O afastamento de Rafael Menin das funções operacionais diárias do Atlético-MG, oficializado no final de abril, marca um reposicionamento estratégico voltado à saúde financeira da MRV & Co. Embora o comando do clube tenha sido transferido para Pedro Daniel, o retorno de Menin ao centro da operação da construtora responde a um cenário crítico de pressão inflacionária e escassez de mão de obra qualificada no setor de construção civil.
A movimentação sinaliza que a prioridade do empresário em 2026 está na consolidação do modelo industrial da companhia, visando proteger a rentabilidade frente aos desafios macroeconômicos que impactam o setor.
A métrica de eficiência: de 12 para 4 operários
O pilar central da estratégia de Menin para a MRV reside na transformação de canteiros de obras em linhas de montagem. O indicador de produtividade da companhia revela a magnitude dessa transição: em 2007, ano do IPO da empresa, eram necessários 12 operários para entregar o equivalente a um apartamento por mês. Atualmente, a MRV opera com uma média de pouco mais de quatro trabalhadores para o mesmo volume de entrega, explicou o empresário no podcast Expert Talks – Na Mesa com CEOs.
Este ganho de produtividade de aproximadamente 66% é o motor do “ciclo de excelência” defendido pelo CEO. O objetivo é reduzir a dependência do improviso e da variação técnica individual por meio de processos repetíveis e projetos padronizados. Para o mercado financeiro, essa métrica é o principal validador da capacidade da MRV de escalar sua produção sem inflar proporcionalmente sua folha de pagamentos.
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O impacto da inflação de mão de obra (CBIC)

A urgência por industrialização é impulsionada por dados setoriais alarmantes. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o custo da mão de obra registrou alta de 8,98% em 2025, superando os índices inflacionários gerais. Esse aumento espreme as margens líquidas das construtoras, especialmente as que operam no segmento de habitação popular, como o programa Minha Casa Minha Vida.
Menin identificou que a construção civil enfrenta uma crise de atratividade para as novas gerações de trabalhadores. Ao focar na industrialização dos canteiros, a MRV busca mitigar o impacto do encarecimento do trabalho manual e garantir que as equipes possam migrar entre projetos com uma curva de aprendizado reduzida, otimizando o cronograma físico-financeiro das obras.
Disciplina de capital: R$ 10,1 bilhões em jogo
A volta de Rafael Menin à gestão integral da MRV é também uma resposta direta aos acionistas da Bolsa de Valores. Apesar de a companhia ter registrado receita líquida de R$ 10,1 bilhões em 2025, a pressão por desalavancagem e geração de caixa permanece alta. Em um setor sensível à variação de juros, cada dia de redução no ciclo de obra representa uma economia direta nos custos fixos e na exposição ao crédito.
Diferente do ambiente passional do Atlético-MG, onde a gestão da SAF é frequentemente cobrada por resultados esportivos imediatos e contratações, a rotina de Menin na MRV será pautada pela precisão da engenharia financeira. O foco agora é converter a receita bruta em lucro líquido ajustado, provando que a construtora pode manter sua liderança de mercado com disciplina de capital.


