A apresentação de Savarino no Fluminense virou, inevitavelmente, um acerto de contas público com o passado recente. Ao vestir a camisa tricolor, o venezuelano não fugiu das perguntas sobre sua saída do Botafogo e deixou uma frase curta e cortante no ar: “Há coisas que tem que perguntar para o Botafogo, não para mim”.
Sem entrar em detalhes contratuais, o atacante deixou claro que a ruptura não foi apenas técnica, mas de gestão. Segundo ele, a percepção de que estava em uma “lista de vendas” do Glorioso mudou sua mentalidade e abriu caminho para a transferência ao rival.
O Recado no Botafogo: “Lista de Vendas” e Paz
Savarino justificou a troca de General Severiano pelas Laranjeiras com três pilares: estabilidade no Rio de Janeiro, o projeto esportivo do Flu e a “paz” para sua família.
Nas entrelinhas, o recado foi duro: ele se sentiu tratado como mercadoria negociável pelo Botafogo. Quando percebeu que o clube estava disposto a vendê-lo para fazer caixa, optou por escolher seu destino em vez de esperar ser negociado para um lugar indesejado.
O Diagnóstico da Queda para Savarino: 2024 vs. 2025
O jogador também fez uma análise fria sobre a queda de rendimento do Alvinegro. Comparou o “ano histórico” de 2024 (onde teve 14 gols e 12 assistências) com a instabilidade de 2025 (4 gols e 3 assistências no Brasileiro).

Para Savarino, o erro fatal do Botafogo foi o desmanche e a troca de comando técnico. “Saíram muitos jogadores” e o clube perdeu o treinador que “juntava todo o grupo”, diagnosticou.
O Negócio: Não foi de Graça
Apesar da mágoa, a operação foi lucrativa para o Botafogo. O negócio girou em torno de US$ 7,5 milhões (quase R$ 40 milhões), além da ida do volante Wallace Davi para o Glorioso. John Textor monetizou um ativo valorizado, mas pagou o preço político de reforçar um rival direto e desfalcar o setor ofensivo.
A frase “perguntem ao Botafogo” machuca o torcedor alvinegro mais do que a foto com a camisa do Flu. Ela sugere que o ciclo não encerrou no campo, mas sim na planilha: quando a SAF coloca um protagonista na vitrine, ele deixa de ser “projeto esportivo” e vira “oportunidade de negócio”.