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Cruzeiro: Empréstimo de Chico da Costa ao Sport enfrenta complicações e pode não acontecer

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O empréstimo de Chico da Costa, do Cruzeiro, ao Sport passou a correr sério risco de não acontecer. Embora os dois clubes tenham incluído o atacante na negociação por Zé Lucas, a falta de interesse do jogador em se transferir para Recife criou um impasse que ainda precisa ser resolvido.

No sábado (25), o Sport chegou a divulgar oficialmente que receberia Chico da Costa e Murilo Rhikman por empréstimo até o fim de 2026. O comunicado detalhou, inclusive, que o salário do centroavante seria integralmente pago pelo Cruzeiro durante sua passagem pela Ilha do Retiro.

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O anúncio do clube pernambucano, porém, não encerrou a negociação. Chico já demonstrava resistência à possibilidade de permanecer no futebol brasileiro e ainda precisa concordar com a mudança para que o contrato seja assinado e registrado.

Sem o aval do atacante, Cruzeiro e Sport não conseguem concluir a operação. A tendência é que os clubes tentem uma nova rodada de conversas, mas a transferência pode ser cancelada caso Chico mantenha a decisão de não atuar pelo Leão.

Chico da Costa não queria se transferir para Recife

Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro

A resistência do jogador não surgiu depois do comunicado publicado pelo Sport. Antes mesmo da conclusão da venda de Zé Lucas, informações divulgadas em Belo Horizonte já indicavam que Chico da Costa não pretendia se mudar para Pernambuco.

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Cruzeiro e Sport viam o empréstimo com bons olhos. O clube mineiro encontraria um destino para um jogador fora dos planos, enquanto o time pernambucano receberia um centroavante experiente sem assumir o pagamento de seus salários.

O problema estava na vontade do atleta. Chico indicou que, caso deixasse o Cruzeiro, sua prioridade seria retornar ao exterior, principalmente para algum mercado do Oriente Médio. A preferência já havia provocado dificuldades em outras tentativas de negociação realizadas pela diretoria celeste.

O atacante também despertou o interesse do Remo, mas as conversas não avançaram. Seu estafe vem procurando alternativas fora do país desde a pausa no calendário para a Copa do Mundo.

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A recusa coloca os clubes em uma situação delicada. O Sport apresentou o empréstimo como parte integrante da venda de Zé Lucas, mas um jogador não pode ser obrigado a aceitar uma transferência apenas porque as diretorias chegaram a um acordo.

Negociação foi anunciada como concluída pelo Sport

O Sport vendeu 60% dos direitos econômicos de Zé Lucas ao Cruzeiro por US$ 5 milhões, aproximadamente R$ 25 milhões. O pagamento será realizado em três parcelas, previstas para agosto, setembro e outubro de 2026.

Além do valor financeiro, o acordo previa os empréstimos de Chico da Costa e Murilo Rhikman até o encerramento da temporada.

O Cruzeiro continuaria responsável por todos os vencimentos de Chico. No caso de Murilo, o salário seria pago pelo Sport, que também passou a ter direito a 35% dos direitos econômicos do jovem jogador.

O clube pernambucano apresentou essa composição em nota oficial, dando a entender que todos os pontos estavam definidos. Nos dias anteriores, entretanto, veículos que acompanhavam a negociação já registravam que o estafe de Chico ainda não havia dado o sinal verde.

A divergência ajuda a explicar a complicação atual. Cruzeiro e Sport definiram as condições institucionais e financeiras, mas não conseguiram assegurar antecipadamente a aprovação do centroavante.

Problema não deve desfazer contratação de Zé Lucas

Mesmo que o empréstimo de Chico da Costa seja cancelado, a contratação de Zé Lucas pelo Cruzeiro não deve ser desfeita.

O volante de 18 anos já assinou contrato até junho de 2031, foi registrado no Boletim Informativo Diário da CBF e passou a integrar o elenco comandado por Artur Jorge. A transferência principal, portanto, está consumada.

Cruzeiro e Sport terão de discutir como compensar a ausência de Chico no pacote. Entre as possibilidades estão a indicação de outro jogador, uma alteração na composição financeira ou a retirada definitiva do atacante da operação.

Antes da assinatura por Zé Lucas, Wanderson também apareceu entre os nomes analisados para um possível empréstimo ao Sport. Não há, até o momento, confirmação de que ele voltará às conversas.

O clube pernambucano necessita de reforços para a sequência da Série B e havia aprovado o nome de Chico. A chegada sem custos salariais relevantes também tornava o negócio atraente para o planejamento rubro-negro.

Chico está fora dos planos de Artur Jorge

Treinador do Cruzeiro, Artur Jorge
Artur Jorge no Cruzeiro – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Chico da Costa chegou ao Cruzeiro no início de 2026 após uma temporada de destaque pelo Mirassol. O centroavante foi uma indicação do então técnico Tite, mas não conseguiu se firmar na Toca da Raposa.

Em 14 partidas pelo time celeste, foi titular somente cinco vezes, não marcou gols e contribuiu com uma assistência. Além do desempenho abaixo do esperado, uma lesão muscular sofrida no começo da temporada dificultou sua busca por sequência.

A situação piorou após a chegada de Artur Jorge. Chico perdeu espaço, ficou fora de diferentes listas de relacionados e passou a ocupar uma posição distante na disputa por minutos no ataque. Antes da abertura da janela, o Cruzeiro já trabalhava com a possibilidade de negociá-lo.

Seu contrato com o clube mineiro é válido até dezembro de 2027. Mesmo fora do planejamento esportivo, o atacante continua treinando e tem direito de avaliar qual destino considera mais adequado para a carreira.

Cruzeiro terá de buscar outra solução

O empréstimo ao Sport parecia solucionar um problema para todas as partes. O Cruzeiro abriria espaço no elenco, o time pernambucano receberia um centroavante e Chico teria mais oportunidades durante a disputa da Série B.

A resistência do jogador desmontou essa combinação.

Caso a transferência seja definitivamente cancelada, o Cruzeiro terá de encontrar outro clube interessado ou aguardar uma proposta do exterior. Manter Chico no elenco também representa a continuidade de um custo salarial por um atleta que dificilmente será utilizado por Artur Jorge.

O Sport, por sua vez, pode exigir uma alternativa, já que apresentou a chegada do atacante como parte da negociação de Zé Lucas. A contratação do jovem volante pela Raposa não está ameaçada, mas a composição total do acordo terá de ser revista.

Neste momento, o empréstimo de Chico da Costa não pode ser tratado como concluído. Os clubes chegaram a um acerto, mas a decisão do jogador se tornou o último e mais importante obstáculo para a mudança.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.