O Cruzeiro chegou a ter sete jogadores no radar da Copa do Mundo de 2026, mas pode ficar fora da principal bolada paga pela Fifa aos clubes na fase final do torneio. O motivo é simples: até agora, nas listas finais divulgadas para o Mundial, nenhum atleta do elenco celeste aparece confirmado entre os 26 convocados das seleções classificadas.
O clube investiu pesado em jogadores que chegaram a ser lembrados por seleções, especialmente pelo Brasil, mas a receita direta do Programa de Benefícios aos Clubes depende da convocação efetiva para a competição ou da participação nas Eliminatórias, dentro das regras ampliadas da Fifa.
O mecanismo prevê o pagamento aos clubes que cedem jogadores para a Copa e, a partir do ciclo de 2026, também passou a contemplar equipes que liberaram atletas para jogos das Eliminatórias. O fundo total será de US$ 355 milhões, quase 70% acima dos US$ 209 milhões distribuídos após o Mundial de 2022.
Como funciona o pagamento da Fifa
O programa remunera clubes pelo período em que seus atletas ficam a serviço das seleções. Em 2022, o valor foi de US$ 10.950 por jogador por dia. Para 2026, a estimativa divulgada por veículos especializados gira em torno de US$ 11 mil por dia, algo próximo de R$ 58 mil, dependendo do câmbio.
A contagem considera o período de preparação antes da estreia e segue até o dia seguinte ao último jogo da seleção do atleta. Por isso, quanto mais longe a equipe avança, maior o valor recebido pelo clube.
No cenário de eliminação precoce ainda na fase de grupos, estimativas apontam algo perto de US$ 250 mil por jogador, cerca de R$ 1,3 milhão. Em seleções que chegam longe, a quantia pode passar de R$ 2 milhões por atleta.
Quem estava no radar pelo Cruzeiro
O grupo celeste teve cinco brasileiros na pré-lista de Carlo Ancelotti: Fabrício Bruno, Kaiki, Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge. A presença do quinteto fez o clube aparecer entre os brasileiros com mais nomes na lista inicial enviada pela CBF à Fifa.
Além deles, Keny Arroyo, do Equador, e Néiser Villarreal, da Colômbia, também estavam em pré-listas de suas seleções. Ao todo, eram sete nomes ligados ao clube em listas ampliadas para o Mundial, com investimento estimado em torno de R$ 335 milhões em taxas fixas de transferência.
A lista final, porém, mudou a conta. Nenhum dos cinco brasileiros foi chamado por Ancelotti. Nas listas finais publicadas para a competição, os nomes de Keny e Néiser também não aparecem entre os convocados de Equador e Colômbia.
Quanto o clube poderia receber se tivesse convocados
A conta ajuda a medir o tamanho da oportunidade perdida. Se tivesse um jogador na fase de grupos, a estimativa mínima ficaria perto de US$ 250 mil. Com três atletas, o valor poderia se aproximar de US$ 750 mil, cerca de R$ 4 milhões.
Com cinco nomes, a receita poderia passar de US$ 1,25 milhão, algo próximo de R$ 6,5 milhões, mesmo em caso de eliminações rápidas. Se alguma seleção avançasse às fases finais, o pagamento cresceria.
Para um clube que fez investimentos altos no elenco, não seria uma receita central do orçamento. Mas seria dinheiro relevante por um mecanismo que não depende de venda de atleta, bilheteria ou premiação esportiva.
O pagamento também tem outra característica importante: funciona como compensação pelo período em que o jogador fica indisponível para treinos e jogos do clube.
Como a ausência se torna positiva para a Raposa
Ficar sem convocados reduz a chance de receita da Fifa, mas tem efeito esportivo positivo. Artur Jorge terá o elenco principal disponível durante a pausa da Copa, sem desgaste de viagens internacionais, jogos de alta intensidade e risco de lesão em seleções.
O clube já vinha tratando o período como uma intertemporada. A ausência na lista final da seleção brasileira foi vista internamente como chance de treinar com mais jogadores importantes, incluindo Gerson, Matheus Pereira, Kaio Jorge, Fabrício Bruno e Kaiki.
Essa é a troca prática: menos exposição internacional e menos dinheiro da Fifa; mais tempo de preparação e menor risco de perder atletas em meio ao calendário.


