O empate do Cruzeiro por 2 a 2 contra o Goiás, na noite desta quarta-feira (22), pela partida de ida da quinta fase da Copa do Brasil, teve um gosto amargo de derrota. A Raposa buscou uma virada heróica com Keny Arroyo e Jonathan Jesus, mas cedeu o empate aos 50 minutos do segundo tempo.
O resultado no Serra Dourada deixa a decisão totalmente aberta para o Mineirão, mas, acima de tudo, reforça uma sensação que já rondava os corredores da Toca da Raposa: a SAF precisa tratar a contratação de um goleiro experiente como prioridade absoluta no mercado.
O xadrez de Artur Jorge: Otávio x Matheus Cunha
O ponto central da análise não é colocar a conta do empate de ontem nas costas do jovem Otávio. O goleiro de 20 anos, que foi a grande surpresa na escalação no lugar de Matheus Cunha, teve uma atuação discreta e sem grandes sobressaltos. Fez três defesas, teve saídas corretas e boa participação em coberturas. No primeiro gol do Goiás (marcado por Nicolas), ele fez a defesa inicial e foi traído pelo rebote da zaga; no segundo (de Esli García), sofreu um chute de alta execução no apagar das luzes.
A troca promovida por Artur Jorge mexeu com a leitura do jogo porque evidenciou o tamanho da insegurança instalada no setor. Ao barrar Matheus Cunha — que vinha sendo questionado publicamente por suas atuações recentes, como na partida contra a Universidad Católica, a comissão técnica confirmou que sentiu o desgaste emocional e técnico do ex-titular.
Após o jogo, o treinador português afirmou que a escolha por Otávio “teve a ver com este jogo” e deixou em aberto quem será o dono da posição nas próximas rodadas. Para um time que disputa Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil simultaneamente, não ter um camisa 1 definido é o pior dos cenários e se torna um problema além da comissão técnica que nem o dono da SAF, Pedrinho, pode ignorar.
A falha coletiva e o peso dos acréscimos

Dentro das quatro linhas, o empate também expôs um defeito coletivo da engrenagem celeste. O Cruzeiro teve volume ofensivo e méritos para reagir após sair perdendo, mas falhou de forma crassa na administração dos minutos finais.
Um time que almeja competir em alto nível no mata-mata precisa:
- Saber “esfriar” a partida quando está em vantagem.
- Proteger com eficiência a entrada da área (de onde saiu o chute do empate goiano).
- Matar o confronto quando o adversário se lança ao ataque.
Os 17 arremates celestes contra 15 do Goiás provam que a partida foi intensamente disputada, e a incapacidade de fechar a casinha custou a tranquilidade para o jogo da volta.
A matemática do DM e a urgência no mercado que Pedrinho precisa decidir

Para o próximo compromisso, a aposta mais coerente de Artur Jorge seria a manutenção de Otávio. Recuar na primeira oportunidade e devolver a vaga a Matheus Cunha tiraria o sentido da alteração inicial e aumentaria a instabilidade no elenco.
Contudo, a diretoria esbarra em uma matemática cruel no departamento médico. O experiente Cássio passou por cirurgia após uma grave lesão multiligamentar no joelho esquerdo. O cenário mais otimista aponta um retorno apenas em setembro, com projeções conservadoras falando em novembro. Com Léo Aragão emprestado ao Avaí, o elenco ficou assustadoramente curto na posição mais sensível do campo.
O Cruzeiro não precisa contratar por impulso, mas precisa de um nome pronto para estabilizar o ambiente e blindar um setor que hoje gera mais tensão do que confiança. O dilema que Pedrinho enfrenta hoje é precisar de um goleiro experiente para os próximos meses, mas como lidar com ele após o retorno de Cássio?
O próximo desafio será longe de BH. A Raposa encara o Remo, no sábado (25), às 18h30, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Muito mais do que os três pontos, o duelo no Pará servirá para definir se o jovem Otávio ganha sequência ou se o telefone da diretoria de futebol vai tocar mais alto no fim de semana.
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