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Como a ‘Vingança’ do Cruzeiro contra Leonardo Jardim está sendo escrita sem Pedrinho BH fazer nada

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Leonardo Jardim deixou o Cruzeiro sem pagar multa, dizendo que só voltaria ao Brasil para treinar a Raposa. Depois aceitou o Flamengo, admitiu que foi e assumiu um dos elencos mais caros do continente. Agora, o Flamengo caiu da Copa do Brasil, perdeu o confronto direto com o Palmeiras no Maracanã por 3 a 0 e acumula sete pontos de desvantagem na tabela do Brasileirão.

Ao mesmo tempo, Filipe Luís, o técnico demitido para a chegada de Jardim, acertou com o Monaco, justamente o clube onde o português viveu sua maior consagração europeia. O Moon BH analisa: a vingança de Pedrinho BH e do Cruzeiro não precisa de discurso. Está sendo escrita pela tabela e pelo roteiro que o futebol escolheu contar. É o ditado: “futebol não aceita trairagem”.

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A ferida que Jardim deixou em Belo Horizonte

Antes de ir para o Flamengo, Jardim havia declarado que, no Brasil, só treinaria o Cruzeiro. A frase foi feita em momento de entusiasmo com o projeto celeste. Quando aceitou o convite rubro-negro, a explicação que deu foi que havia sido “emotivo” e “ingênuo” ao se comprometer.

Para a torcida cruzeirense, a explicação soou insuficiente. No imaginário do torcedor, não foi apenas uma mudança de emprego. Foi uma quebra de palavra. Jardim saiu de um projeto em reconstrução para assumir uma máquina de investimento, com receita bilionária, elenco de Seleção e folha salarial gigantesca.

Em tese, seria o salto perfeito. Na prática, virou um ambiente onde o risco de fracasso cresceu junto com o tamanho do palco.

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O Flamengo já perdeu a Copa do Brasil

O primeiro golpe concreto veio cedo. O Flamengo foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória após perder por 2 a 0 no Barradão, mesmo tendo vencido o jogo de ida por 1 a 0. A eliminação precoce retirou do clube uma competição relevante e aumentou a pressão sobre Jardim.

Leonardo Jardim treinando time do Flamengo
Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo

Esse detalhe importa porque o Flamengo não contratou o português para fazer uma temporada de transição. Contratou para ganhar. E o técnico chegou para substituir um campeão, em um clube que mede trabalho por taças.

Na Libertadores, Jardim respondeu bem: fechou a fase de grupos na liderança, com 16 pontos, cinco vitórias e saldo de 12 gols. Mas no Brasileirão, a derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, dentro do Maracanã, abriu uma distância que não será fácil de recuperar.

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Na avaliação técnica do Moon BH, o Flamengo ainda tem temporada viva, mas já perdeu margem em duas frentes. A Libertadores virou quase que uma obrigação para salvar o ano.

O Palmeiras virou o problema central de Jardim

Com sete pontos de desvantagem para o Palmeiras, mesmo com um jogo a menos, o Rubro-Negro passou a depender não apenas do próprio desempenho, mas também dos tropeços do rival. Em pontos corridos, isso muda completamente a natureza da pressão.

O Palmeiras não apenas lidera. Venceu o confronto direto com autoridade, no estádio do adversário, em um jogo que tinha peso simbólico. Quem ganhou esse tipo de confronto em temporadas anteriores normalmente não perdeu o título.

Para Jardim, o cenário é desconfortável. Se o Palmeiras mantiver regularidade, o Flamengo pode terminar o ano com Copa do Brasil perdida e Brasileirão distante. Nesse caso, ganhar a Libertadores deixa de ser conquista e vira obrigação.

É aí que o cruzeirense enxerga a ironia completa: Jardim saiu do Cruzeiro para entrar em um clube onde “ganhar” é o mínimo esperado. Agora, qualquer temporada sem título grande pode ser lida como fracasso. O departamento de estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) coloca o Verdão hoje como favorito.

Filipe Luís fecha o círculo no Monaco

A outra parte do roteiro está na Europa.

Filipe Luís saiu do Flamengo de forma traumática, demitido logo após uma vitória por 8 a 0 sobre o Madureira, dois meses depois de renovar contrato. Mesmo tendo conquistado cinco títulos em pouco mais de um ano, incluindo Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão, não sobreviveu à pressão.

Foto: Instagram

Agora, acerta com o Monaco até 2028 e assume exatamente o clube que consagrou Leonardo Jardim na Europa. Em 2016/17, Jardim comandou no Monaco uma equipe histórica: campeã francesa depois de 17 anos de espera, semifinalista da Champions League, 104 gols na Ligue 1. Aquele clube virou símbolo de futebol ofensivo e desenvolvimento de jovens.

A troca simbólica é precisa: Jardim está no clube onde Filipe virou técnico campeão; Filipe vai para o clube onde Jardim virou técnico de elite.

Se Filipe Luís der certo no Monaco e Jardim patinar no Flamengo, a narrativa será muito incômoda para o português.

Filipe chega ao Monaco com missão difícil

O Monaco não está em condição de glória imediata. O clube terminou a última Ligue 1 em sétimo lugar e ficou fora da Champions League, garantindo apenas vaga na Conference League.

Filipe não chega para administrar um time pronto no topo. Chega para reconstruir competitividade e mostrar que o sucesso no Flamengo não foi apenas efeito de conhecer o clube por dentro.

Para Pedrinho BH e para o torcedor cruzeirense, o cenário ideal é simples: Cruzeiro avançando no próprio projeto, Flamengo de Jardim sem títulos grandes e Filipe Luís crescendo no antigo palco de glória do português.

Seria a vingança sem precisar falar nada.

Jardim ainda está vivo na Libertadores e o Flamengo tem elenco para reagir no Brasileirão. Filipe Luís ainda terá que provar valor na Europa sem o ambiente familiar que o protegeu no Ninho do Urubu. O futebol raramente entrega justiça poética tão limpa.

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Esportes Redação
Esportes Redação
Jornalista esportivos que trabalham há mais de 15 anos na cobertura diária dos principais clubes brasileiros, com foco em Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Botafogo.

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