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Cruzeiro, após empate com Boca, calcula pontos para chegar nas oitavas da Libertadores

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O Cruzeiro deixou o gramado mítico e hostil de La Bombonera, em Buenos Aires, com um resultado que carrega um valor matemático e anímico muito superior ao ponto somado na tabela. O empate por 1 a 1 contra o Boca Juniors, selado na noite desta terça-feira (19), não carimbou de forma antecipada a vaga celeste nas oitavas de final da Copa Libertadores, mas limpou o horizonte do técnico Artur Jorge para a rodada decisiva.

A Raposa flertou com o desastre no primeiro tempo ao sofrer um gol precoce de Miguel Merentiel. Contudo, a equipe mineira demonstrou uma impressionante casca competitiva na etapa final: buscou a igualdade com um gol inédito do lateral Fagner e acionou o modo de resistência tática para segurar o placar após a expulsão do volante Gerson.

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O resultado manteve o Cruzeiro estrategicamente posicionado à frente dos xeneizes, garantindo que o clube dependa exclusivamente de suas próprias forças no encerramento da fase de grupos. Veja o gol:

O xadrez do Grupo D: A corda saiu do pescoço

A configuração da chave transformou-se em um teste de nervos para as quatro comissões técnicas. Com o desfecho em solo argentino, o Cruzeiro sustenta temporariamente a liderança do Grupo D, acumulando 8 pontos em 5 jogos. O Boca Juniors vem na sequência com 7 pontos.

A Universidad Católica do Chile também soma 7 pontos, mas possui uma partida a menos e enfrentará o Barcelona de Guayaquil (3 pontos) nesta quinta-feira (21).

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Caso os chilenos vençam o compromisso atrasado, o Cruzeiro será ultrapassado antes da jornada final. No entanto, a engenharia do empate na Argentina evitou o pior dos cenários: chegar à última rodada fora da zona de classificação e dependendo de combinações de resultados ou saldo de gols de terceiros.

A conta para carimbar o passaporte rumo ao mata-mata sul-americano tornou-se limpa e direta. No dia 28 de maio, o Cruzeiro recebe o Barcelona de Guayaquil no Mineirão.

Uma vitória simples eleva a pontuação celeste para 11 pontos, blindando a vaga nas oitavas de final. Dependendo de um tropeço ou empate no confronto direto entre Boca Juniors e Universidad Católica, a Raposa pode inclusive avançar como líder isolada do bloco.

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O apagão inicial e o erro na escalação de Artur Jorge

Se o apito final trouxe alívio, os primeiros 45 minutos de jogo ligaram o sinal de alerta no departamento tático celeste. O Cruzeiro adotou uma postura excessivamente passiva na largada, permitindo que o Boca Juniors controlasse o ritmo territorial e inflamasse as arquibancadas portenhas.

Aos 15 minutos, o volante Leandro Paredes descolou um cruzamento preciso na grande área; a retaguarda mineira vacilou na cobertura do segundo pau e permitiu que Merentiel desviasse para o fundo das redes.

Treinador do Cruzeiro, Artur Jorge
Artur Jorge no Cruzeiro – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Segundo balanço crítico estruturado pelo Moon BH com base nos bastidores, o próprio meia Matheus Pereira verbalizou a insatisfação interna ao admitir que a equipe “entrou dormindo” na Bombonera. O time perdeu os duelos físicos na intermediária e demonstrou severa lentidão para quebrar a pressão pós-perda dos argentinos.

A aposta inicial do técnico Artur Jorge também se provou ineficiente na planilha de desempenho. O comandante português optou por iniciar o confronto com o atacante Bruno Rodrigues na vaga de Arroyo.

A alteração tática não funcionou; Bruno Rodrigues entregou uma atuação apagada, falhando tanto na recomposição defensiva pelo corredor lateral quanto na retenção de bola para acionar os contragolpes, virando peça nula até ser substituído.

A resposta de Fagner e a noite milagrosa de Otávio

A volta do intervalo revelou a principal virtude do Cruzeiro na temporada: a capacidade de absorver o sofrimento e alterar o comportamento tático sob forte pressão. O time adiantou as linhas de combate e, aos 9 minutos da etapa complementar, encontrou o gol de empate. Fagner aproveitou uma sobra viva na grande área e finalizou de forma seca no canto do arqueiro argentino, anotando o seu primeiro gol com o manto celeste em um momento de margem de erro zero.

Goleiro Otávio Costa - Treino do Cruzeiro
Foto: Gustavo Aleixo / Cruzeiro

A partir do empate, a partida converteu-se em um bombardeio do Boca Juniors, e foi aí que a figura do goleiro Otávio cresceu de forma monumental. Imprensa argentina, como o portal Infobae, destacou de forma impositiva que o time da casa produziu volume de finalizações suficiente para construir uma vitória confortável, mas esbarrou em uma exibição de gala do arqueiro cruzeirense.

Otávio realizou defesas cruciais em dois momentos distintos do drama. Primeiro, sustentou a equipe mentalmente inteira logo após o gol de Merentiel; depois, operou milagres na reta final da partida, quando a Raposa recuou totalmente o seu bloco para reter a igualdade com um homem a menos. Em mata-mata de Libertadores, contar com um goleiro desse nível de letalidade defensiva vale tanto quanto um gol de placa no ataque.

O prejuízo de Gerson e o desperdício ofensivo

O grande ponto cego da noite de sobrevivência residiu estritamente na indisciplina emocional do meio-campo. O volante Gerson acabou expulso de forma direta no segundo tempo após desferir uma entrada faltosa em Leandro Paredes, em lance capturado com precisão pelo árbitro de vídeo (VAR). Veja o vídeo:

O cartão vermelho forçou o Cruzeiro ao limite do desgaste físico para segurar o Boca com dez atletas e gerou um desfalque pesado para o jogo da classificação no Mineirão. Gerson cumpre suspensão automática contra o Barcelona de Guayaquil.

A ausência do camisa 8 quebra o ritmo de transição e a força de sustentação na segunda bola que Artur Jorge tanto exige de seus meio-campistas. Além disso, o ataque desperdiçou oportunidades claras para matar o jogo e aplicar uma goleada histórica em Buenos Aires.

O ge destacou chances claríssimas perdidas por Christian e pelo garoto Villarreal, que ficou cara a cara com o goleiro argentino e pecou pelo excesso de preciosismo.

No comando de ataque, Kaio Jorge viveu mais uma noite isolada e discreta, sofrendo para exercer o papel de pivô contra os zagueiros portenhos. O Cruzeiro provou que tem casca de campeão para resistir ao inferno da Bombonera; agora, precisará ligar o motor da eficiência dentro de casa para carimbar a vaga e carregar a torcida mineira rumo às oitavas da América.

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Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.

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