O Supermercados BH acaba de ter sua dimensão real confirmada em números. O ranking ABRAS de 2026 posicionou oficialmente a rede de Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, como a 4ª maior força supermercadista do Brasil, com faturamento de R$ 25,7 bilhões. A cifra não é só um troféu corporativo. Ela explica, com precisão, o novo patamar de segurança financeira que o Cruzeiro ocupa no futebol nacional.
Com capital fechado, a rede não publica balanços com o mesmo nível de detalhe exigido de empresas listadas em bolsa. Mas a escala do negócio permite uma leitura de mercado bastante consistente.
Quanto sobra de R$ 25,7 bilhões
No varejo alimentar, a margem de lucro líquido é espremida pelos altos custos de operação e expansão. Cruzando os demonstrativos de concorrentes de capital aberto, é possível dimensionar o resultado provável da rede mineira.
O Grupo Mateus, por exemplo, reportou lucro de R$ 1,56 bilhão sobre uma margem de 4,1%. O Assaí operou com margem de 0,9%, entregando R$ 847 milhões em resultado ajustado. Se o Supermercados BH trabalhar com uma margem eficiente na faixa de 3,1%, a projeção de mercado aponta para cerca de R$ 800 milhões em lucro líquido anual — um número altamente plausível dado o porte da operação, que reúne mais de 400 lojas em Minas Gerais e no Espírito Santo e aproximadamente 50 mil colaboradores diretos.
A estrutura societária que poucos conhecem
Um ponto frequentemente ignorado pela torcida: Pedro Lourenço não é o único dono da mesa. Waldir Rocha Pena figura como acionista de peso na rede e também integra a BPW, empresa diretamente ligada à compra do controle do futebol celeste. Isso significa que um lucro projetado de R$ 800 milhões é fatiado entre sócios, obrigações fiscais e reinvestimento em novas lojas — e não vai integralmente para a conta pessoal de Pedrinho.
Ainda assim, a dimensão da empresa foi suficiente para viabilizar a compra de 90% da SAF do Cruzeiro em 2024. A operação, estimada em R$ 600 milhões, foi estruturada com lastro seguro: R$ 100 milhões em aportes prévios, R$ 150 milhões no ano da aquisição e os R$ 350 milhões restantes diluídos ao longo de dez anos.
Por que esse dinheiro muda o perfil do Cruzeiro

Ter um faturamento de R$ 25 bilhões na pessoa jurídica não significa entregar um cheque em branco ao departamento de futebol. O Cruzeiro opera com orçamento próprio e precisa buscar autossuficiência. Mas a presença do Supermercados BH na retaguarda transforma completamente o perfil de crédito do clube no mercado.
Diferente de outras SAFs brasileiras ancoradas em fundos estrangeiros ou em valuations abstratos de startups, o Cruzeiro tem um controlador lastreado no varejo real: venda diária de alimentos, giro imediato de caixa e capilaridade física em centenas de municípios. É dinheiro palpável, não promessa.
A fusão que pode levar tudo a outro nível
O movimento mais recente de Pedrinho BH amplia ainda mais esse teto. A rede assinou acordo para a aquisição do Grupo DMA, controlador das bandeiras EPA e Mineirão. Dependendo da aprovação dos órgãos reguladores, a integração pode empurrar o grupo para a marca de 600 lojas e uma receita somada que encosta nos R$ 35 bilhões anuais.
Para a diretoria do Cruzeiro, esse cenário traz previsibilidade concreta: o clube sabe que seu acionista majoritário tem liquidez para sustentar aportes, bancar investimentos urgentes na Toca da Raposa e blindar a instituição em eventuais crises de receita esportiva — sem depender de venda emergencial de atletas ou endividamento de curto prazo.m eventuais crises de receita esportiva. É por isso que toda a nação cruzeiro espera dias melhores com esse respaldo empresarial.
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