Nos bastidores da Toca da Raposa, Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, transformou uma dor antiga em mantra de gestão: o Cruzeiro não pode mais ser celeiro de luxo para rivais brasileiros. O motivo tem nome, sobrenome e cifra: Estêvão.
A venda da joia pelo Palmeiras ao Chelsea, em uma operação que pode chegar a € 61,5 milhões (cerca de R$ 358 milhões na cotação da época), é tratada pela nova diretoria celeste como o símbolo máximo do que não pode acontecer. O “erro” de gestões passadas, que perderam o garoto aos 14 anos por problemas administrativos e denúncias de irregularidades, custou ao clube uma fortuna que mudaria seu patamar financeiro.

A Resposta do Cruzeiro: Milhões em Estrutura e Governança
Para estancar essa sangria, Pedrinho BH ordenou um choque de gestão na base. Não se trata apenas de segurar jogador, mas de criar um ambiente onde eles queiram ficar e estejam juridicamente protegidos.
- Investimento Físico: A gestão já aportou mais de R$ 6 milhões em reformas imediatas na Toca da Raposa I, focando na qualidade dos gramados e na estrutura de dia a dia.
- O Sonho do Mini Estádio: Existe no horizonte o plano de construir um estádio próprio para a base e o time feminino, criando uma identidade de “casa” e melhorando o ecossistema de formação.
- Compliance Contratual: O foco principal é jurídico. O Cruzeiro blindou seus processos para garantir que, assim que a lei permitir (aos 14 e aos 16 anos), os contratos de formação e profissionais sejam assinados imediatamente, sem brechas para aliciamento externo.
Do Sub-20 para o Profissional: A Via Rápida
A estratégia também mudou no campo. A ordem é acelerar o funil de integração. Quanto mais cedo a joia treina com o profissional e ganha minutos (como o clube fez recentemente com os campeões da Copinha), mais rápido ela se valoriza e mais forte fica o vínculo contratual.
O objetivo é claro: se o Cruzeiro formar um novo craque geracional, a venda milionária será feita por Belo Horizonte, e não por São Paulo ou Rio de Janeiro.
Análise Moon BH: A lição mais cara da história
O “Caso Estêvão” é uma ferida que dói no bolso e no orgulho do cruzeirense. Ver o Palmeiras faturar R$ 358 milhões com um talento que vestiu a camisa celeste aos 10 anos é a prova definitiva de que clube grande sem governança vira apenas fornecedor de matéria-prima.
A postura de Pedrinho BH é a única possível para uma SAF séria. Proteger a base com tijolo (CT), papel (contratos) e dinheiro (investimento) é o que separa os clubes que vendem para a Europa dos clubes que vendem para os rivais. O Cruzeiro pagou um preço altíssimo para aprender essa lição, mas parece que, finalmente, decidiu fechar a porta de saída.