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Vozinha e o Atlético: a relação do goleiro sensação da Copa do Mundo com o time mineiro

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Vozinha virou um dos personagens mais improváveis e carismáticos da Copa do Mundo de 2026. Aos 40 anos, o goleiro de Cabo Verde parou a Espanha, segurou o empate por 0 a 0 na estreia da seleção africana e ganhou projeção mundial em poucas horas. O que pouca gente lembrava é que essa história também tem uma ligação curiosa com Belo Horizonte.

O goleiro nunca defendeu o Atlético. A relação com o clube mineiro é outra: ele já esteve na Cidade do Galo e enfrentou o time alvinegro em um jogo-treino realizado em fevereiro de 2013, quando atuava pelo Progresso, de Angola.

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Naquela época, Vozinha ainda estava longe de ser conhecido pelo grande público. Defendia uma equipe angolana que veio ao Brasil para uma série de atividades de pré-temporada. O roteiro passou por Belo Horizonte, onde o Progresso enfrentou Atlético e Cruzeiro em jogos-treino contra os dois principais clubes mineiros.

Treze anos depois, a lembrança voltou à tona porque o goleiro se transformou em sensação mundial. Contra a Espanha, uma das favoritas ao título, ele fez uma atuação de enorme repercussão, terminou eleito como um dos grandes nomes da partida e ajudou Cabo Verde a conquistar seu primeiro ponto na história das Copas.

A passagem de Vozinha pela Cidade do Galo

O encontro com o Atlético aconteceu em 20 de fevereiro de 2013, na Cidade do Galo. O time mineiro era comandado por Cuca e vivia a preparação para uma temporada que terminaria de forma histórica, com o título inédito da Libertadores.

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Na atividade contra o Progresso, o treinador usou uma formação alternativa. Jogadores considerados titulares, como Ronaldinho Gaúcho, acompanharam a partida da arquibancada do CT. Mesmo com reservas, o Galo venceu por 4 a 0, com gols de Luan, duas vezes, Alecsandro e Carlos César.

Vozinha estava do outro lado, defendendo a equipe angolana. Aquele jogo-treino não teve o peso de uma partida oficial, mas hoje virou um registro curioso da carreira do goleiro cabo-verdiano. Antes de se tornar herói nacional em uma Copa, ele já havia sentido de perto o ambiente de um dos centros de treinamento mais conhecidos do futebol brasileiro.

Três dias depois, o Progresso também enfrentou o Cruzeiro na Toca da Raposa. O resultado foi novamente 4 a 0 para o time mineiro, então dirigido por Marcelo Oliveira. A equipe celeste marcaria aquela temporada com o título brasileiro, enquanto o Atlético viveria o ano mais importante de sua história continental.

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Para Vozinha, a excursão era apenas uma etapa de carreira em um caminho pouco convencional. Ele não passou por grandes centros de formação, não teve trajetória típica de jovem promessa europeia e só deixou Cabo Verde aos 25 anos. A carreira foi construída entre clubes de Cabo Verde, Angola, Moldávia, Portugal, Chipre e Eslováquia.

Goleiro virou símbolo de Cabo Verde na Copa

O que aconteceu contra a Espanha mudou a escala da carreira do goleiro. Cabo Verde fazia sua estreia absoluta em Copas do Mundo e enfrentava uma seleção com elenco muito superior, maior posse de bola e favoritismo amplo.

A Espanha pressionou, finalizou bastante e controlou a maior parte da partida. Mesmo assim, não conseguiu superar Vozinha. A Reuters registrou que os espanhóis tiveram 27 tentativas de gol e 75% de posse de bola. O goleiro, cujo nome verdadeiro é Josimar Dias, terminou a partida emocionado e virou rosto do empate histórico.

O resultado teve impacto enorme para Cabo Verde. O país entrou no Mundial como uma das seleções de menor população entre as participantes e com uma história ainda recente em grandes torneios. Somar ponto diante da Espanha, logo na estreia, foi tratado como feito nacional.

A repercussão também explodiu nas redes sociais. Antes do jogo, Vozinha tinha presença digital modesta para padrões de Copa. Depois da atuação, passou a ganhar milhões de seguidores e virou personagem abraçado por torcedores brasileiros, que transformaram suas defesas em memes, campanhas e pedidos de contratação.

O detalhe mais humano da história veio da família. A mãe do goleiro, Ana Candida Evora, não conseguiu viajar para assistir ao jogo nos Estados Unidos por dificuldades financeiras e de visto. Em entrevista à Reuters, ela contou que havia previsto, antes da partida, que ninguém conseguiria marcar contra o filho. A fala ganhou ainda mais força depois do 0 a 0.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.