A entrevista do filho de Pedro Lourenço ao canal HD Play trouxe para a superfície o que os bastidores do mercado mineiro já vinham observando: o Cruzeiro deixou de ser uma operação de contenção para se tornar um projeto de expansão agressiva. A premissa é clara: replicar no futebol a lógica de mercado que transformou uma pequena mercearia de Santa Luzia no império de R$ 25,7 bilhões do Supermercados BH.
Essa mudança de chave marca o fim da era da austeridade absoluta de Ronaldo Fenômeno e inaugura a fase da escala operacional, onde o risco é visto como combustível para o crescimento, desde que seja calculado.
A Metamorfose: Da Austeridade à Ousadia
Enquanto a gestão de Ronaldo focava em “limpar a casa”, reduzir dívidas e operar no limite do essencial, Pedrinho BH trouxe a mentalidade do varejista que domina o PDV (ponto de venda). No setor supermercadista, o lucro muitas vezes vem do volume e da ocupação de espaços antes da concorrência.
Essa transição pode ser resumida na mudança de prioridades do clube:
- Era Ronaldo (2022-2024): O foco era a estabilização financeira e o corte rigoroso de custos. Tratava-se de uma SAF de reconstrução, com os “pés no chão” e foco na valorização de ativos para revenda futura.
- Era Pedrinho BH (2025-2026): O foco agora é o investimento massivo e o protagonismo esportivo imediato. É uma SAF de expansão, que busca fortalecer o elenco para conquistar títulos e valorizar a marca através do sucesso em campo.
Pedrinho BH no Cruzeiro se espelha no Supermercados BH

“Ele quer vencer, ele quer sempre vencer. No Cruzeiro não é diferente, é a mesma filosofia de trabalho do BH, ser audacioso, sempre querer vencer. Então é isso que a gente levou pro Cruzeiro”, disse Pedro Junio, ao comentar a vontade do pai no time do coração.
A ousadia citada pela família Lourenço não é um “cheque em branco” motivado apenas pela paixão, mas sim uma tese de negócios. No varejo, Pedrinho cresceu comprando operações e ganhando escala — como o recente movimento envolvendo o Grupo DMA (EPA e Mineirão), que projeta uma rede combinada de 600 lojas.
No Cruzeiro, essa “escala” se traduz em três pilares fundamentais:
- Poder de Negociação: Utilizar o vasto ecossistema comercial do Supermercados BH para atrair patrocinadores que já possuem relacionamento sólido com a rede de varejo.
- Ocupação de Mercado: A contratação de jogadores de peso, como Kaio Jorge e Sinisterra, serve para recuperar o engajamento da torcida, aumentar as receitas de matchday e valorizar a marca para negociações de direitos de transmissão.
- Riscos de Curto Prazo: A aceitação de um endividamento controlado ou aportes diretos imediatos para garantir que o time esteja na Libertadores e no topo do Brasileirão, onde as premiações e receitas são exponencialmente maiores.


