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Cruzeiro ganha trégua rara antes da Copa e Artur Jorge mira 3 buracos no elenco

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O Cruzeiro chegou à pausa da Copa do Mundo com um empate que incomodou, mas com uma vantagem que pode valer mais do que parece: Artur Jorge terá tempo. Tempo de treino, tempo de recuperação, tempo de mercado e, principalmente, tempo para mexer em um elenco que passou dois meses jogando no limite.

O 1 a 1 com o Fluminense, no Mineirão, não foi a despedida ideal. A Raposa saiu atrás, buscou o empate com Matheus Pereira e deixou a sensação de que poderia ter vencido. Ainda assim, o ponto final antes da parada não apaga o cenário maior.

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O Cruzeiro entra no intervalo do calendário vivo em três frentes, nas oitavas da Libertadores, nas oitavas da Copa do Brasil e distante do sufoco que rondava o clube no início do Brasileirão.

A pausa, portanto, não chega como prêmio. Chega como oportunidade.

Artur Jorge terá a pré-temporada que não teve

Quando Artur Jorge assumiu o Cruzeiro, o calendário já estava em movimento. Não houve tempo limpo para implantar método, ajustar comportamento defensivo, redesenhar saída de bola ou criar variações ofensivas com calma.

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O português precisou trocar pneu com o carro andando.

Agora, pela primeira vez desde a chegada, o treinador terá uma janela real de trabalho. O elenco será liberado para férias entre 1º e 21 de junho, com reapresentação prevista para 22 de junho, na Toca da Raposa 2. A partir daí, virão avaliações físicas, trabalhos médicos e treinos de intertemporada.

Esse período pode ser decisivo porque o Cruzeiro mostrou evolução, mas ainda carrega problemas repetidos. O time compete melhor, pressiona mais, tem momentos de domínio e já não parece emocionalmente quebrado. Mas ainda oscila nas definições, sofre em transições e depende demais de lampejos de alguns jogadores.

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Nenhum brasileiro convocado vira vantagem

O Cruzeiro teve nomes importantes na pré-lista da Seleção Brasileira, como Kaiki, Fabrício Bruno, Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge. No corte final de Carlo Ancelotti, nenhum deles foi chamado.

Para o ego do clube, isso pode ser frustrante. Para Artur Jorge, é quase um presente de calendário.

Enquanto rivais vão perder peças para a Copa do Mundo, viagens, pressão emocional, desgaste físico e risco de lesão, o Cruzeiro terá seu núcleo à disposição. Isso permite trabalhar com mais continuidade e menos improviso.

Treinador do Cruzeiro, Artur Jorge comemora após vitória contra o Bragantino
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A vantagem não está apenas em ter jogadores descansando. Está em treinar com quem realmente decide.

Gerson pode ganhar mais encaixe no meio. Matheus Pereira terá tempo para ajustar movimentos em zonas menos previsíveis. Kaio Jorge, que ficou fora contra o Fluminense, pode recuperar condição sem a urgência de jogo a cada três dias. Fabrício Bruno terá período para consolidar liderança defensiva. Kaiki, mesmo valorizado no mercado, segue como peça estratégica até que a janela diga outra coisa.

As 3 carências estão claras: lateral, zaga e ataque

A pausa também expõe o que o Cruzeiro precisa corrigir. A primeira carência é a lateral esquerda.

Kauã Prates já está vendido ao Borussia Dortmund e deve deixar o clube no meio do ano. Kaiki continua sendo ativo esportivo e financeiro, mas também desperta atenção do mercado europeu. Isso coloca a diretoria diante de um problema objetivo: o setor pode ficar curto justamente no segundo semestre, quando Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão começam a apertar.

A segunda carência está na defesa.

O Cruzeiro melhorou com Artur Jorge, mas ainda sofre em lances de ruptura, cobertura e tomada de decisão sob pressão. O gol do Fluminense no Mineirão, com erro na jogada e definição de John Kennedy, reforçou uma sensação que o torcedor já conhece: o time cresceu, mas ainda não é blindado.

A terceira carência está no ataque.

Não faltam nomes. Faltam respostas constantes. Néiser Villarreal, Chico da Costa, Bruno Rodrigues, Sinisterra e outras opções passaram por oscilações, lesões ou adaptação. Kaio Jorge é o atacante com maior peso técnico, mas não pode ser a única solução para todos os jogos grandes.

O Cruzeiro precisa de mais gente capaz de decidir sem depender de um cenário perfeito. Agora resta saber como aproveitar as oportunidades.

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Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.

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