O Flamengo entrou em 2026 ostentando não apenas um dos elencos mais qualificados da América do Sul, mas também uma folha salarial que desafia a gravidade financeira do futebol brasileiro. Com um orçamento bilionário, a diretoria rubro-negra permitiu que o teto de gastos mensais com o departamento de futebol se aproximasse da vertiginosa marca de R$ 40 milhões (incluindo salários, direitos de imagem e encargos diluídos).
Nesse ecossistema de cifras astronômicas, três nomes se destacam no topo da pirâmide, estabelecendo um novo padrão de remuneração que serve de régua para todo o mercado: Arrascaeta, Bruno Henrique e Alex Sandro.
O “Clube dos Milionários” da Gávea é liderado, sem surpresas, por Giorgian De Arrascaeta. A renovação contratual que entrou em vigor plenamente em 2026 colocou o uruguaio em um patamar isolado, orbitando na casa dos R$ 2 milhões mensais. Esse valor, composto por salário em carteira, luvas diluídas e imagem, transformou a camisa 14 no “piso” para qualquer negociação de estrela.
Logo atrás, aparece a dupla de veteranos: Bruno Henrique e Alex Sandro. Segundo o ge, o pacote da renovação de Bruno Henrique, somado ao custo do lateral ex-Juventus, coloca ambos na faixa de R$ 1,8 milhão por mês, consolidando um pódio que, sozinho, custa quase o orçamento inteiro de muitos times da Série A.
O “Fator Paquetá” e a Nova Hierarquia no Flamengo
A lista atual, porém, corre o risco de ficar defasada antes mesmo do fim da janela de janeiro. A negociação em curso por Lucas Paquetá tem potencial para redesenhar o topo da folha. Se o Flamengo conseguir repatriar o meia do West Ham, a estrutura salarial sofrerá um abalo sísmico.

- O Novo Cenário: Paquetá chegaria com vencimentos na casa dos R$ 2 milhões, empatando com Arrascaeta.
- O Efeito: Alex Sandro (ou Bruno Henrique) sairia do “Top 3”, e o custo mensal apenas com o trio de ferro (Arrascaeta, Paquetá e Bruno Henrique) saltaria para R$ 5,8 milhões. Isso significa que três jogadores consumiriam, sozinhos, cerca de 14,5% de toda a verba destinada ao futebol profissional do clube.
Análise Moon BH: A Armadilha do Sucesso
Ter uma folha de R$ 40 milhões é um privilégio, mas também uma armadilha. O Flamengo criou uma realidade paralela onde pagar R$ 1,8 milhão por mês virou “normal”. O risco de 2026 não é a falta de dinheiro, é a inflação interna. Se Paquetá chegar ganhando R$ 2 milhões, o próximo craque a renovar não vai aceitar menos que isso.
O clube precisa ter cuidado para não transformar exceções (Arrascaeta) em regras. Quando a folha incha no topo, ela costuma estourar na base ou nos investimentos estruturais. O Flamengo tem a máquina de fazer dinheiro, mas precisa pilotá-la com frieza para não capotar na primeira curva da vaidade.