O Cruzeiro avançou para a etapa final de uma venda expressiva no mercado da bola. Segundo o jornalista especialista em transferências Fabrizio Romano, a Raposa tem um acordo verbal encaminhado com o Como, da Itália, para a transferência do lateral-esquerdo Kaiki. A operação envolve cifras pesadas para um defensor de 22 anos. O pacote total pode chegar a € 12 milhões (cerca de R$ 74,4 milhões), transformando a saída em uma das negociações mais lucrativas da gestão recente.
Os Números na Mesa do Cruzeiro
O acordo costurado entre a diretoria celeste e o clube italiano, após uma primeira recusa, foi dividido em duas partes para viabilizar o negócio:
- Valor Fixo: € 10 milhões (aproximadamente R$ 62 milhões) garantidos na assinatura. O Cruzeiro já tinha rejeitado 9 milhões de euros.
- Bônus (Add-ons): € 2 milhões (cerca de R$ 12,4 milhões) atrelados a metas de desempenho.
A negociação está na fase de troca de documentos, dependendo apenas da formalização burocrática para o anúncio oficial.
Por que o Como paga tanto?
O Como não é um time qualquer na Itália hoje. O clube vive uma fase de “novo rico” na Serie A, impulsionado por um projeto ambicioso que tem o ex-craque Cesc Fàbregas como uma das figuras centrais no comando técnico/esportivo.

Eles buscavam exatamente o perfil de Kaiki: um lateral jovem (22 anos), com vigor físico para a exigente liga italiana e já testado em alto nível (foram 51 jogos, 1 gol e 5 assistências em 2025). Para os italianos, pagar € 10 milhões fixos é o preço de um titular pronto com potencial de revenda futura.
O Impacto na Toca da Raposa
Para a Raposa, a venda é estratégica. Kaiki é titular e tem contrato até o fim de 2027, mas o valor de mercado (valuation) bateu no teto do que se paga por laterais no Brasil.
A entrada de R$ 62 milhões imediatos fortalece o caixa da SAF para equilibrar contas e, obrigatoriamente, buscar reposição. Perder um titular no início de temporada (janeiro/2026) exige resposta rápida da diretoria, já que a regularidade de Kaiki era um dos pilares defensivos do time.
Essa negociação tem a “cara” de uma decisão racional de SAF. Quando um clube europeu da primeira divisão (Serie A) oferece € 10 milhões fixos por um lateral, é difícil dizer não. O Cruzeiro optou por capitalizar no pico de valorização do atleta.
O ganho financeiro é inquestionável — é muito dinheiro para a posição. O risco, porém, é todo esportivo: Kaiki entregava segurança e regularidade. Se o Cruzeiro usar esse dinheiro para trazer uma reposição à altura rápido, a torcida aplaude a gestão. Se demorar e improvisar no setor, os R$ 62 milhões no cofre não vão evitar a crítica na arquibancada. Vender bem é arte, mas repor bem é obrigação.