Pedro voltou ao centro da discussão da Seleção Brasileira. A lesão de Neymar na panturrilha direita abriu uma brecha que parecia improvável depois da convocação final de Carlo Ancelotti: caso o camisa 10 do Santos seja cortado da Copa do Mundo, o atacante do Flamengo pode sonhar com uma chamada de última hora. A CBF confirmou lesão grau 2, com prazo estimado de duas a três semanas para liberação, segundo declaração do médico Rodrigo Lasmar ao UOL.
A presença de Neymar na estreia contra o Marrocos, dia 13 de junho, está em dúvida real. Pedro está na pré-lista de 55 nomes enviada por Ancelotti à Fifa. Isso o mantém elegível e vivo na disputa. Mas não o coloca na frente da fila.
O que a regra da Fifa permite
Um jogador da lista final só pode ser substituído em caso de lesão grave ou doença, com aprovação da Fifa, e o substituto precisa obrigatoriamente estar na relação provisória. Para atletas de linha, a troca pode ser feita até 24 horas antes da estreia do Brasil.
O Flamengo foi o clube com mais jogadores pré-convocados por Ancelotti: sete nomes, incluindo Danilo, Alex Sandro, Léo Pereira, Léo Ortiz, Lucas Paquetá, Pedro e Samuel Lino. Isso coloca Pedro dentro do universo de reposição possível. Mas não garante nada.
A questão central é de perfil
Neymar foi convocado como jogador de criação: último passe, bola parada, desequilíbrio técnico por dentro. Não foi chamado para ser camisa 9.
Pedro é outro tipo de solução. É centroavante de área, finalizador, jogador de pivô, cabeceio e presença dentro da zona de definição. Se Ancelotti quiser substituir Neymar por alguém parecido em função, Pedro perde força. Se quiser aproveitar o corte para levar um 9 mais específico, Pedro cresce muito. Essa é a chave da disputa.
O favorito hoje parece ser João Pedro
A leitura mais comum no ambiente da Seleção aponta João Pedro, do Chelsea, como o nome mais provável caso Neymar seja cortado.
A razão é o perfil intermediário. João Pedro não é um 9 fixo como Pedro, nem um ponta puro. Pode atuar como centroavante móvel, segundo atacante e meia-atacante, circulando por zonas próximas às que Neymar ocuparia. Essa versatilidade costuma pesar em lista de Copa.
Na nossa avaliação, João Pedro está entre os candidatos a substituir Neymar, ao lado de Savinho, Antony, Richarlison, Pedro, Kaio Jorge, Samuel Lino e Matheus Pereira. A publicação britânica talkSPORT também citou o atacante como nome pronto para a vaga e apontou que Ancelotti teria reconhecido que ele merecia estar no grupo depois de uma temporada com 20 gols.
Por isso, a fila hoje tem João Pedro na frente se a comissão quiser uma substituição mais próxima do papel de Neymar.
Pedro vem logo atrás se o entendimento for reforçar a área.
O rival interno de Pedro no Flamengo é Samuel Lino

Dentro do clube rubro-negro, o concorrente direto por uma eventual vaga ofensiva é Samuel Lino.
Lino está na pré-lista, mas entrega um produto diferente: lado de campo, intensidade, profundidade e ataque ao espaço. Para substituir Neymar, não seria uma troca natural de criativo por criativo, mas poderia ser a escolha de Ancelotti se ele quiser mais velocidade e capacidade de abrir o campo.
Samuel Lino já esteve em convocação anterior de Ancelotti e chegou a ser titular contra a Bolívia, embora sem grande atuação na altitude. Esse histórico pode pesar. Lino foi observado pelo italiano. Pedro não foi convocado desde a chegada do treinador, embora Ancelotti tenha citado uma Data Fifa perdida por causa de lesão no braço do atacante.
Lucas Paquetá está na lista final e não concorre por nova vaga. Mas pode influenciar a decisão: se Ancelotti entender que Paquetá, Rodrygo, Vini Jr. e os demais já cobrem a criação por dentro, pode abrir espaço para chamar um centroavante como Pedro.
Por que Pedro ainda tem argumento forte
Pedro oferece algo que poucos concorrentes entregam com a mesma especialidade: finalização de área em jogo grande.
A Seleção já tem mobilidade, velocidade e pontas. Tem Vini Jr., Raphinha, Martinelli, Luiz Henrique, Rayan, Endrick, Matheus Cunha e Igor Thiago. O que ela não tem em abundância é um centroavante de área pronto, acostumado a decidir mata-mata no futebol brasileiro e continental.
Pedro não precisa de muitos toques para finalizar. Joga bem de costas, protege a bola, tem recurso técnico acima da média para um 9, cabeceia, bate pênalti e oferece presença em cruzamentos. Em Copa do Mundo, esse perfil pode ser decisivo em jogos travados, contra seleções fechadas e em momentos em que o Brasil precise de uma solução diferente.
A ausência dele na lista final já havia gerado discussão. Depois do gol decisivo na Libertadores contra o Estudiantes, o debate ficou mais forte. Com Neymar lesionado, a porta não está aberta, mas também não está totalmente fechada.
O que Ancelotti deve pesar

A comissão técnica deve considerar quatro fatores antes de tomar qualquer decisão.
O primeiro é a evolução de Neymar. A CBF informou que não pretende cortá-lo agora e fará avaliação diária. Enquanto houver chance de recuperação, não há substituição.
O segundo é o risco de carregar um jogador limitado. Se Neymar não puder atuar na estreia e ainda for dúvida para o segundo jogo, Ancelotti terá que decidir se vale ocupar uma vaga com um atleta sem condição plena.
O terceiro é o modelo de ataque. O técnico precisará escolher entre mais criação, mais velocidade ou mais presença de área.
O quarto é a convivência com o grupo. Em substituição de última hora, o treinador pode preferir alguém que já conhece melhor ou que encaixe sem mudar muito a estrutura. Esse ponto ajuda João Pedro e Samuel Lino.
Mas Pedro tem um argumento que nenhum treinador ignora: gol em jogo grande.
A ordem provável da disputa
O que o Moon BH crava hoje: João Pedro aparece na frente por versatilidade e encaixe mais próximo ao papel de Neymar. Pedro vem como principal opção se Ancelotti quiser um centroavante de área. Samuel Lino corre por fora como opção de intensidade pelo lado. Matheus Pereira aparece como alternativa de criatividade por dentro.
Pedro, portanto, não está na frente da fila. Mas está numa posição que incomoda os concorrentes: é o nome que mais oferece uma solução diferente. Em Copa do Mundo, às vezes a vaga de última hora não vai para quem mais parece com o cortado. Vai para quem resolve um problema que o elenco ainda não tem.


