O Atlético entrega sua camisa 7 a um jogador que conhece a Cidade do Galo desde muito antes de construir uma carreira internacional. Aos 33 anos, Fred Rodrigues retorna ao clube onde passou boa parte da formação, desta vez para fazer algo que não conseguiu na primeira passagem: entrar em campo pela equipe profissional alvinegra. O meio-campista assinou contrato até o fim de 2029 e herdará o número que ficou marcado nos últimos anos por Hulk.
A relação de Fred com o Galo começou ainda na infância. Nascido em Belo Horizonte e criado em Venda Nova, o jogador iniciou no futebol em escolinhas da capital e chegou ao Atlético depois de também se destacar no futsal. A família atleticana comemorou a entrada do garoto na base do clube do coração, onde ele permaneceu entre 2003 e 2009.
O curioso é que sua história profissional precisou percorrer milhares de quilômetros antes de levá-lo novamente à camisa alvinegra.
Fred passou seis anos na base do Atlético
Fred chegou ao Atlético ainda criança e atravessou diferentes categorias da formação do clube. Em 2009, deixou Belo Horizonte para defender o Porto Alegre. Um ano depois, seguiu para o Internacional, onde concluiu sua formação e começou a ganhar espaço até chegar ao time principal.
Por isso, há uma diferença importante em sua trajetória: Fred é cria das categorias de base do Galo, mas fez sua estreia como profissional pelo Internacional, em 2012.
Aos 19 anos, tornou-se uma das grandes novidades do time gaúcho naquela temporada. Ganhou espaço durante o Campeonato Brasileiro e chegou a ser comparado a Tinga pela intensidade e movimentação no meio-campo.
O destino ainda produziu uma coincidência curiosa. Um dos primeiros grandes momentos de Fred no futebol profissional ocorreu justamente diante do Atlético. Em julho de 2012, ele marcou de cabeça na derrota do Internacional por 3 a 1 para o Galo, em Belo Horizonte. Meses depois, ao recordar a ascensão no Colorado, apontou aqueles 45 minutos contra o clube onde havia sido formado como um dos momentos mais marcantes daquele início de carreira.
Pouco mais de uma década depois, o jogador que começou a aparecer nacionalmente enfrentando o Atlético finalmente defenderá o clube no profissional.
Da Ucrânia ao Manchester United
A passagem pelo Internacional foi curta o suficiente para mostrar o potencial de Fred ao mercado europeu. Em 2013, ele deixou o Brasil e foi contratado pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Ficou cinco temporadas no clube e conquistou três Campeonatos Ucranianos, três Copas da Ucrânia e duas Supercopas nacionais.
O desempenho abriu as portas da Premier League. Em 2018, Fred foi contratado pelo Manchester United, onde permaneceu até 2023. Foram cinco temporadas em um dos clubes mais conhecidos do mundo, período em que conquistou a Copa da Liga Inglesa de 2022/23 e disputou competições como Premier League, Champions League e Liga Europa.
Depois da Inglaterra, seguiu para o Fenerbahçe. A Turquia foi a última parada antes da decisão de voltar ao Brasil depois de 13 anos no futebol internacional.
A carreira também levou Fred à Seleção Brasileira. O meio-campista disputou as Copas do Mundo de 2018 e 2022 e, no Mundial do Catar, participou de quatro partidas.
Sonho de jogar pelo Atlético nunca foi escondido
Mesmo longe de Belo Horizonte, a ligação com o Galo continuou aparecendo publicamente. Em 2022, quando esteve na Cidade do Galo com a Seleção Brasileira, Fred afirmou que acompanhava o Atlético e comemorou os títulos do Brasileiro e da Copa do Brasil conquistados no ano anterior. Na mesma visita, revelou o desejo de um dia voltar ao clube para finalmente vestir a camisa alvinegra profissionalmente.
Quatro anos depois, o desejo virou contrato.
Fred chega para assumir justamente a camisa 7, número que ficou disponível depois da saída de Hulk para o Fluminense. O novo reforço desembarca com experiência acumulada em duas Copas do Mundo e em alguns dos principais campeonatos europeus, mas também com uma história que começou muito antes disso.
A contratação, portanto, não é simplesmente a chegada de um veterano vindo da Europa. Para o Atlético, representa a volta de um jogador que saiu da Cidade do Galo ainda adolescente, construiu toda a carreira profissional longe do clube e agora, 17 anos depois de deixar sua base, terá a oportunidade inédita de entrar em campo pelo time que torcia desde criança.

