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Kaiki pode render R$ 88 milhões e Cruzeiro já mira como usar dinheiro da venda

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A possível venda de Kaiki para a Europa pode mudar o tamanho da janela do Cruzeiro. O lateral-esquerdo está na mira de dois clubes internacionais, principalmente o Como, da Itália, e também segue observado pelo Betis, da Espanha. A operação pode chegar perto de 15 milhões de euros, cerca de R$ 88 milhões, e se tornar uma das negociações mais importantes da gestão celeste.

O dinheiro, porém, não deve ser tratado como valor livre para sair contratando. A negociação ainda tem detalhes pendentes, como comissão, forma de pagamento e divisão de direitos econômicos. O próprio Kaiki possui parte do passe, e a Raposa tenta proteger a operação para receber bem agora e, se possível, manter algum ganho em uma futura revenda.

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Mesmo assim, a venda abriria margem para o clube mineiro reforçar o elenco no segundo semestre. A diretoria já se movimentou antes mesmo de concluir a saída do camisa 6 e acertou a chegada de Gabriel Rojas, do Racing. O argentino custará cerca de R$ 30 milhões, de forma parcelada, e foi contratado justamente para evitar que a lateral esquerda vire um problema.

A conta, portanto, começa por aí. Parte do dinheiro que Kaiki pode gerar já tem destino esportivo: repor a posição com um jogador pronto, experiente e capaz de assumir a titularidade caso a venda seja confirmada.

Rojas é o primeiro uso prático da venda de Kaiki

Gabriel Rojas, do Racing
Gabriel Rojas, do Racing – Foto: Divulgação

Gabriel Rojas não chega como uma aposta barata. O Racing aceitou a proposta da Raposa por 6 milhões de dólares, valor próximo de R$ 30 milhões. O lateral-esquerdo tem 28 anos, assinará até o fim de 2029 e vem de um ciclo forte no futebol argentino, com títulos continentais e passagem recente pelo radar da seleção argentina.

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A contratação faz sentido dentro do cenário de mercado. Kaiki está valorizado e Kauã Prates já foi negociado com o Borussia Dortmund. Sem uma reposição, Artur Jorge poderia perder duas opções da lateral em curto intervalo. Com Rojas, o time mineiro ganha segurança para negociar o titular sem desmontar o setor.

O reforço também mostra como a diretoria pretende usar o dinheiro: não apenas para comprar nomes de impacto, mas para impedir queda técnica no elenco. A venda de um jovem formado na Toca precisa financiar uma reposição imediata e, ao mesmo tempo, preservar caixa para outros setores.

Rojas é um lateral ofensivo, de bom apoio, presença no campo adversário e boa produção de assistências. No Racing, participou bastante da construção e tinha liberdade para chegar ao fundo ou cruzar de zonas intermediárias. No Cruzeiro, tende a ser usado como substituto natural de Kaiki, embora precise passar por adaptação ao futebol brasileiro.

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Esse movimento reduz o risco esportivo da venda. Se o camisa 6 sair, a Raposa não precisará entrar desesperada no mercado por outro lateral. Portanto, já comprou antes de vender.

Melk aparece como aposta jovem no radar

Além da reposição imediata na lateral, o Cruzeiro também observa jovens com potencial de valorização. Um dos nomes monitorados é Melk, destaque do Ceará na Série B. O meia-atacante de 19 anos vive boa fase, chama atenção de clubes nacionais e também é observado por mercado europeu.

O caso, porém, ainda exige cautela. O ge informou que Bragantino e Raposa acompanham a situação, mas o Ceará não recebeu proposta oficial e não quer negociar o jogador neste momento. Sendo assim, a multa para o mercado nacional é de R$ 50 milhões, enquanto a cláusula internacional chega a 30 milhões de euros.

Na prática, Melk seria uma contratação de projeto, não de resposta imediata. O jovem tem boa participação em gols, atua como meia-atacante, é canhoto e cresceu na temporada depois de ganhar espaço no profissional. Dessa forma, pela idade e pelo perfil, se encaixa na ideia de comprar antes da valorização maior.

Esse tipo de negócio combina com uma venda como a de Kaiki. O clube transforma um ativo formado em casa em receita alta e tenta reinvestir parte dela em outro jogador jovem, com margem de crescimento e possibilidade de revenda futura.

No entanto, o problema é o preço. Se a conversa chegar perto da multa nacional, a operação fica pesada. O Cruzeiro precisaria construir um modelo com valor fixo menor, bônus por metas e talvez percentual futuro ao Ceará. Sem isso, gastar uma fatia grande da venda de Kaiki em um atleta da Série B pode ser arriscado.

Dinheiro também pode servir para segurar o nível do meio-campo

A venda do lateral não acontece isoladamente. Christian também está na mira do Krasnodar, da Rússia, em negócio que pode ultrapassar R$ 50 milhões. Sendo assim, se as duas saídas avançarem, o Cruzeiro terá caixa, mas também perderá dois titulares importantes.

Esse é o ponto que deve orientar a janela. A diretoria não pode olhar apenas para o dinheiro que entra. Precisa calcular quem sai, qual função perde força e onde Artur Jorge terá mais dificuldade para manter o padrão do time.

Se Christian for vendido, a prioridade pode mudar para o meio-campo. Dessa forma, a Raposa tem nomes no setor, mas o camisa 88 entrega um pacote específico de força física, chegada à área e participação em gols. Repor esse perfil não é simples.

Por fim, nomes mais pesados monitorados pelo mercado brasileiro, como Fabinho, só fariam sentido se surgissem em condições muito específicas. O volante do Al-Ittihad tem salário altíssimo e contrato perto do fim, mas uma operação desse tipo dependeria de redução forte de vencimentos, luvas e projeto esportivo. Não é um alvo para simplesmente “gastar a venda de Kaiki”.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.

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