O Cruzeiro consultou a situação de Gabriel Pec, atacante do LA Galaxy, mas a operação nasce com um obstáculo claro: o preço. O clube norte-americano sinalizou uma pedida de US$ 10 milhões pela liberação imediata, algo próximo de R$ 51 milhões na cotação atual. O Moon BH acompanha o desejo do time de Pedrinho BH pelo atleta desde o ano passado.
A informação do interesse foi divulgada pela Central da Toca e confirmada pelo Moon BH, que apurou com fontes do clube que uma engenharia financeira pode viabilizar a contratação do jogador.
A possível venda de Kaiki mudou a leitura. O time celeste quer algo perto de 15 milhões de euros por Kaiki, cerca de R$ 90 milhões. O LA Galaxy sinalizou uma pedida de US$ 10 milhões por Gabriel Pec, algo na casa de R$ 50 milhões a R$ 55 milhões, dependendo do câmbio.
Nesse cálculo bruto, vender um permitiria comprar o outro e ainda deixar dinheiro em caixa.
A conta real, porém, é menos simples. Envolve percentual de direitos econômicos, comissões, forma de pagamento, impostos, variação cambial, reposição na lateral esquerda e o risco de trocar um titular formado na base por um atacante que precisaria se adaptar ao calendário brasileiro.
O maior atrativo financeiro está no tamanho da proposta europeia. O Betis se aproximou dos 15 milhões de euros pedidos pelo lateral, enquanto o Como já havia apresentado uma oferta de 10 milhões de euros fixos, mais 2 milhões em bônus, por 70% dos direitos.
Em uma venda no teto desejado, o valor total superaria com folga a pedida americana pelo ex-Vasco. Mesmo considerando que a Raposa tenha 80% dos direitos do jogador, uma venda ainda poderia ser vantajosa para este projeto.
Isso cria um cenário possível: vender um jogador de defesa por uma quantia alta e usar parte do dinheiro para contratar uma peça ofensiva pronta, com número recente de gols e assistências. O problema é que o caixa não pode ser lido como gaveta única. Se o lateral sair, será preciso repor a posição. E lateral-esquerdo titular não é barato.
Por que Gabriel Pec custa tanto
O LA Galaxy comprou 70% dos direitos do atacante por US$ 10 milhões em 2024. O Vasco manteve 30%, o que pode impactar uma futura venda. Por isso, os americanos têm pouco incentivo para aceitar uma proposta baixa.

Além disso, o jogador vive boa fase. Em 2026, soma 11 gols e quatro assistências em 20 partidas. Está em atividade, tem contrato até o fim de 2028 e é um dos nomes mais importantes do elenco.
O Transfermarkt avalia o atleta em 7 milhões de euros, mas valor de mercado não é o mesmo que preço de venda. Contrato longo e protagonismo aumentam a pedida.
Há outro ponto: o Galaxy já recusou propostas maiores no passado. Uma oferta do Lyon, na casa de US$ 16 milhões, foi recusada em 2025. Isso mostra que o clube norte-americano não trata o brasileiro como peça descartável.
O encaixe no time de Artur Jorge
Em campo, o negócio faria sentido. Gabriel Pec é canhoto, atua principalmente pela direita e também pode jogar pelo lado esquerdo ou como meia aberto. Tem velocidade, força em transição, boa chegada à área e capacidade de atacar o espaço.
Artur Jorge busca mais agressividade pelos lados. O elenco tem criatividade por dentro, especialmente com Matheus Pereira, mas ainda precisa de mais profundidade e decisão no último terço.
O ponta poderia ser usado aberto pela direita, recebendo para cortar por dentro e finalizar. Também poderia alternar posição com outros atacantes, dar opção em contra-ataques e aumentar a disputa em um setor que será muito cobrado no segundo semestre.
Venda de Kaiki ajudaria, mas exige reposição imediata
A saída do lateral só faria sentido esportivo se o clube já tivesse reposição encaminhada. Ele é titular, tem idade de valorização e atua em uma posição escassa no mercado.
Transformar essa venda em Gabriel Pec pode ser bom negócio se houver planejamento paralelo. O dinheiro recebido não pode servir apenas para o ataque. Precisa cobrir também o buraco criado na defesa.
Esse é o ponto mais importante da janela. Se vender bem, comprar um ponta e resolver a lateral, o clube melhora o elenco. Se vender bem, contratar caro e improvisar no setor deixado pelo jogador da base, o saldo pode ficar mais discutível.
Cenário mais provável
Neste momento, o cenário mais realista é avaliação. A diretoria sabe que o atacante agrada, mas também entende que a pedida é alta. A venda do lateral aumentaria a capacidade de investimento, mas não obriga uma proposta imediata.
A tendência é que o clube use a pausa da Copa para medir três coisas: o valor final que pode receber pela joia da base, a flexibilidade do Galaxy e a lista de alternativas para o ataque.
Se a Europa chegar perto dos R$ 90 milhões, a conversa muda de patamar. Se a oferta ficar abaixo disso, a troca perde força. E se os americanos mantiverem postura dura, a diretoria pode buscar outro nome mais acessível.


