Quando se pensa nos principais responsáveis pela criação de jogadas do Cruzeiro, Matheus Pereira provavelmente aparece entre os primeiros nomes. Os números de 2026, porém, reservam uma surpresa: o líder de assistências do time é Fagner. Aos 37 anos, o lateral-direito chegou a seis passes para gol e superou justamente o camisa 10, que soma cinco.
A ultrapassagem aconteceu na vitória por 3 a 1 sobre o Mirassol, no último domingo (9), pelo Campeonato Brasileiro. Fagner participou do segundo gol celeste ao servir Kaio Jorge e alcançou a sexta assistência em 24 partidas na temporada.
O dado é ainda mais curioso quando colocado ao lado do cenário vivido pelo jogador há poucos meses. No segundo semestre de 2025, Fagner sofreu uma fratura na fíbula, ficou afastado por longo período e chegou ao fim do ano com futuro indefinido. Em outubro, a saída do Cruzeiro era apontada como o caminho mais provável para 2026.
Ele ficou, e agora lidera justamente uma estatística normalmente associada aos jogadores mais criativos do ataque e do meio-campo.
Fagner passou Matheus Pereira e Lucas Romero

O ranking interno ajuda a dimensionar a temporada do lateral.
Fagner aparece com seis assistências. Logo atrás estão Matheus Pereira e Lucas Romero, com cinco cada. Gerson soma quatro, enquanto Keny Arroyo, Christian e Bruno Rodrigues aparecem com três.
A diferença não é enorme em números absolutos, mas ganha peso quando consideradas as funções exercidas por cada jogador.
Matheus Pereira é o principal articulador do Cruzeiro e ocupa regiões do campo naturalmente associadas ao último passe. Fagner começa as jogadas muito mais distante do gol adversário e também possui responsabilidades defensivas.
Mesmo assim, ninguém no elenco celeste serviu mais companheiros para gols em 2026.
As seis assistências estão divididas entre Campeonato Brasileiro e Libertadores: quatro foram registradas na Série A e duas na competição continental.
No recorte exclusivo do Brasileirão, a ESPN também coloca Fagner no topo do Cruzeiro, com quatro assistências em 15 partidas. Christian e Lucas Romero aparecem na sequência com três cada, enquanto Matheus Pereira registra duas no torneio.
Duas assistências em um único jogo mudaram o ranking
Uma das atuações que mais impulsionaram Fagner na lista aconteceu contra o Internacional, em julho.
Na vitória do Cruzeiro por 2 a 1 no Beira-Rio, o lateral participou diretamente dos dois gols.
Primeiro, serviu Kaio Jorge. Depois, encontrou Matheus Pereira para ampliar. O camisa 10 girou sobre a marcação e concluiu a jogada, mas o passe que iniciou a ação decisiva veio novamente de Fagner.
Foi uma espécie de resumo do que o veterano vem oferecendo ao Cruzeiro.
Fagner não precisa necessariamente chegar à linha de fundo para produzir. Parte das assistências surge justamente da capacidade de encontrar companheiros com passes mais longos ou bolas colocadas em espaços difíceis para a defesa adversária.
Na Libertadores, por exemplo, ele já havia dado assistência para Matheus Pereira marcar na vitória por 1 a 0 sobre o Barcelona de Guayaquil, em abril.
Quando os times voltaram a se enfrentar no Mineirão, na goleada celeste por 4 a 0, o lateral voltou a ter atuação ofensiva destacada.
Aos 37 anos, Fagner pode bater recorde pessoal
Há outro detalhe que transforma a temporada em algo ainda mais incomum: Fagner está próximo de alcançar a melhor produção ofensiva de toda a carreira.
Em 2017, pelo Corinthians, distribuiu sete assistências em 57 jogos. Já em 2023, registrou oito passes para gol em 52 partidas, sua melhor marca em uma única temporada até agora.
No Cruzeiro de 2026, ele já tem seis assistências e um gol em 24 jogos.
Portanto, precisa de apenas duas novas participações em gols para igualar a melhor temporada da carreira e de três para estabelecer um novo recorde pessoal no quesito, considerando gols e assistências.
A diferença de quantidade de partidas chama atenção.
Fagner chegou aos atuais sete envolvimentos diretos em gols em menos da metade dos jogos que disputou em 2023.
E isso acontece justamente depois de completar 37 anos em junho.
O jogador que poderia sair virou peça para Artur Jorge
A reviravolta fica ainda mais evidente quando se recupera o fim da temporada passada.
Fagner chegou ao Cruzeiro em 2025 para disputar posição com William. Os dois alternaram na lateral até que uma fratura na fíbula afastou o veterano por praticamente todo o segundo semestre.
Durante a recuperação, a concorrência aumentou e a permanência ficou cercada de dúvidas. O vínculo de empréstimo acabava em dezembro e Fagner ainda tinha contrato com o Corinthians.
No início de janeiro, Cruzeiro e jogador encontraram uma solução. Fagner rescindiu com o clube paulista e assinou em definitivo com a Raposa até o fim de 2026.
O que parecia uma permanência principalmente ligada à experiência e à necessidade de ter opções para William ganhou outra dimensão dentro de campo.
Fagner passou a ser utilizado especialmente em partidas importantes. Até o duelo com o Mirassol, havia começado como titular em cinco dos seis jogos do Cruzeiro na fase de grupos da Libertadores e em 15 das primeiras 22 rodadas do Brasileirão.
Fagner oferece ao Cruzeiro criação por um lugar diferente
O mais interessante nos números talvez não seja definir se Fagner “cria mais” do que Matheus Pereira.
São jogadores com funções e características completamente diferentes.
A estatística mostra, na verdade, que o Cruzeiro encontrou uma segunda origem para seus passes decisivos.
Quando toda a construção depende do camisa 10, o adversário pode concentrar a marcação no meio e reduzir os espaços de Matheus Pereira. Um lateral capaz de produzir pelo corredor muda a equação.
Fagner obriga a defesa rival a respeitar também o lado direito. É uma alternativa especialmente valiosa em partidas nas quais o Cruzeiro encontra adversários fechados ou precisa acelerar uma jogada antes que o sistema defensivo consiga se organizar.
E os seis passes para gol mostram que essa participação deixou de ser ocasional.
Matheus Pereira continua sendo uma das principais referências técnicas da Raposa e já havia chegado a sete gols e cinco assistências ainda em maio.
Só que, em uma estatística específica, o camisa 10 agora olha para cima. O líder é um lateral de 37 anos que terminou 2025 lesionado, entrou em 2026 com a permanência indefinida e, oito meses depois, pode estar a caminho da temporada ofensivamente mais produtiva de toda a carreira.


