O Cruzeiro identificou na janela de transferências de julho a oportunidade mais clara para resolver um dos seus problemas mais caros e complexos da temporada. O volante Walace, afastado do elenco principal após um episódio de indisciplina, entrou no radar do Grêmio e de outros clubes da Série A. Isso sinaliza um fim de ciclo precoce na Toca da Raposa.
O que chama a atenção não é apenas o interesse do mercado, mas a disposição da diretoria celeste em facilitar o negócio. Segundo informações do portal Jogada10, e confirmada pelo Moon BH com fonte no clube, o time mineiro aceita negociar o atleta até mesmo por empréstimo. Além disso, cogita bancar uma fatia do salário astronômico para viabilizar a transferência.
O custo de um investimento sem retorno
Walace desembarcou em Belo Horizonte em 2024 como uma das contratações mais impactantes da era Pedro Lourenço. O Cruzeiro desembolsou R$ 42 milhões para tirá-lo da Udinese, da Itália. No entanto, o retorno técnico foi inversamente proporcional ao valor investido.
Os números de 2026 são drásticos: o volante atuou por apenas sete minutos nesta temporada, durante uma partida do Campeonato Mineiro. Com um salário estimado em R$ 1,3 milhão por mês e contrato até o fim de 2028, Walace deixou de ser uma peça de elite. Portanto, tornou-se um passivo financeiro que o técnico Artur Jorge não pretende utilizar.
A matemática para a venda compensar

De acordo com o Transfermarkt, o valor de mercado atual de Walace gira em torno de € 3 milhões (R$ 18 milhões). Para o Cruzeiro, uma venda definitiva por esses valores significaria assumir um prejuízo contábil em relação aos R$ 42 milhões pagos originalmente. No entanto, traria um alívio imediato na folha de pagamento.
A economia salarial é o grande trunfo da negociação. Manter o jogador “encostado” até o fim do contrato representaria um custo bruto de dezenas de milhões de reais em vencimentos. Por isso, a cúpula cruzeirense busca um modelo de negócio que envolva bônus por metas ou um percentual de revenda. Assim, tenta mitigar as perdas do investimento inicial.
O reencontro com as origens no Sul
O interesse do Grêmio não é por acaso. Walace foi formado no clube gaúcho e possui a identidade de jogo que agrada ao ambiente em Porto Alegre. Ele atua como um primeiro volante físico, de 1,88m, focado na proteção da zaga e na imposição em duelos.
Como praticamente não entrou em campo no Brasileirão 2026, ele está livre para defender qualquer rival da Série A. No entanto, o retorno ao Sul depende de um acordo de “três pontas”: o jogador precisaria aceitar o novo projeto. Ainda, o Grêmio teria que assumir uma parcela relevante do salário que hoje o Cruzeiro paga sozinho.
Janela de julho define o futuro
A permanência de Walace na Toca da Raposa tornou-se insustentável também pelo ambiente. Relatos do ge indicam que parte do elenco teria resistência à reintegração do atleta após os atos de indisciplina. Isso isola o volante ainda mais nos bastidores.


