A eleição presidencial continuará até 25 de outubro, mas a maior parte do movimento que as campanhas geram para as gráficas mineiras está concentrada na etapa que terminou neste domingo. A estimativa do setor é que o primeiro turno responda por 95% da receita adicional relacionada ao período eleitoral.
O dado foi apresentado pelo Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de Minas Gerais ao Diário do Comércio. A entidade calcula que a produção eleitoral de agosto e setembro acrescente cerca de R$ 100 milhões ao faturamento das empresas em 2026.
A decisão política e o movimento econômico têm calendários diferentes
Aplicada à projeção de R$ 100 milhões, a proporção informada pelo sindicato equivale a aproximadamente R$ 95 milhões ligados ao primeiro turno. Trata-se de uma estimativa setorial, e não de um balanço final de pagamentos ou de lucro das gráficas.
A concentração tem uma explicação na própria estrutura da eleição. A primeira etapa reuniu campanhas para deputado estadual, deputado federal, Senado, governo e Presidência; em Minas, o segundo turno terá votação apenas para presidente, conforme o TRE-MG.
Isso reduz o conjunto de candidaturas ainda em atividade. Para fornecedores de impressos, a continuidade da disputa presidencial não significa repetição da escala de encomendas associada a todos os cargos.
A colinha ganhou espaço na campanha
Segundo o relato do sindicato ao Diário do Comércio, as colinhas eleitorais tiveram destaque nas encomendas deste ano. O material organiza os números que o eleitor pretende digitar e cumpre uma função prática no momento da votação.
Essa procura ajuda a explicar por que os impressos continuam presentes mesmo em campanhas com forte atuação digital. Uma peça pode servir à divulgação de propostas, enquanto outra funciona como apoio à identificação dos candidatos na urna.
O desempenho comercial desses materiais, entretanto, não mede sua influência sobre o resultado eleitoral. Quantidade produzida, faturamento e capacidade de convencer o eleitor são indicadores diferentes, que não podem ser usados como equivalentes.
O setor cresce, mas o impulso é menor
Em levantamento divulgado pela Fiemg, a expectativa de incremento no faturamento das gráficas fica entre 20% e 25%. Em pleitos anteriores, segundo a entidade, esse avanço chegou à faixa de 35% a 40%.
A avaliação do setor associa a mudança à presença maior das redes sociais e de outras ferramentas digitais. O cenário combina aumento temporário da demanda com uma transformação na maneira como as campanhas distribuem seus recursos de comunicação.
Há ainda uma diferença entre faturar mais e obter maior rentabilidade. Custos de produção e despesas necessárias para atender às encomendas precisam ser descontados antes de se conhecer o resultado financeiro de cada empresa.
O desafio das empresas continua depois das urnas
A modernização da indústria gráfica também ocorre fora do calendário eleitoral. Impressão digital, automação e softwares especializados exigem atualização dos processos e dos profissionais, segundo o diagnóstico divulgado pela federação.
Para as empresas, isso coloca duas tarefas em ritmos diferentes: atender a um pico de pedidos concentrado em poucas semanas e manter capacidade competitiva durante o restante do ano. A projeção de receita mostra a importância das eleições para o setor, mas também evidencia como esse impulso depende de uma janela curta de atividade.


