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Atlético lidera ranking de gols de falta, mas perdeu quase metade de sua fórmula

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O Atlético⁠ tem uma liderança que nenhum outro clube brasileiro conseguiu alcançar na última década. Entre 2016 e 2026, o Galo marcou 24 gols em cobranças diretas de falta pelo Campeonato Brasileiro, oito a mais que o Grêmio, segundo levantamento divulgado pelo ge nesta quarta-feira (7). O dado coloca o clube mineiro no topo de uma estatística cada vez mais rara no futebol nacional, mas também revela uma dificuldade para o futuro: quase metade desses gols saiu dos pés de um jogador que já não está em Belo Horizonte.

Dos 24 gols, 11 foram marcados por Hulk⁠, que deixou o Atlético em maio para defender o Fluminense. O atacante respondeu sozinho por aproximadamente 46% de todas as cobranças convertidas pelo Galo no período analisado. Sua saída não representa apenas a perda de um artilheiro, mas também de uma alternativa ofensiva que fazia diferença quando o time encontrava dificuldades para criar oportunidades com a bola rolando.

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O último gol de falta do Atlético no Brasileirão aconteceu em 7 de dezembro de 2025, ainda com Hulk. Desde então, o clube não voltou a marcar dessa maneira na competição, mesmo permanecendo na liderança histórica do levantamento.

Hulk fez mais gols de falta que quase todos os clubes brasileiros

O levantamento do Gato Mestre, publicado pelo ge⁠, considera exclusivamente gols marcados em cobranças diretas de falta na Série A. Portanto, não inclui bolas levantadas na área que terminaram em cabeceios ou finalizações de outros jogadores.

Nesse recorte, o Atlético aparece com 24 gols, seguido por Grêmio, com 16, e Palmeiras, com 13. A vantagem é expressiva porque o Galo marcou 50% mais gols de falta que o segundo colocado.

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Hulk lidera a lista individual com 12 gols, considerando suas passagens pelos clubes brasileiros incluídos no levantamento. Destes, 11 foram anotados com a camisa atleticana, enquanto o outro aconteceu já pelo Fluminense, em agosto deste ano.

Isso significa que, isoladamente, o atacante teria uma marca superior à de praticamente todos os clubes da Série A analisados. Apenas Atlético, Grêmio, Palmeiras e Santos aparecem com números maiores ou iguais aos 12 gols de Hulk.

A comparação ajuda a dimensionar uma característica que acompanhou o jogador durante sua passagem por Minas Gerais. Além de finalizar jogadas construídas coletivamente, ele conseguia transformar infrações próximas à área em oportunidades reais de gol.

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Atlético teve outros especialistas, mas os números mostram a diferença

A liderança atleticana não foi construída exclusivamente por Hulk. O venezuelano Otero aparece com quatro gols de falta pelo clube no período, enquanto Gustavo Scarpa⁠ contribuiu com dois.

Os outros sete gols foram distribuídos entre diferentes jogadores. Essa divisão mostra que o Atlético teve especialistas em diferentes momentos, mas nenhum deles alcançou a frequência apresentada pelo antigo camisa 7.

Scarpa, por exemplo, soma seis gols de falta na Série A quando consideradas suas passagens por Palmeiras, Fluminense e Atlético. É um dos principais nomes do levantamento individual, embora apenas dois desses gols tenham sido marcados pelo Galo.

A presença do meia no elenco de 2026 mantém uma alternativa tecnicamente reconhecida para esse tipo de cobrança. Entretanto, seu histórico não permite concluir que ele substituirá automaticamente a produção de Hulk, especialmente porque sua participação no time passou por mudanças ao longo da temporada.

Há ainda uma diferença importante entre possuir jogadores capazes de cobrar faltas e conseguir transformar essas oportunidades em gols. O aproveitamento depende da posição da infração, da distância, da barreira adversária e das características de quem assume a cobrança.

A saída de Hulk deixou um problema diferente no ataque

Foto: Pedro Souza / Atlético

O Atlético já vinha tentando reduzir a dependência de Hulk antes de sua transferência. Em agosto, o Moon BH mostrou como a equipe passou a distribuir melhor sua produção ofensiva entre diferentes jogadores⁠, diminuindo a concentração de gols em um único atacante.

A mudança ajudou a construir um ataque menos previsível, mas o levantamento sobre faltas apresenta outra dimensão dessa reorganização. Uma equipe pode encontrar diferentes maneiras de marcar com a bola rolando e, simultaneamente, perder eficiência em uma situação específica de bola parada.

Para Eduardo Domínguez⁠, o desafio não é necessariamente encontrar um novo Hulk. O treinador precisa administrar um elenco com características diferentes, incluindo jogadores que podem oferecer soluções em cobranças diretas, escanteios e faltas laterais.

A questão ganha relevância em partidas equilibradas, nas quais uma oportunidade próxima à área pode representar uma das poucas chances claras de gol. Em confrontos eliminatórios, essa alternativa pode ser especialmente valiosa, embora não seja possível atribuir resultados exclusivamente à ausência de um cobrador.

Liderança histórica não garante vantagem ao Atlético em 2026

O dado mais curioso do levantamento está na diferença entre passado e presente. O Atlético continua sendo o clube com mais gols de falta na última década, mas não marcou nenhum dessa maneira no Brasileirão de 2026 até a publicação do ranking.

A marca histórica é resultado de diferentes elencos e temporadas, não uma medida automática da força atual do time nesse fundamento. Por isso, a vantagem de oito gols sobre o Grêmio diz mais sobre a eficiência acumulada do clube do que sobre suas possibilidades imediatas.

A saída de Hulk também não explica sozinha o jejum, iniciado ainda quando ele defendia o Atlético. Para identificar as causas seria necessário conhecer quantas faltas foram cobradas, de quais distâncias e com que aproveitamento pelos jogadores atuais.

Ainda assim, os números oferecem uma leitura importante da transformação ofensiva do Galo. O clube que mais marcou gols de falta no futebol brasileiro ao longo de dez anos precisa descobrir como manter essa característica sem o responsável por quase metade das conversões.

O Atlético preservou a liderança do ranking. O desafio agora é fazer com que ela não se torne apenas uma lembrança de um ataque que já não existe.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.