O Flamengo chega à pausa da Copa do Mundo com uma daquelas tabelas que enganam dependendo do ângulo. Sete pontos atrás do Palmeiras, parece longe. Com um jogo a menos, parece vivo. Com 27,6% de chance de título segundo cálculos do departamento de estatística da UFMG, fica no meio do caminho: não é favorito, mas também está longe de ser coadjuvante.
O Brasileirão parou depois de 18 rodadas disputadas, uma antes do fechamento formal do primeiro turno. Na prática, virou um fim de turno estendido. O Palmeiras lidera com 41 pontos em 18 jogos. O Flamengo aparece em segundo, com 34 pontos em 17 partidas, 10 vitórias, quatro empates, três derrotas e saldo de gols positivo de 15.
A distância incomoda. A fresta existe.
Se vencer o jogo atrasado contra o Mirassol, no Maracanã, o Flamengo reduz a diferença para quatro pontos. Não é pouco, mas muda o clima do campeonato. A corrida deixa de ser “Palmeiras disparado” e passa a ser “Palmeiras perseguido por um time com elenco mais caro, mais convocados e margem para crescer”.
O Flamengo não lidera, mas ainda controla parte da perseguição
A UFMG coloca o Flamengo com 27,6% de chance de ser campeão brasileiro neste momento da temporada. O Palmeiras aparece à frente, com 54,9%. Em outro modelo, do Gato Mestre, a leitura é parecida na hierarquia, mas diferente no tamanho: Palmeiras com 51,28% e Flamengo com 35,10%.
O campeonato tem dois candidatos claramente acima do restante. Fluminense, Athletico-PR, Bragantino e Bahia aparecem no retrovisor, mas não têm, hoje, o mesmo peso estatístico ou esportivo da dupla que vem dominando o topo.
Para o Flamengo, o problema não é estar fora da briga. O problema é que a derrota no confronto direto para o Palmeiras, no Maracanã, deixou cicatriz na projeção. O jogo pesou no modelo, pesou na tabela e pesou na sensação de que o Rubro-Negro perdeu a chance de virar a liderança antes da pausa.
Ainda assim, o título não escapou. O Flamengo entra no intervalo da Copa com uma chance maior do que a tabela crua sugere.
O jogo a menos virou o ativo mais valioso de Jardim
O Flamengo tem uma partida atrasada contra o Mirassol. Esse jogo, isoladamente, não ganha campeonato. Mas pode reposicionar a corrida.
Quatro pontos de distância mudam o comportamento do líder. Sete pontos dão gordura. Quatro pontos dão incômodo. O Palmeiras continuaria na frente mesmo com vitória rubro-negra no jogo atrasado, mas passaria a carregar menos margem para erro.
Esse é o detalhe que Leonardo Jardim precisa proteger durante a pausa.
O Flamengo não pode voltar da Copa apenas “descansado”. Precisa voltar pronto para ganhar logo. A retomada do Brasileirão não permite adaptação lenta. Qualquer tropeço no retorno transforma o jogo a menos em argumento vazio.
A vantagem rubro-negra está em ter elenco para sequência. O risco está em não conseguir treinar esse elenco inteiro.
Dez convocados mostram força, mas também cobram preço
O Flamengo liberou dez jogadores para seleções antes da Copa: Alex Sandro, Danilo Luiz, Léo Nannetti, Léo Pereira e Lucas Paquetá para o Brasil; Jorge Carrascal para a Colômbia; Gonzalo Plata para o Equador; Arrascaeta, Varela e De La Cruz para o Uruguai.
É uma lista que qualquer clube brasileiro gostaria de exibir. Também é uma lista que nenhum treinador gostaria de perder em plena tentativa de ajustar o time.
A Copa cria um paradoxo para o Flamengo. O clube é forte porque tem jogadores de seleção. Mas esses jogadores deixam o dia a dia justamente no período em que Jardim poderia transformar a pausa em uma intertemporada real.
O português não terá o grupo completo para corrigir todos os detalhes. Não terá o mesmo controle físico sobre atletas que vão viajar, jogar sob pressão, mudar rotina e voltar com desgaste diferente. Também terá de lidar com risco de lesão, atraso de retorno e oscilação emocional de quem viverá uma Copa do Mundo.
O Palmeiras também tem convocados, mas o Flamengo parece mais exposto pelo volume e pelo peso de peças centrais. Paquetá, Arrascaeta, De La Cruz, Léo Pereira, Danilo e Plata não são apenas reservas de luxo. São jogadores que influenciam diretamente a estrutura do time.
O Palmeiras entra na parada com vantagem merecida. Fez mais pontos, venceu o confronto direto e aproveitou melhor os jogos em que precisava ser eficiente. O Flamengo entra com outro argumento: tem elenco, jogo a menos e capacidade de arrancada.


