O Atlético não terá representantes na Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, mas ainda assim deve receber uma compensação milionária da Fifa. O clube terá quatro atletas no Mundial: Alan Franco, Ángelo Preciado e Alan Minda pelo Equador, além de Júnior Alonso pelo Paraguai.
O número é histórico. Pela primeira vez, o clube mineiro terá quatro jogadores de seu elenco convocados para a mesma edição do torneio. O recorde anterior era de 1982, quando Luisinho, Toninho Cerezo e Éder Aleixo defenderam o Brasil na Copa da Espanha.
Agora, o ganho também é financeiro. Pelo Programa de Benefícios aos Clubes, a Fifa remunera equipes que cedem atletas para seleções durante o Mundial. A estimativa para 2026 é de cerca de US$ 11 mil por dia por jogador. Na conversão isso representa aproximadamente R$ 55 mil diários por atleta. Com quatro nomes convocados, o valor projetado fica em torno de R$ 221 mil por dia.
Como funciona o pagamento da Fifa
O programa existe para compensar clubes pelo período em que seus jogadores ficam a serviço das seleções. A contagem considera dias de preparação oficial e segue até a eliminação da equipe nacional.
Na prática, quanto mais longe uma seleção avança, maior o valor recebido pelo clube. O rival Cruzeiro, pela segunda Copa seguida, não teve nenhum convocado para a competição.
Mesmo em um cenário de queda ainda na fase de grupos, a estimativa é de aproximadamente US$ 250 mil por jogador. Para quatro atletas, a conta mínima passaria de US$ 1 milhão. Em reais, isso significa algo perto de R$ 5 milhões.
O valor pode crescer se Equador ou Paraguai avançarem ao mata-mata. Como três dos quatro nomes estão na seleção equatoriana, a campanha do Equador terá peso maior na receita final.
Quem são os convocados do Galo
O Equador levou três jogadores do elenco alvinegro. Alan Franco é volante e aparece como um dos nomes com mais espaço na seleção. Ángelo Preciado atua na lateral direita e chegou ao clube em 2026. Alan Minda, atacante também contratado nesta temporada, completa o trio equatoriano.
Júnior Alonso será o representante paraguaio. O zagueiro vive seus últimos compromissos como atleta do clube mineiro antes da saída para o futebol dos Estados Unidos, já encaminhada para depois do Mundial.
Do ponto de vista esportivo, os quatro vivem situações diferentes. Franco e Alonso tendem a ter maior experiência internacional. Preciado disputa espaço em um setor competitivo. Minda chega como ativo jovem, de velocidade e potencial de valorização.
Receita ajuda, mas não muda o orçamento
A compensação da Fifa é relevante, mas não altera sozinha o cenário financeiro do clube. Um valor próximo de R$ 5 milhões cobre parte de custos operacionais, mas fica distante do peso de grandes contratações, salários e compromissos da SAF.
Ainda assim, é uma receita importante porque não depende de venda de jogador, bilheteria ou premiação esportiva. Ela entra como retorno indireto pela montagem de um elenco mais internacional.
Esse ponto conversa com a estratégia recente. A chegada de atletas de seleções sul-americanas aumenta exposição, valorização e possibilidade de receita acessória. No caso de Minda, por exemplo, a Copa também funciona como vitrine. Uma boa participação pode elevar o valor de mercado do atacante.
A ausência no Brasil tem dois lados
O clube não teve jogadores chamados por Carlo Ancelotti. Isso reduz exposição na principal seleção para o mercado nacional, mas também evita perda de peças brasileiras durante a preparação interna.
E isso acaba entregando um efeito misto: A comissão técnica perde quatro estrangeiros no período de Copa, mas mantém a base brasileira à disposição durante a pausa. Para Eduardo Domínguez, isso permite trabalhar parte importante do elenco antes da retomada do Brasileirão.

Ao mesmo tempo, há risco de desgaste. Jogadores que disputam Copa podem voltar com carga física diferente, atraso na reapresentação ou desgaste emocional. Também existe risco de lesão, comum em torneios curtos e intensos. Por isso, a receita da Fifa tem função compensatória. O dinheiro não elimina o impacto esportivo, mas ajuda a equilibrar a perda temporária dos atletas.
Equador concentra a maior parte da conta
A presença de três nomes na mesma seleção simplifica a projeção. Se o Equador avançar, a arrecadação diária continuará alta para o clube. Se cair cedo, o pagamento fica mais próximo do piso estimado.
O grupo equatoriano tem Alemanha, Costa do Marfim e Curaçao. O Paraguai está em chave com Estados Unidos, Austrália e Turquia.
Essas duas trajetórias serão acompanhadas também pelo departamento financeiro. Cada jogo a mais pode aumentar o valor final recebido.
Além do repasse direto, há um efeito de mercado. Atletas convocados para Copa ganham visibilidade, especialmente quando atuam em partidas de maior audiência. Para jogadores em idade de revenda, isso pode influenciar propostas futuras.
Recorde reforça mudança de perfil do elenco do Galo
A marca de quatro convocados mostra uma mudança no perfil da montagem do grupo. O clube passou a contratar mais jogadores estrangeiros com passagem por seleções e mercado internacional.
Isso traz vantagens e custos. A vantagem é ampliar repertório, experiência e possibilidade de valorização. O custo é lidar com ausências em datas Fifa, adaptação cultural, salários mais altos e risco de perder peças em meio a períodos importantes da temporada.
No caso atual, a Copa chega durante a pausa do calendário brasileiro, o que reduz o impacto imediato. O principal desafio será a volta.
Domínguez terá de reorganizar o elenco para a sequência do segundo semestre, com Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana. Os convocados voltarão com ritmo competitivo, mas também com desgaste acumulado.
Atlético também torce para o Equador
A projeção mínima, em caso de eliminações na fase de grupos, fica perto de R$ 5 milhões. Se uma das seleções avançar ao mata-mata, o valor cresce. Com três equatorianos, uma campanha mais longa do Equador seria o cenário mais favorável. Se o país chegar às oitavas ou quartas, a compensação por Franco, Preciado e Minda pode elevar bastante a conta.
O clube só saberá o valor final depois da participação de cada seleção. A Fifa calcula os repasses com base nos dias efetivos em que os atletas estiveram a serviço das equipes nacionais.


