Minas Gerais voltará a ser vitrine mundial do queijo artesanal entre os dias 25 e 28 de junho. Produtores de 19 países estarão reunidos em Araxá para disputar o Super Ouro da ExpoQueijo Brasil 2026, o Araxá International Cheese Awards, principal premiação do setor nas Américas e uma das competições que mais projetam pequenos produtores no mercado especializado.
A sexta edição do evento será realizada no Grande Hotel Termas de Araxá e chega em um momento simbólico para Minas. Depois de ver os modos de fazer o Queijo Minas Artesanal reconhecidos como patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Unesco, o estado tenta consolidar não apenas a tradição, mas também o valor econômico de um produto que já deixou de ser apenas identidade afetiva e passou a ocupar lugar estratégico no agro, no turismo e na gastronomia.
Ao lado do Brasil, estarão representados Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Chile, Dinamarca, Equador, Espanha, França, Grécia, Holanda, Itália, México, Peru, Portugal, Reino Unido, Suíça e Uruguai. A lista coloca queijos mineiros na mesma mesa de avaliação de algumas das regiões queijeiras mais respeitadas do mundo.
Também haverá forte presença nacional. Produtores de 18 estados e do Distrito Federal levarão queijos para avaliação dos jurados, incluindo Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins, além de Minas Gerais.
Minas entra na disputa em outro patamar
A competição deste ano tem um elemento novo: Minas chega ao concurso depois de ter vencido o Super Ouro em 2025. O queijo Pedra do Segredo, produzido em Alagoa, no Sul de Minas, colocou o Brasil pela primeira vez no topo da premiação.
Até então, o troféu principal tinha ficado concentrado em dois países vizinhos da tradição queijeira mundial. A Itália venceu em 2021 e 2022. A Argentina levou em 2023 e 2024. A vitória brasileira, em 2025, mudou a posição simbólica dos produtores mineiros na disputa.
O resultado também teve efeito prático. Após conquistar o Super Ouro, o Pedra do Segredo registrou aumento de procura, fila de espera e valorização comercial. Segundo o Governo de Minas, o produto chegou a ter alta de 60% no valor de mercado depois da premiação.
Esse é um dos pontos que explicam por que o concurso ultrapassou o ambiente técnico. Para muitos produtores, vencer em Araxá não significa apenas ganhar uma medalha. Pode significar entrar no radar de compradores especializados, restaurantes, empórios, distribuidores e consumidores que buscam queijos de origem reconhecida.
O que está em jogo no Super Ouro
O Super Ouro é o prêmio máximo do Araxá International Cheese Awards. Os queijos inscritos passam por avaliação às cegas, conduzida por especialistas nacionais e internacionais. A análise considera atributos como aspecto global, cor, textura, odor, aroma, consistência e sabor.
O sistema de julgamento tem curadoria técnica da Epamig, por meio do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, uma das principais referências brasileiras em pesquisa, formação e tecnologia de leite e derivados.
A avaliação às cegas é importante porque reduz o peso da marca, da origem e da fama prévia do produtor. O queijo precisa se sustentar pelo que entrega no prato: equilíbrio, identidade, qualidade sensorial, regularidade e personalidade.
Para Minas, isso cria uma vitrine incomum. O estado não entra apenas como anfitrião, mas como concorrente de peso em um setor no qual tradição e técnica caminham juntas. Canastra, Serro, Araxá, Alagoa, Campo das Vertentes, Cerrado, Serra do Salitre, Mantiqueira de Minas e outras regiões carregam histórias, climas, altitudes, pastagens e modos de fazer que influenciam diretamente o resultado final.
Queijo artesanal virou economia de origem
O crescimento da ExpoQueijo acompanha uma transformação mais ampla. O queijo artesanal mineiro deixou de ser visto apenas como produto rural de consumo local. Passou a ser ativo econômico, turístico e cultural.
Levantamento da Emater-MG mostra que as agroindústrias familiares de Minas produziram 43 mil toneladas de queijos em 2025. Dentro desse universo, 8,8 mil agroindústrias familiares se dedicam aos queijos artesanais. O Queijo Minas Artesanal, principal produto dessa cadeia, alcançou produção estimada de 18,4 mil toneladas no ano passado, envolvendo cerca de 3,5 mil agroindústrias familiares.
Esses números ajudam a dimensionar o peso do setor. Não se trata de uma produção isolada, restrita a poucas propriedades famosas. É uma rede que envolve famílias rurais, assistência técnica, certificação, turismo gastronômico, comércio local, restaurantes, empórios e eventos.
A formalização também ganhou importância. O Instituto Mineiro de Agropecuária mantém mais de 150 queijarias registradas no estado e realizou mais de 400 vistorias de habilitação sanitária em agroindústrias familiares em 2025. Para o produtor, o desafio é equilibrar tradição e exigências de segurança, sem descaracterizar o modo artesanal de fazer.
Por que a disputa interessa ao consumidor
Para quem compra queijo, a ExpoQueijo também funciona como um mapa de tendências. Produtos premiados costumam ganhar visibilidade, chegar a novos pontos de venda e despertar curiosidade de consumidores que antes conheciam apenas os queijos mais tradicionais.
O efeito pode ser ainda maior em Minas. Depois do reconhecimento da Unesco, o queijo mineiro passou a carregar um selo cultural raro: o primeiro bem brasileiro ligado à cultura alimentar incluído na lista de patrimônio imaterial da humanidade.
- Serviço
- ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards
- Data: 25 a 28 de junho
- Local: Grande Hotel e Termas de Araxá – Rua Águas do Araxá, s/nº, bairro Barreiro, Araxá (MG)
- Informações e programação: www.expoqueijobrasil.com.br


