HomeEsportesCruzeiroCruzeiro: "Não" de Chico da Costa custará valor milionário à Raposa

Cruzeiro: “Não” de Chico da Costa custará valor milionário à Raposa

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A decisão de Chico da Costa de não defender o Sport terá consequências milionárias para o Cruzeiro. O atacante fazia parte da operação que levou Zé Lucas à Toca da Raposa, mas recusou o empréstimo ao clube pernambucano. Agora, a equipe mineira terá de pagar uma compensação de R$ 1 milhão ao Leão, além de continuar responsável pelo contrato de um jogador que está fora dos planos esportivos.

O valor será dividido em quatro parcelas de R$ 250 mil. A compensação foi definida para ajudar o Sport a buscar outro centroavante no mercado, depois de contar com a chegada de Chico da Costa para a sequência da Série B. As parcelas correspondem aos quatro meses nos quais o atacante defenderia a equipe pernambucana até o encerramento da temporada.

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Até a manhã desta quinta-feira, 30 de julho, o Sport ainda não tratava a negociação como completamente encerrada. Dirigentes rubro-negros tentaram convencer o jogador a aceitar o empréstimo, mas não tiveram sucesso. Chico comunicou ao Cruzeiro que não deseja atuar pelo clube pernambucano e manifestou a intenção de permanecer em Belo Horizonte.

Recusa não cancela contratação de Zé Lucas

Zé Lucas no Cruzeiro
Zé Lucas no Cruzeiro – Divulgação

A negativa de Chico da Costa não interfere na transferência de Zé Lucas para o Cruzeiro. O volante de 18 anos foi adquirido em definitivo por US$ 5 milhões, aproximadamente R$ 25 milhões na cotação utilizada na operação.

O pagamento pela promessa do Sport será feito em três parcelas, previstas para os meses de agosto, setembro e outubro de 2026. O clube pernambucano também preservou uma porcentagem dos direitos econômicos do volante para lucrar novamente em uma futura venda.

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Além do dinheiro, a composição inicial do acordo previa a chegada de dois jogadores do Cruzeiro ao Recife. Murilo Rhikman aceitou a transferência, apresentou-se ao Sport e assinou contrato de empréstimo até o fim da temporada. Chico, porém, não deu o mesmo sinal verde.

O caso mostra que o entendimento entre os clubes não substitui a concordância do atleta. Mesmo com salários, duração do empréstimo e condições gerais encaminhados, uma transferência somente pode ser concluída com a assinatura do jogador.

Qual é o prejuízo real para o Cruzeiro?

A conta diretamente provocada pela recusa de Chico da Costa é de R$ 1 milhão. Esse é o valor que o Cruzeiro se comprometeu a repassar ao Sport pela frustração do empréstimo e pela necessidade de o clube pernambucano procurar outro atacante.

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O impacto financeiro, contudo, pode ficar maior quando se considera que Chico continuará vinculado ao Cruzeiro. O contrato do centroavante termina apenas em dezembro de 2027. Enquanto não encontrar outro destino, a Raposa permanece responsável pelos salários, encargos e demais obrigações trabalhistas do jogador.

É necessário separar essa despesa do investimento feito para contratá-lo. No início de 2026, o Cruzeiro pagou aproximadamente US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,5 milhões na cotação da época, por parte dos direitos econômicos do atacante junto ao Cerro Porteño. Esse dinheiro já havia sido investido antes da negociação com o Sport e, portanto, não pode ser contabilizado integralmente como prejuízo causado pela recusa atual.

Ainda assim, o clube encontra dificuldade para recuperar o valor aplicado. Chico tem 31 anos, contrato longo e pouca participação na temporada. Caso permaneça sem jogar, tende a perder espaço e valor de mercado, tornando mais difícil uma venda definitiva que compense o investimento realizado em janeiro.

Chico da Costa não conseguiu se firmar

Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol

Contratado após uma passagem positiva pelo Mirassol, Chico da Costa chegou ao Cruzeiro como uma alternativa para o comando de ataque. O jogador havia marcado seis gols em 20 partidas pelo clube paulista durante o Campeonato Brasileiro de 2025.

O rendimento em Belo Horizonte, porém, ficou distante do esperado. Chico disputou 14 das primeiras 37 partidas oficiais do Cruzeiro em 2026, começou apenas cinco como titular e não marcou gols. Sua única participação direta em gol foi uma assistência.

A baixa utilização levou a diretoria a colocá-lo entre os nomes disponíveis para negociação durante a janela do meio do ano. Em maio, o Moon BH mostrou que a possível saída do atacante fazia parte do plano celeste para reduzir a folha e abrir espaço financeiro para reforços destinados aos lados do campo.

O empréstimo ao Sport oferecia ao jogador a possibilidade de ganhar sequência e, ao Cruzeiro, uma oportunidade de afastar do elenco um atleta pouco utilizado. Mesmo que os salários continuassem sendo pagos pela Raposa durante o período, Chico teria exposição e poderia recuperar parte de seu valor esportivo.

Cruzeiro precisa encontrar uma nova solução

Com a recusa, o Cruzeiro volta ao mercado em busca de outro destino para Chico da Costa. A permanência na Toca da Raposa não significa necessariamente que o atacante será reintegrado e ganhará novas oportunidades.

As informações mais recentes apontam que o centroavante está fora dos planos esportivos. Dessa maneira, a diretoria terá de procurar um clube que desperte o interesse do jogador e aceite recebê-lo por empréstimo ou em uma transferência definitiva.

A situação também provoca desgaste nos bastidores. O Sport chegou a comunicar publicamente a inclusão de Chico na operação por Zé Lucas, enquanto o atacante ainda não havia autorizado sua mudança para Recife. A falta desse acerto individual transformou uma negociação considerada concluída em um problema financeiro e administrativo.

O Cruzeiro continuará com Zé Lucas, considerado uma das principais promessas do futebol brasileiro, mas precisará acrescentar R$ 1 milhão ao custo imediato da operação. Paralelamente, segue com Chico da Costa sob contrato e sem espaço no time.

Mais do que a parcela milionária, o desafio será impedir que o investimento de aproximadamente R$ 5,5 milhões feito no começo do ano se transforme em um ativo parado até dezembro de 2027.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.