O Flamengo conseguiu compensar a torcida pelo fiasco do 3 a 0 sofrido do Palmeiras vencendo o Cusco pelo mesmo placar, mas em uma competição mais importante. Na noite desta terça-feira, 26, o clube se classificou em primeiro lugar no Grupo A da Libertadores com dis gols de Bruno Henrique e um de Paquetá.
A partida mostrou, também, uma resposta direta ao treinador, Leonardo Jardim, que foi cobrado internamente e passou a cobrança ao elenco, que ganha uma fortuna para entregar resultados e o que Bap mais anseia: títulos, títulos, títulos, apesar que o terceiro, a Copa do Brasil, já está indisponível.
Mesmo assim é um dia de comemoração. O clube já sabia que estava classificado para a próxima fase, mas chegar invicto há seis jogos, com cinco vitórias e um empate e saldo de 12 gols, mostra um poder na competição internacional. O Moon BH fez uma análise da partida que mostra como a renovação do contrato de Bruno Henrique, mesmo com idade questionada, foi um dos maiores acertos do ano.
Ao todo, na Libertadores, Bruno já marcou 4 gols, enquanto Paquetá tem 2.
O jogo: Bruno Henrique decide, Paquetá fecha
O roteiro foi de time que não teve dúvida. O Flamengo controlou o jogo desde cedo, abriu o placar com Bruno Henrique, ampliou com o próprio atacante e fechou com Paquetá, em cobrança de pênalti.
Não houve margem para ruído. Três gols, nenhum sofrido, placar limpo.
Bruno Henrique foi o nome da noite. Os dois gols chegam em um momento importante para o atacante, que disputa espaço em um ataque recheado de opções. Em um elenco com Pedro, Samuel Lino, Plata e Luiz Araújo, cada jogo vira disputa interna. Duas bolas na rede em Libertadores têm peso.
Como o Grupo A fechou
| Posição | Time | Pontos |
|---|---|---|
| 1º | Flamengo | 16 |
| 2º | Estudiantes | 9 |
| 3º | Ind. Medellín | 7 |
| 4º | Cusco | 1 |
O Cusco terminou sem nenhuma vitória. O Medellín vai para a Sul-Americana. O Estudiantes avança como segundo colocado. E o Flamengo fecha isolado, com 88,9% de aproveitamento.
Por que a liderança geral importa tanto
Terminar com a melhor campanha da fase de grupos não é só prestígio. É vantagem real.
O regulamento da Libertadores garante ao clube com melhor pontuação geral o direito de fazer o segundo jogo de cada confronto eliminatório em casa — nas oitavas, nas quartas e nas semifinais. A final é em campo neutro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no dia 28 de novembro.
Isso significa que, se o Flamengo confirmar o primeiro lugar geral, decidirá no Maracanã até a semifinal.
Em Libertadores, isso pesa muito.
Vencer fora e fechar em casa dá controle. Empatar fora e jogar com a torcida empurrando dá ambiente. Perder por margem curta e ainda ter o Maracanã dá chance de reação.
Jardim responde à pressão
A semana não foi fácil para Leonardo Jardim. O Moon BH apurou informações de bastidores que mostram que o treinador foi chamado para conversar após a derrota para o Palmeiras. Mais do que isso, ele foi questionado sobre a gestão de elenco e o caso Carrascal, que já tem mais expulsões dentro de campo do que gols marcados na temporada.
O Flamengo levou 3 a 0 do Palmeiras no Brasileirão em um jogo que expôs problemas emocionais e táticos, especialmente após a expulsão de Carrascal. A derrota alimentou críticas ao treinador, que já sentia pressão de parte da torcida.
Contra o Cusco, a resposta veio em campo: placar limpo, Bruno Henrique decisivo, controle do jogo.
Após a partida, Jardim falou sobre a campanha na Libertadores, explicou escolhas na escalação e comentou a presença de Jorge Jesus no Rio. Disse que não enxerga “fantasmas” — em referência ao ex-técnico rubro-negro. A frase tem peso simbólico. Treinar o Flamengo é conviver com memória de ciclos vencedores. A melhor resposta é resultado.
Na Libertadores, até aqui, ele entregou.
Rossi e a defesa que funciona melhor do que parece
Um dado que passa despercebido no barulho do Brasileirão: o Flamengo sofreu apenas dois gols em seis jogos na fase de grupos da Libertadores.
Agustín Rossi vinha sendo questionado por falhas recentes. A vitória sobre o Cusco não exigiu muito do goleiro, mas foi exatamente o tipo de jogo que ele precisava: sem protagonismo negativo, partida segura, clean sheet.
Sofrer dois gols em seis jogos continentais é sinal de que a estrutura defensiva funciona quando o ambiente é de concentração coletiva. O mata-mata vai exigir isso de forma constante.
O que vem agora pro Flamengo?
O Flamengo espera o sorteio das oitavas de final. Por ter terminado em primeiro no Grupo A, enfrentará um segundo colocado de outra chave. Se confirmar a melhor campanha geral, terá o mando de campo nos confrontos eliminatórios até uma eventual semifinal.
Antes disso, o próximo jogo é no Brasileirão: Flamengo x Coritiba, sábado, 31 de maio, às 16h, no Maracanã. O Rubro-Negro precisa reagir na tabela e diminuir a distância para o Palmeiras.
Leonardo Jardim chegou com festa ao clube, mas está percebendo que ocupa o lugar mais perigoso do futebol brasileiro. Liderar um time que está acostumado a “ganhar tudo” vem com um lado sombrio acompanhado, que é estar sempre com a cabeça ameaçada.


