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Cruzeiro tem um plano para ferir o Flamengo, e Artur Jorge já sabe o caminho na Libertadores

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O sorteio das oitavas de final da Libertadores colocou o Cruzeiro diante de um adversário que vale mais do que uma vaga. O Flamengo, atual força dominante do continente e dono da melhor campanha geral da fase de grupos, será o rival da Raposa no mata-mata. Para Pedrinho BH e para boa parte da torcida celeste, o confronto carrega uma camada que a tabela não mostra: Leonardo Jardim.

O técnico português deixou o Cruzeiro após uma passagem marcada por reconstrução de competitividade e uma promessa que voltou a doer quando ele aceitou o Flamengo. O Moon BH analisa que, agora, o futebol devolve o capítulo em formato de Libertadores.

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O Flamengo decidirá em casa, por ter terminado a fase de grupos como melhor campanha geral, com cinco vitórias e um empate. O Cruzeiro chega como segundo colocado do Grupo D, com um argumento que não pode ser ignorado: sobreviveu a uma chave com Boca Juniors e Barcelona de Guayaquil e carimbou a vaga com goleada por 4 a 0 no Mineirão.

O duelo vale mais do que a vaga

Para o Cruzeiro, o confronto tem peso de afirmação institucional. A Raposa voltou à Libertadores depois de anos de reconstrução, troca de gestão, SAF e investimento pesado. Saiu do buraco recente para voltar a discutir protagonismo continental.

Enfrentar Leonardo Jardim logo nas oitavas cria uma narrativa rara: o Cruzeiro terá a chance de medir o atual projeto contra o treinador que ajudou a elevar o sarrafo, mas saiu antes de completar o ciclo.

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O Flamengo é favorito pelo elenco, pelo mando da volta e pela campanha. Mas a Libertadores raramente se resolve só no favoritismo. Ela costuma premiar ambiente, leitura emocional e capacidade de jogar os momentos do confronto. É exatamente aí que Artur Jorge entra.

As apostas de Artur Jorge para machucar o Flamengo

A primeira arma do Cruzeiro é óbvia, mas poderosa: o Mineirão.

Na fase de grupos, a torcida celeste registrou a maior média de público entre os clubes brasileiros da Libertadores, com mais de 158 mil torcedores nos três jogos como mandante. Contra o Flamengo, esse fator precisa ser usado como pressão esportiva. A ida tende a ser a grande oportunidade do Cruzeiro para construir vantagem, acelerar o jogo e impedir que o Rubro-Negro administre o confronto com a bola.

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A segunda arma é Matheus Pereira.

O camisa 10 chega fortalecido pela atuação contra o Barcelona de Guayaquil, quando marcou duas vezes e comandou a goleada. Em um duelo contra um meio-campo de alto controle, com Jorginho, Paquetá e Pulgar, o Cruzeiro precisa que Matheus Pereira seja mais do que articulador. Ele terá que ser o homem da pausa, da inversão e da bola final.

A terceira aposta passa por Kaio Jorge e Sinisterra.

O Flamengo de Jardim tem qualidade para controlar posse, atrair pressão e encontrar superioridade por dentro. A forma de punir isso é atacar os espaços às costas dos laterais e forçar os zagueiros rubro-negros a correrem para trás. Artur Jorge já explorou essa receita em outros trabalhos: bloco competitivo, transição rápida e agressividade no último terço.

Christian também surge como peça importante nesse desenho. A chegada dele à área, somada ao equilíbrio de Lucas Romero e Matheus Henrique, pode dar ao Cruzeiro uma estrutura mais segura para não transformar o jogo em ataque contra defesa.

O que Artur Jorge já fez contra o Flamengo

Treinador do Cruzeiro, Artur Jorge
Foto: Gustavo Martins/ Cruzeiro

A lembrança mais útil para o Cruzeiro não está apenas no currículo de Artur Jorge como campeão da Libertadores e do Brasileirão pelo Botafogo. Está no modo como ele enfrentou o Flamengo em 2024.

O Botafogo venceu o rival por 2 a 0 no Maracanã pelo Campeonato Brasileiro. O confronto mostrou um time que soube sofrer, resistir à pressão inicial e decidir com transição e bola parada. Não foi domínio estético. Foi maturidade competitiva.

Meses depois, o Botafogo aplicou 4 a 1 no Flamengo no Nilton Santos. A equipe de Artur Jorge acelerou o jogo, venceu duelos pelos lados, atacou a última linha com velocidade e transformou intensidade em placar.

Essa memória interessa ao Cruzeiro porque o Flamengo atual também gosta de controlar o ritmo. Jardim trabalha com um elenco mais estrelado e experiente, mas ainda vulnerável quando perde a bola com muita gente à frente.

Flamengo é favorito, mas carrega obrigação maior

A obrigação está mais do lado rubro-negro. Um elenco caro, campeão recente e dirigido por um treinador que conhece bem o Cruzeiro não entra nas oitavas apenas para competir. Entra para confirmar hierarquia.

Para a Raposa, a eliminatória pode ser tratada como oportunidade de ruptura. Passar pelo Flamengo significaria eliminar o melhor time da fase de grupos, derrubar o ex-treinador que virou símbolo de incômodo e colocar o projeto de Pedrinho em outro patamar continental.

O risco de entrar movido pela revanche

O Cruzeiro não pode entrar no confronto movido apenas pela ferida de Jardim. Libertadores pune ansiedade. O time precisa transformar o incômodo em energia competitiva, não em descontrole.

A goleada sobre o Barcelona mostrou uma equipe capaz de jogar com repertório, contundência e confiança. Mas o Flamengo exigirá outro nível de precisão. A Raposa terá que ser intensa sem ser afobada, agressiva sem se desmontar.

Artur Jorge sabe que esse tipo de duelo se ganha em detalhes: uma pressão bem encaixada, uma bola parada, uma sobra na entrada da área, uma transição de três passes. Foi assim que ele construiu parte do caminho vencedor no Botafogo. É assim que o Cruzeiro tentará derrubar o Flamengo.

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Tati Oliveira
Tati Oliveira
Há quase 15 anos no mercado de comunicação, é apaixonada pela notícias e trabalha no jornalismo cobrindo entretenimento, grandes eventos e futebol.

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