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Quem será o próximo camisa 10 do Brasil após aposentadoria de Neymar?

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A aposentadoria de Neymar da Seleção Brasileira abre uma disputa que vai muito além da escolha de um número. Depois de 16 anos, 130 partidas e 80 gols, o Brasil precisa definir quem assumirá uma camisa que representa protagonismo, criatividade e responsabilidade dentro da equipe.

Neymar confirmou que seu ciclo chegou ao fim após a eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. A despedida foi reforçada publicamente pelo atacante depois da vitória do Santos sobre a Universidad Central, pela Copa Sul-Americana.

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“Meu tempo passou. Não quero mais. Dei meu sangue e minha vida pela Seleção”, afirmou Neymar ao explicar a decisão. O atacante encerrou a trajetória como maior artilheiro brasileiro nas contas da Fifa, com 80 gols em 130 jogos, além de 58 assistências.

A CBF e Carlo Ancelotti ainda não anunciaram quem receberá definitivamente a camisa 10. Vinicius Júnior aparece como o candidato mais forte pela hierarquia atual, mas Rodrygo, Raphinha e Estêvão também entram na discussão.

Os números de Neymar pela Seleção Brasileira

Neymar estreou pela equipe principal em agosto de 2010, em um amistoso contra os Estados Unidos. Com apenas 18 anos, marcou de cabeça na vitória brasileira por 2 a 0.

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A partir daquele momento, tornou-se o principal jogador da Seleção durante quatro ciclos de Copa do Mundo. Neymar vestiu a camisa 10 nos Mundiais de 2014, 2018, 2022 e 2026, igualando Pelé como dono do número em quatro edições consecutivas.

O atacante encerrou a trajetória com:

130 partidas pela Seleção principal

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80 gols

58 assistências

9 gols em Copas do Mundo

4 edições de Copa disputadas

1 título da Copa das Confederações

Neymar também foi decisivo na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Embora o torneio olímpico não seja contabilizado nas estatísticas oficiais da Seleção principal, o título teve peso histórico por ter sido o primeiro ouro do Brasil no futebol masculino.

A Copa das Confederações de 2013 foi o principal troféu de Neymar pela equipe principal. O jogador marcou quatro gols, foi eleito o melhor atleta da competição e comandou a vitória por 3 a 0 sobre a Espanha na final disputada no Maracanã.

Ele não conquistou a Copa do Mundo nem a Copa América. Ainda assim, superou Pelé na contagem da Fifa e se tornou o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira.

Vinicius Júnior é o favorito pela hierarquia

Vini Jr na seleção Brasileira na Copa do Mundo
Créditos: Nelson Terme/ CBF

Vinicius Júnior surge como o nome mais provável para assumir o protagonismo deixado por Neymar. O atacante do Real Madrid chegou à Copa do Mundo de 2026 usando a camisa 7, mas já era tratado como uma das principais referências técnicas da Seleção.

O jogador completou 50 partidas pelo Brasil durante o Mundial. Na ocasião, chegou ao décimo gol com a camisa amarela ao marcar no empate com o Marrocos. Depois, balançou as redes duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia.

Vini também possui uma relação consolidada com Carlo Ancelotti. Os dois trabalharam juntos no Real Madrid, onde conquistaram títulos importantes, incluindo a Liga dos Campeões.

Ancelotti já afirmou que um dos objetivos de seu trabalho na Seleção é fazer com que Vinicius apresente pelo Brasil o mesmo futebol decisivo demonstrado no clube espanhol.

O principal obstáculo é a identificação do atacante com a camisa 7. Vini utiliza esse número no Real Madrid e decidiu mantê-lo na Copa de 2026, quando Neymar voltou a vestir a 10.

Caso prefira continuar com a 7, a camisa mais simbólica da Seleção poderá ser entregue a outro jogador.

Rodrygo já vestiu a camisa 10

Rodrygo possui uma vantagem sobre os demais candidatos: ele já assumiu a camisa 10 durante a longa ausência de Neymar.

O atacante utilizou o número em diferentes partidas das Eliminatórias e também na Copa América de 2024. Na numeração oficial do torneio, Rodrygo ficou com a 10, enquanto Vinicius Júnior usou a 7 e Raphinha permaneceu com a 11.

As características técnicas também aproximam Rodrygo da função tradicionalmente ligada ao número. Ele pode atuar pelos dois lados, jogar centralizado, aproximar-se dos meio-campistas e participar da criação das jogadas.

O problema está na sequência física. Rodrygo ficou fora da Copa do Mundo de 2026 por lesão, assim como Estêvão. A ausência impediu que o jogador disputasse espaço e consolidasse sua importância no time de Ancelotti.

Se recuperar a condição física e voltar a ser convocado regularmente, Rodrygo pode retomar a camisa que já utilizou anteriormente.

Raphinha também possui experiência com o número

Raphinha foi outro jogador escolhido para usar a 10 durante a ausência de Neymar. Em novembro de 2024, o atacante recebeu o número nos jogos contra Venezuela e Uruguai, após Rodrygo ser cortado por lesão.

O jogador marcou um gol de falta contra a Venezuela e foi titular utilizando a camisa histórica.

Raphinha possui experiência, liderança e bom desempenho pela Seleção. Aos 29 anos, porém, estará com 33 na Copa do Mundo de 2030. Isso pode fazer com que seja visto como uma solução para o início do novo ciclo, mas não necessariamente como o dono da camisa durante os próximos quatro anos.

Estêvão representa o projeto de longo prazo

Getty Images e reprodução

Estêvão é o candidato mais jovem. Aos 19 anos, o atacante do Chelsea está entre os jogadores apontados como parte do próximo ciclo da Seleção.

O ex-jogador do Palmeiras possui habilidade no drible, capacidade de criação e facilidade para atuar em diferentes posições do ataque. Essas características combinam com a expectativa tradicional criada em torno da camisa 10 brasileira.

Entretanto, Estêvão ainda precisa conquistar espaço e sequência. Ele ficou fora da Copa de 2026 por lesão e não possui a mesma experiência internacional de Vinicius, Rodrygo ou Raphinha.

A tendência é que seja integrado gradualmente ao time durante a preparação para a Copa América de 2028 e para o Mundial de 2030.

Quando o novo camisa 10 será conhecido?

A primeira indicação poderá aparecer nos amistosos contra a Austrália, programados para setembro. As partidas marcarão o início da renovação conduzida por Carlo Ancelotti após a eliminação na Copa do Mundo.

O treinador afirmou que pretende buscar jogadores mais jovens e competitivos pensando inicialmente na Copa América de 2028. Neymar, Casemiro e Danilo estão entre os nomes da geração anterior que não devem participar do novo planejamento.

A numeração dos amistosos não significará necessariamente que o escolhido será o dono definitivo da camisa. A CBF costuma modificar os números de acordo com as convocações, lesões e competições.

Pela hierarquia, pelo desempenho recente e pela condição de principal estrela brasileira no futebol europeu, Vinicius Júnior inicia a disputa como favorito.

Rodrygo, contudo, já demonstrou ser uma opção natural para a 10. Estêvão representa uma escolha de futuro, enquanto Raphinha pode assumir a responsabilidade imediatamente.

O sucessor de Neymar não precisará repetir seus 80 gols para justificar a escolha. Mas receberá uma camisa que, na Seleção Brasileira, nunca funciona apenas como um número.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.