A Taça das Bolinhas voltou ao noticiário depois que o Flamengo conseguiu impedir uma nova tentativa de entrega do troféu ao São Paulo.
Mas o que é a Taça das Bolinhas? A peça, criada há mais de meio século, continua guardada pela Caixa Econômica Federal enquanto os dois clubes disputam na Justiça quem deve ficar com sua posse definitiva.
A decisão mais recente foi tomada pela 12ª Vara Cível Federal de São Paulo. Após recurso rubro-negro, o juízo revogou uma ordem que autorizava a entrega ao Tricolor e entendeu que a destinação do troféu deve ser analisada pela Justiça do Rio de Janeiro, onde tramita uma ação anterior.
A taça, portanto, não foi concedida ao Flamengo: apenas continua sob custódia da Caixa.
O que é a Taça das Bolinhas?
O nome oficial da peça é Troféu Copa Brasil. Ela foi criada em 1975 pelo artista plástico Maurício Salgueiro, vencedor de um concurso promovido pela antiga Confederação Brasileira de Desportos, a CBD, em parceria com a Caixa Econômica Federal.
O apelido surgiu por causa do desenho. A obra é formada por 156 esferas de ouro e prata, organizadas em 13 níveis sobre uma base de jacarandá. O conjunto tem aproximadamente 60 centímetros de altura e pesa 5,6 quilos.
Não se trata da taça entregue atualmente ao campeão brasileiro. O objeto foi criado para representar a Copa Brasil, nome utilizado pelo principal campeonato nacional naquele período.
A regra estabelecia que o troféu ficaria definitivamente com o primeiro clube que conquistasse cinco Campeonatos Brasileiros de forma alternada ou três consecutivos. Até que alguém atingisse uma dessas marcas, a peça permanecia vinculada à Caixa, enquanto os vencedores recebiam réplicas menores.
Por que Flamengo e São Paulo reivindicam a taça?
O Flamengo considera ter atingido o pentacampeonato em 1992. A contagem rubro-negra reúne os títulos de 1980, 1982, 1983, 1987 e 1992.
O problema está no quarto item dessa lista. O clube venceu o Módulo Verde da Copa União de 1987, organizado pelo Clube dos 13, mas não participou do quadrangular que reuniria Flamengo e Internacional aos vencedores do Módulo Amarelo, Sport e Guarani.
O Sport venceu a fase prevista pela CBF e foi declarado campeão brasileiro. Após décadas de recursos, o Supremo Tribunal Federal manteve o clube pernambucano como único vencedor oficial daquela edição. Em 2024, a Segunda Turma do STF voltou a rejeitar um pedido do Flamengo relacionado ao campeonato e à Taça das Bolinhas.
Dentro da memória esportiva rubro-negra, contudo, a equipe comandada por Zico e treinada por Carlinhos é tratada como campeã nacional. O título da Copa União de 1987 faz parte da comunicação, das celebrações e da identidade histórica do clube.
O São Paulo sustenta ter alcançado o requisito em 2007, com os títulos brasileiros de 1977, 1986, 1991, 2006 e 2007. No ano seguinte, o Tricolor ainda conquistou o campeonato pela terceira vez consecutiva, reforçando sua reivindicação pelos dois caminhos previstos na regra original.
A Caixa entregou a taça ao clube paulista em fevereiro de 2011, durante uma cerimônia que contou com dirigentes, ex-jogadores e representantes da instituição financeira. Na ocasião, o São Paulo anunciou que utilizaria a peça em ações de marketing e a apresentaria aos torcedores.
O Flamengo reagiu judicialmente. Em maio de 2012, depois de decisões da Justiça do Rio, o São Paulo devolveu o troféu à Caixa. Desde então, a peça passou a maior parte do tempo longe das galerias dos dois clubes.
Flamengo possui um segundo argumento
A discussão não se limita ao título de 1987. O Flamengo também sustenta que a regra da Taça das Bolinhas deixou de aparecer nos regulamentos do Campeonato Brasileiro depois de 1992.
Nessa interpretação, o troféu teria saído de disputa justamente no ano em que o Rubro-Negro conquistou o campeonato pela quinta vez em sua própria contagem. Os títulos do São Paulo em 2006, 2007 e 2008, portanto, não poderiam ser utilizados para definir o dono de uma premiação que já não constava nos regulamentos vigentes.
Esse argumento foi defendido publicamente pelo clube desde 2007. À época, o Flamengo afirmou que, durante o período em que a taça constava expressamente nas regras, o São Paulo havia conquistado apenas duas edições do Brasileiro.
O Tricolor contesta essa leitura. Para o clube paulista, a ausência posterior da cláusula não eliminou o compromisso assumido pela Caixa e pelas entidades do futebol de premiar o primeiro time que atingisse as marcas estabelecidas.


