O Flamengo iniciou 2026 com o caixa mais robusto da América do Sul e uma promessa ousada de seu presidente, Luiz Eduardo Baptista (Bap): o poder de fogo para investir até R$ 1 bilhão em reforços, se necessário. Porém, a realidade do mercado impôs um freio seco à euforia rubro-negra.
Ao tentar a contratação do atacante Kaio Jorge, o clube carioca esbarrou em um Cruzeiro irredutível, que não apenas recusou as investidas, mas também inflacionou a pedida para patamares europeus (€ 50 milhões) e blindou seu camisa 9.
O “não” vindo de Belo Horizonte criou um problema de narrativa para a Gávea: ter dinheiro não basta se o rival não quer vender. Agora, a diretoria corre contra o tempo para fechar uma contratação midiática que valide o discurso de potência hegemônica e apague a impressão de derrota na primeira grande disputa da janela.
A postura firme da Raposa e a contratação recorde de Gerson pelo time mineiro (o maior investimento da história do futebol brasileiro) tiraram do Flamengo o protagonismo habitual de janeiro. O torcedor, alimentado pelos números de receita recorde (superiores a R$ 2 bilhões em 2025), cobra uma resposta à altura.
O mercado entende o recado: o Flamengo tem o cheque, mas perdeu a exclusividade da “compra impossível”. Para sustentar a aura de “Tio Patinhas” e acalmar as arquibancadas, Bap e Marcos Braz precisam de um nome que faça barulho, preencha a lacuna do centroavante ou traga a magia que só um ídolo pode oferecer.
A Armadilha da Expectativa Alta no Flamengo

Quando Bap declarou que “não vamos deixar ninguém gastar mais do que o Flamengo”, ele colocou um alvo nas costas da própria gestão.
- O Risco: Se o Cruzeiro gasta R$ 188 milhões em Gerson e segura Kaio Jorge, e o Flamengo traz apenas reforços pontuais (como Vitão), a percepção de poder muda de lado.
- A Necessidade: O elenco precisa de um camisa 9 que chegue para resolver, não para compor. Sem Kaio Jorge, a pressão recai sobre a capacidade de scout de encontrar um “plano B” que tenha o mesmo peso técnico e midiático.
Paquetá e Marcos Leonardo: As Cartas na Manga
Com a porta de Kaio Jorge fechada, o Flamengo é obrigado a olhar para alvos que tragam impacto imediato. Dois nomes surgem como “fiadores” da promessa de Bap:

- Lucas Paquetá: É o sonho de consumo que virou necessidade. Trazer um titular de Premier League e Seleção Brasileira seria a “resposta nuclear” ao mercado. O clube negocia com o West Ham e tenta usar a vontade do jogador como trunfo.
- Marcos Leonardo: O ex-santista, com faro de gol comprovado e idade olímpica, aparece como a alternativa técnica para o comando de ataque. Seria uma compra cara, mas com lógica esportiva e potencial de revenda, encaixando no perfil de “demonstração de força”.
Muito Além da Vaidade
Não se trata apenas de ego. O Flamengo precisa de uma contratação midiática por questões táticas e ambientais. A dependência excessiva de Pedro e Arrascaeta em uma temporada que terá paralisação para a Copa do Mundo é arriscada. O time precisa de mais protagonistas. Além disso, no futebol moderno, a “manchete” joga.
Começar o ano vendo o Cruzeiro ou o Palmeiras (com Vitor Roque valendo R$ 532 milhões) dominando o noticiário gera uma pressão desnecessária no Ninho do Urubu. Uma contratação de peso agora serve para blindar o elenco, reafirmar a liderança financeira e mostrar que o “projeto de R$ 1 bilhão” não é apenas um número no papel, mas uma realidade em campo.