o alvo mais conhecido do Flamengo nesta janela. O clube alinhou aspectos da operação com os espanhóis e com os representantes do jogador, mas ainda aguarda a decisão final do atleta.
A possível chegada de Almada não serviria apenas para colocar um substituto no banco. O argentino poderia atuar ao lado de Arrascaeta, jogar aberto, ocupar espaços entre as linhas e assumir maior responsabilidade criativa quando o uruguaio não estivesse em campo.
Essa versatilidade é importante para um calendário com viagens, lesões, suspensões e pouco tempo de recuperação. O Flamengo não pode planejar todo o segundo semestre contando que Arrascaeta estará disponível e em condição máxima durante todas as decisões.
Ataque precisa de mais velocidade pelo lado direito
A segunda necessidade está nas pontas. O Flamengo possui Samuel Lino, Everton Cebolinha, Luiz Araújo, Gonzalo Plata e Wallace Yan entre as opções para os lados do campo, mas a quantidade não resolve todos os problemas.
Boa parte dos jogadores se sente mais confortável atuando pela esquerda ou buscando espaços por dentro. Samuel Lino cresceu de produção nessa faixa, Cebolinha também costuma partir do mesmo setor e Bruno Henrique ainda pode ser utilizado naquele corredor.
Pelo lado direito, as alternativas são mais restritas. Luiz Araújo oferece chute de média distância e movimentação para dentro, mas convive com problemas físicos. Plata pode ocupar a posição, embora também seja utilizado em outras funções ofensivas.
O próprio Jardim já demonstrou preocupação com o desequilíbrio entre os lados. A comissão técnica busca um jogador jovem, veloz, com disponibilidade física e capacidade para atacar espaços.
Esse reforço precisa oferecer profundidade. O Flamengo possui vários atletas que gostam de receber a bola no pé, aproximar-se dos meias e construir por dentro. Em determinadas partidas, falta alguém disposto a atacar as costas da defesa e ampliar o campo.
Um ponta com essa característica também ajudaria os laterais e os meio-campistas. Ao obrigar a defesa adversária a recuar, o novo jogador abriria espaços para Paquetá, Arrascaeta, Pedro e Samuel Lino receberem a bola em regiões mais perigosas.
A busca não deve ser feita apenas para aumentar o número de atacantes inscritos. O reforço precisa chegar com condições reais de disputar uma vaga e entregar uma característica que hoje aparece de forma irregular no elenco.
Flamengo necessita de uma alternativa diferente para Pedro

A terceira contratação deve ser um centroavante. Pedro segue como a principal referência da área e possui números que justificam seu protagonismo. A discussão não envolve retirar espaço do camisa 9, mas oferecer ao treinador outra solução.
Bruno Henrique pode ser improvisado como atacante central. Sua velocidade e capacidade de atacar a última linha continuam importantes, mas o veterano não possui o mesmo estilo de Pedro e também não é mais um jogador que possa ser utilizado em todas as partidas.
Wallace Yan é uma alternativa jovem, enquanto Gonzalo Plata e Samuel Lino podem atuar em formações sem uma referência fixa. Ainda assim, falta um centroavante que consiga combinar mobilidade, presença de área e intensidade na pressão.
Leonardo Jardim explicou que gostaria de contar com um atacante situado entre os perfis de Pedro e Bruno Henrique. O português não procura uma cópia de nenhum dos dois, mas uma terceira opção capaz de oferecer novas possibilidades.
Esse jogador permitiria ao Flamengo modificar a maneira de atacar sem precisar desmontar toda a estrutura da equipe. Também protegeria o elenco de uma dependência excessiva de Pedro em semanas com partidas decisivas em sequência.
A contratação de um centroavante se torna ainda mais importante porque o calendário não oferece espaço para recuperação prolongada. Uma lesão, suspensão ou queda física do titular pode obrigar Jardim a improvisar justamente nas fases mais importantes da temporada.
Lateral esquerda continua sendo ponto de atenção
Além das três prioridades ofensivas, a lateral esquerda permanece sob observação. Alex Sandro renovou seu contrato e segue respaldado internamente, mas a idade e o histórico físico exigem controle de minutos.
Ayrton Lucas continua como alternativa e já viveu bons momentos com a camisa rubro-negra. Seu rendimento, entretanto, oscila, principalmente na parte defensiva e na tomada de decisão.
O Flamengo não precisa necessariamente contratar um lateral apenas para responder às críticas da torcida. Uma chegada faria sentido caso o clube encontrasse um jogador mais jovem, intenso e capaz de competir imediatamente pela posição.
Como os recursos não são ilimitados, a lateral pode ficar em segundo plano se as três prioridades do ataque consumirem o orçamento disponível. Ainda assim, o departamento de futebol precisa manter opções monitoradas até o fechamento da janela.
Lesões mostram que o elenco não é tão grande quanto parece
A lista de jogadores do Flamengo transmite uma sensação de abundância. Na prática, o número de opções diminui rapidamente quando aparecem lesões, convocações, suspensões e limitações físicas.
Lucas Paquetá retornou da Copa do Mundo tratando uma lesão muscular. Luiz Araújo também enfrentou problema físico durante a intertemporada. Arrascaeta precisou de cuidados antes da retomada do Campeonato Brasileiro.
Em um elenco com vários jogadores acima dos 30 anos, a disponibilidade precisa ter o mesmo peso da qualidade técnica. Não basta contar com nomes importantes no papel se parte deles não consegue manter uma sequência longa de partidas.
Esse entendimento explica a preferência do Flamengo por atletas mais jovens, com velocidade e bom histórico físico. O clube busca reforços de até 26 anos, salvo oportunidades excepcionais.
A intenção é reduzir o risco de contratar jogadores que cheguem ao Rio de Janeiro precisando de um longo período para recuperar a melhor forma ou que não suportem a intensidade do calendário brasileiro.
Thiago Almada seria contratação de impacto

Entre os nomes discutidos, Thiago Almada representa a operação de maior impacto. Campeão mundial com a Argentina em 2022, o meia reúne criatividade, mobilidade e capacidade de atuar em diferentes posições.
O Flamengo acredita que apresentou um projeto esportivo e uma proposta financeira competitivos. A boa relação com o Atlético de Madrid, construída em negociações recentes, também pesa a favor do clube brasileiro.
Almada, porém, tem como prioridade a continuidade no futebol europeu. A diretoria rubro-negra sabe que uma proposta de uma liga relevante pode alterar completamente a negociação.
Caso o argentino aceite retornar à América do Sul, o Flamengo ganharia um jogador capaz de resolver duas necessidades. Almada poderia atuar como meia criativo e também partir de um dos lados do campo.
Ainda assim, sua eventual contratação não deveria encerrar a participação rubro-negra na janela. O clube continuaria precisando de velocidade no ataque e de uma alternativa para Pedro.
Flamengo gastou muito e precisa contratar com precisão
O Flamengo investiu valores elevados no início de 2026, especialmente nas contratações de Lucas Paquetá, Vitão e Andrew. Por isso, José Boto e o presidente Luiz Eduardo Baptista adotam um discurso cuidadoso.
O clube não pretende aceitar qualquer exigência apenas para anunciar jogadores rapidamente. A estratégia é preservar os alvos principais, controlar vazamentos e negociar melhores condições de pagamento.
Essa postura é correta, desde que a cautela não se transforme em demora excessiva. Quanto mais tarde os reforços chegarem, menor será o tempo de adaptação ao trabalho de Leonardo Jardim.
O Flamengo enfrenta uma janela delicada. Precisa contratar jogadores capazes de elevar o nível do elenco, mas não pode repetir investimentos sem retorno esportivo ou acumular atletas para funções já preenchidas.
“Não vamos trocar por trocar” foi a mensagem do treinador ao analisar o mercado. A frase resume o desafio: o Rubro-Negro não necessita de volume, mas de soluções.
Três contratações podem mudar o segundo semestre
Um meia criativo, um ponta veloz e um centroavante móvel dariam a Leonardo Jardim condições mais completas para disputar os títulos restantes.
O meia reduziria a dependência de Arrascaeta. O ponta equilibraria os lados do ataque e aumentaria a profundidade. O centroavante permitiria ao Flamengo variar a forma de jogar sem depender exclusivamente de Pedro.
A lateral esquerda continuaria como uma possibilidade adicional, especialmente se surgir uma negociação favorável ou uma saída no elenco.
O Flamengo possui uma das melhores bases do futebol brasileiro, mas títulos não são conquistados apenas pela quantidade de jogadores conhecidos. O equilíbrio do grupo, a variedade de características e a capacidade de substituir titulares em alto nível serão decisivos.
As três negociações confirmadas por José Boto indicam que a diretoria identificou o problema. Agora, o clube precisa transformar conversas em contratações antes que a sequência decisiva da temporada exponha novamente as mesmas carências.


