HomeEsportesCruzeiroCruzeiro e Flamengo se interessam por Thiago Almada e Copa do Mundo...

Cruzeiro e Flamengo se interessam por Thiago Almada e Copa do Mundo será decisiva

Publicado em

Thiago Almada voltou a movimentar o mercado sul-americano às vésperas da Copa do Mundo. O meia-atacante argentino, hoje no Atlético de Madrid, entrou no radar de clubes brasileiros e aparece como um daqueles nomes capazes de mudar o patamar técnico de qualquer elenco do país. O problema é que a mesma vitrine que reacende o interesse de Flamengo e Cruzeiro também pode afastar o jogador do Brasil.

O Rubro-Negro fez uma consulta pelo campeão mundial, segundo o ge, mas ouviu um cenário difícil neste momento. O jogador quer esperar a Copa para avaliar ofertas da Europa, prioridade atual de sua carreira. O River Plate também aparece como interessado e seria um concorrente forte caso ele aceite retornar ao futebol sul-americano.

- Publicidade -

No lado celeste, a situação é diferente. A Raposa monitora o nome como oportunidade de mercado, especialmente porque busca elevar o nível técnico do elenco para o segundo semestre. Não há, porém, a mesma sinalização pública de avanço que existe no caso carioca. A leitura em Belo Horizonte passa mais pela viabilidade: custo, salário, projeto esportivo e disposição do atleta em voltar ao continente.

A Copa entra justamente como ponto central dessa disputa. Convocado por Lionel Scaloni, Almada terá a chance de jogar pela Argentina em um torneio que costuma reposicionar carreiras. Se tiver minutos e bom desempenho, a tendência é que o mercado europeu volte com mais força. Se permanecer sem tanto espaço na seleção, uma volta à América do Sul pode ganhar mais lógica.

Interesse do Flamengo tem relação direta com Arrascaeta

O interesse do Fla é fácil de entender. O clube procura um jogador para o meio-campo e vê a posição como uma das prioridades da janela. A necessidade não é apenas numérica, mas técnica. A equipe precisa de uma alternativa capaz de dividir a criação com Arrascaeta, que segue decisivo, mas já exige controle maior de minutagem ao longo da temporada.

- Publicidade -

Almada se encaixaria nesse papel porque não é um meia engessado. Pode atuar centralizado, partir da esquerda, receber entre linhas e acelerar a jogada em condução. Tem drible curto, passe vertical e facilidade para atacar o espaço nas costas dos volantes. É um jogador que aproxima setores e dá ao time uma criação mais dinâmica.

Para Leonardo Jardim, seria uma peça de impacto. O argentino poderia atuar como meia por dentro em jogos nos quais o Rubro-Negro precise controlar a posse, mas também como atacante de lado em partidas de transição. Essa versatilidade é uma das razões pelas quais o nome chama atenção no Ninho do Urubu.

O entrave é financeiro e esportivo. Almada tem contrato com o Atlético de Madrid até junho de 2030 e valor de mercado estimado em € 15 milhões pelo Transfermarkt. Além disso, o AS, da Espanha, apontou que o clube espanhol poderia pedir algo na casa de € 20 milhões por 50% dos direitos econômicos em uma eventual negociação. Em reais, qualquer conversa passaria facilmente da barreira dos R$ 100 milhões, sem considerar salário e luvas.

- Publicidade -
Foto: Botafogo

Por isso, a consulta carioca parece mais um movimento de mercado do que uma negociação simples. O Fla quer saber condições, mas o jogador ainda olha para a Europa. A Copa pode ser decisiva para manter essa porta aberta ou empurrar o argentino para uma disputa sul-americana.

Cruzeiro teria trunfo esportivo, mas negócio é caro

Para a Raposa, Almada seria uma contratação de enorme impacto técnico e midiático. O clube mineiro vive uma fase de ambição maior no mercado, com investimentos relevantes e busca por jogadores que possam elevar o teto do time em competições nacionais e internacionais.

O ponto favorável ao lado celeste é o projeto esportivo. O clube tem buscado nomes de peso, trabalha para fortalecer o elenco e poderia oferecer protagonismo imediato. Em um cenário no qual o argentino queira jogar com regularidade depois de uma temporada irregular na Espanha, Belo Horizonte poderia aparecer como destino competitivo.

Há também um detalhe que pesa na análise: Artur Jorge trabalhou com Almada no Botafogo em 2024, ano em que o jogador participou da conquista da Libertadores e do Brasileirão. A relação anterior não garante acerto, mas ajuda em uma eventual conversa. Treinador e atleta já conhecem a forma de trabalho um do outro, algo relevante quando se trata de convencer um jogador de seleção a voltar ao Brasil.

Mesmo assim, a operação seria complexa. O clube celeste teria de enfrentar concorrência pesada, valores altos e a preferência declarada do jogador por seguir no futebol europeu. Ao contrário do Fla, que tem uma carência mais evidente por um substituto de Arrascaeta, a Raposa precisaria construir o argumento em torno de protagonismo, calendário forte e possibilidade de ser rosto de um projeto.

Nesse ponto, o interesse faz sentido mais como monitoramento qualificado do que como movimento iminente. Almada é caro demais para ser apenas oportunidade. Seria contratação de projeto, daquelas que exigem aprovação financeira, negociação longa e convencimento esportivo.

Copa pode valorizar e dificultar volta ao Brasil

A Copa do Mundo torna o caso mais imprevisível. A Argentina chega como atual campeã e com uma geração que mistura veteranos consagrados e nomes preparados para assumir mais espaço no futuro. Almada faz parte desse segundo grupo.

Se tiver minutos importantes, o meia pode reabrir portas em ligas europeias. Clubes médios da Espanha, Itália, Inglaterra, França e Portugal costumam monitorar jogadores de seleção em torneios desse porte. Uma boa atuação contra rivais fortes pode ser suficiente para mudar a percepção sobre uma temporada abaixo do esperado em Madri.

Para Fla e Raposa, isso cria uma contradição. O jogador interessa justamente porque está em um momento de possível saída, mas a vitrine da Copa pode elevar preço, salário e concorrência. Quanto melhor ele for no Mundial, mais difícil tende a ser a volta ao Brasil.

O caminho mais realista para clubes brasileiros seria uma composição criativa: empréstimo com opção de compra, compra parcial de direitos ou negociação condicionada a metas. Ainda assim, o Atlético de Madrid teria de aceitar reduzir a pedida ou dividir risco. Hoje, pelos valores ventilados, a transferência definitiva parece pesada até para elencos de maior investimento no país.

- Publicidade -
Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.

Veja outras notícias