O Flamengo encara em 2026 um dos desafios mais complexos na gestão de grandes elencos: como encerrar ciclos de jogadores vitoriosos sem perder a hierarquia do grupo. Os laterais Danilo e Alex Sandro, ambos com passagens marcantes pela Europa e Seleção, entram no último ano de seus vínculos. O dilema na Gávea não é apenas financeiro, mas puramente técnico e de planejamento.
Se o clube não definir o futuro da dupla até a virada do semestre, cairá na perigosa zona do pré-contrato a partir de 1º de julho. Para veteranos desse quilate, o risco não é apenas a saída sem custos, mas a perda de janela de manobra. Se o Flamengo decidir que o ciclo termina em dezembro, a busca por reposições “Classe A” precisa começar imediatamente, sob o risco de chegar em 2027 dependendo de improvisações.
Os números e o peso na folha do Flamengo
Utilizando a referência de câmbio de fevereiro de 2026 (€ 1 = R$ 6,21), o valor de mercado atualizado da dupla reflete a fase de carreira, mas não o impacto no orçamento:
- Danilo: R$ 15,5 milhões (€ 2,5 mi).
- Alex Sandro: R$ 9,3 milhões (€ 1,5 mi).
Somados, os ativos representam cerca de R$ 24,8 milhões, mas o custo real está na folha salarial. Manter dois jogadores de elite em idade avançada exige que o Flamengo avalie se a entrega em campo justifica a manutenção do teto salarial ou se esse espaço deve ser aberto para um lateral mais jovem e com maior poder de revenda.
O perigo da “Renovação por Gratidão”
Um erro comum em gestões passadas foi estender contratos de ídolos baseando-se no que eles fizeram, e não no que ainda podem entregar. Sob o comando de Filipe Luís, que conhece bem as exigências físicas da lateral, o Flamengo tenta evitar esse “erro emocional”.
- O Plano A: Iniciar a transição gradual. Definir que 2026 é o “Last Dance” da dupla, permitindo que o clube contrate sucessores que possam aprender com a experiência dos veteranos antes de assumirem a titularidade definitiva.
- O Plano B: Venda ou rescisão amigável. Caso surjam propostas de mercados alternativos (como a Arábia Saudita ou MLS) antes de julho, o Flamengo pode optar por liberar espaço na folha para antecipar a chegada de um novo titular absoluto.
Análise: O teste de maturidade da diretoria
Resolver a situação de Danilo e Alex Sandro cedo é um sinal de amadurecimento institucional. O Flamengo não pode se dar ao luxo de discutir renovações em agosto, no auge das oitavas de final da Libertadores ou do mata-mata da Copa do Brasil.
O “algo a mais” é a visão de mercado: um Flamengo que planeja saídas consegue negociar reposições com calma, sem pagar o “preço do desespero”. Se a diretoria agir com frieza agora, 2026 será lembrado como o ano de uma transição magistral. Se falhar, o clube poderá reviver o trauma de lacunas no elenco que custam títulos — e o torcedor sabe que, na Gávea, a paciência com erros de planejamento é curtíssima.