Muito além de liderar os investimentos na SAF do Atlético-MG, o empresário Rubens Menin articula um movimento de proporções globais no mercado financeiro. O Banco Inter, instituição que nasceu em Belo Horizonte sob o guarda-chuva do grupo MRV, obteve autorização oficial do Federal Reserve (Fed) para inaugurar uma agência licenciada em Miami, na Flórida.
A notícia transcende a simples abertura de um escritório estrangeiro. Trata-se de um plano de longo prazo da família Menin para transformar o Inter em um competidor de peso internacional, dividindo território e atenção com o seu principal rival digital: o Nubank.
A guerra das licenças e o acesso ao dólar
O tabuleiro regulatório nos Estados Unidos mostra estratégias diferentes. Enquanto o Inter já assegurou o aval do Fed para operar uma branch (agência) em Miami, o Nubank anunciou em janeiro uma aprovação condicional do OCC (Office of the Comptroller of the Currency), que ainda depende de etapas adicionais e aprovações do próprio FDIC para estruturar um banco nacional em solo americano.
A vantagem inicial do banco mineiro carrega um peso financeiro brutal. A nova licença, comunicada pelo próprio banco, permite ao Inter acessar funding (captação de recursos) diretamente em dólar. Na prática, isso significa captar dinheiro muito mais barato, aproximando os custos da instituição aos das referências do mercado americano, gerando a musculatura necessária para operar fora do Brasil.
O foco na diáspora latina e as raízes em BH
A trajetória de expansão faz sentido com a história do grupo. O Inter nasceu em 1994, na capital mineira, como Intermedium (uma financeira tradicional). Hoje, como ecossistema completo de investimentos, a escolha por Miami é cirúrgica: a cidade não é apenas uma vitrine, mas a porta de entrada para um público latino financeiramente ativo.
O banco foca na população que vive “entre dois mundos”, oferecendo suporte em português, espanhol e inglês. O objetivo é fisgar imigrantes e expatriados que precisam:
- Realizar transferências internacionais sem taxas abusivas.
- Construir histórico de crédito nos EUA (credit score).
- Organizar as finanças entre a América Latina e a América do Norte.
Estádios e Lionel Messi: O futebol como atalho

Para conquistar os americanos e os latinos, tanto Rubens Menin quanto a cúpula do Nubank decidiram apostar em um idioma universal: o futebol.
O Inter saiu na frente na Flórida ao adquirir os naming rights do Inter&Co Stadium, casa do Orlando City (da MLS) e do Orlando Pride, tornando-se a instituição financeira oficial dos clubes.
O Nubank, por sua vez, respondeu com um ativo de alcance global astronômico. Em março, assumiu os naming rights do novo estádio do Inter Miami — agora chamado Nu Stadium —, vinculando sua marca diretamente ao ecossistema que abriga ninguém menos que Lionel Messi.
Fator NASDAQ
O banco de Menin mirou o mercado americano desde cedo, listando as ações da empresa na bolsa americana, NASDAQ.
A diferença de posicionamento é nítida. O Inter trabalha uma estratégia infraestrutural e cirúrgica (licença, captação e relacionamento com a diáspora). O Nubank sinaliza uma expansão com foco em marketing de massa agressivo. A disputa entre as fintechs brasileiras deixou de ser uma briga doméstica na Faria Lima; agora, ela é jogada em dólar e com sotaque internacional.
Veja as principais notícias do Atlético hoje, aqui. Veja notícias exclusivas de economia no Capital M.