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Carros fabricados em Betim já representam 53% das vendas da Stellantis no Brasil

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A cada dois veículos vendidos pela Stellantis no Brasil, pelo menos um pertence a um grupo de apenas quatro modelos fabricados em Minas Gerais. O dado ajuda a dimensionar o peso que o Polo Automotivo de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, conquistou dentro de uma companhia que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram. Em setembro, Strada, Argo, Pulse e Mobi responderam, juntos, por 52,8% de todos os emplacamentos do conglomerado no país.

Os quatro modelos somaram 38.149 unidades comercializadas, diante de um total de 72.242 veículos vendidos pela Stellantis no mercado brasileiro. A concentração é ainda mais expressiva quando considerada apenas a Fiat, que registrou seu melhor resultado mensal desde dezembro de 2014. Nesse recorte, os carros produzidos em Betim representaram 71,2% das vendas da marca.

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O resultado revela uma característica importante da indústria automotiva mineira: mesmo diante da expansão dos SUVs, da chegada de novas montadoras e do avanço dos veículos eletrificados, uma parcela significativa do mercado brasileiro continua sendo sustentada por automóveis produzidos em uma fábrica inaugurada há 50 anos.

Quatro modelos mineiros sustentam a liderança da Fiat

A principal responsável pelo desempenho foi a Fiat Strada, que terminou setembro como o veículo mais vendido do Brasil, com 16.001 unidades emplacadas. Produzida em Betim desde seu lançamento, em 1998, a picape alcançou o terceiro maior volume mensal de sua história.

O Argo aparece em seguida, com 8.603 unidades, ocupando a sexta posição no ranking nacional. Já o Pulse registrou 7.150 emplacamentos e estabeleceu um novo recorde mensal de vendas, enquanto o Mobi completou a participação mineira entre os dez modelos mais comercializados do país, com 6.395 unidades.

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A soma desses resultados ajuda a explicar por que a Fiat alcançou 53.587 emplacamentos em setembro, seu maior volume mensal em quase 12 anos. Mais de sete em cada dez veículos vendidos pela marca pertencem a essa seleção de modelos fabricados em Betim.

O desempenho também mostra que a relevância comercial da fábrica não depende de um único segmento. A Strada lidera entre as picapes, Argo e Mobi mantêm presença importante entre os compactos, enquanto o Pulse representa a participação da unidade mineira no mercado de SUVs.

A diversidade permite que a operação atenda diferentes perfis de consumidores, desde quem procura um automóvel de entrada até trabalhadores e empresas que utilizam picapes nas atividades diárias.

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A participação de Betim é ainda maior do que os 52,8%

Existe uma diferença importante entre o percentual calculado a partir dos quatro modelos e a participação efetiva de Betim nas vendas da Stellantis.

O complexo mineiro também fabrica Fiat Fastback, Fiorino, Peugeot Partner Rapid e Ram 700, que não foram incluídos na conta inicial. Portanto, os 52,8% representam uma parcela identificável do volume comercializado pelo grupo, e não a participação total da fábrica.

Para chegar ao percentual completo, seria necessário reunir os emplacamentos de todos os modelos produzidos na unidade e considerar eventuais particularidades de distribuição e comercialização.

Ainda assim, a concentração já é suficiente para mostrar o papel estratégico da operação mineira. Enquanto a Stellantis mantém diferentes fábricas e marcas no Brasil, Betim responde por uma parte expressiva dos veículos que chegam às ruas brasileiras.

Essa importância comercial também ajuda a compreender a dimensão dos investimentos destinados ao complexo, que passou a reunir atividades industriais e tecnológicas muito além da montagem de automóveis.

A fábrica de 50 anos que continua no centro da indústria brasileira

Foto: Divulgação Stellantis

Quando a Fiat inaugurou sua unidade em Betim, em julho de 1976, a indústria automobilística brasileira estava fortemente concentrada no estado de São Paulo. A chegada da montadora italiana ajudou a transformar a Região Metropolitana de Belo Horizonte em um dos principais polos industriais do país.

Cinco décadas depois, a fábrica já ultrapassou 18 milhões de veículos produzidos e quatro milhões de unidades exportadas para aproximadamente 40 países.

Atualmente, o complexo possui capacidade instalada para fabricar até 650 mil veículos por ano, reúne mais de 19 mil colaboradores e mantém relações com mais de 400 fornecedores diretos.

A estrutura também abriga produção de motores, engenharia, desenvolvimento de produtos e laboratórios voltados às novas tecnologias de mobilidade.

Como o Moon BH mostrou na reportagem sobre a fábrica mineira que já produziu 18 milhões de carros, Betim deixou de funcionar apenas como uma linha de montagem e passou a concentrar parte importante do conhecimento técnico utilizado pela Stellantis na América do Sul.

Isso significa que a relevância econômica do polo não se limita aos automóveis vendidos. Sua operação também movimenta fornecedores de peças, serviços especializados, transporte, engenharia e uma cadeia de empregos que ultrapassa os limites do município.

R$ 14 bilhões para manter a produção mineira competitiva

O desempenho comercial de setembro ocorre durante o maior ciclo de investimentos já anunciado para a fábrica. A Stellantis prevê destinar R$ 14 bilhões ao Polo Automotivo de Betim entre 2025 e 2030, dentro de um programa de R$ 32 bilhões voltado à América do Sul.

Os recursos estão relacionados à renovação do portfólio, modernização dos processos industriais e desenvolvimento de tecnologias de eletrificação.

O Moon BH já detalhou como a Fiat pretende utilizar a engenharia mineira para enfrentar a concorrência das montadoras chinesas. A estratégia inclui a ampliação da tecnologia Bio-Hybrid, que combina motores flex com sistemas elétricos para reduzir consumo e emissões.

O próximo passo dessa renovação será o Novo Argo X, modelo confirmado para produção em Betim ainda em 2026. Segundo a Stellantis, o veículo será comercializado ao lado do Argo atual, ampliando a presença da Fiat no segmento de entrada.

A decisão de manter os dois modelos simultaneamente revela uma tentativa de renovar a oferta sem abandonar automóveis que já possuem forte participação no mercado brasileiro.

Minas cresce junto com um mercado de veículos aquecido

Os resultados da Stellantis também acompanham um momento de expansão do setor automotivo nacional. Segundo a Fenabrave, setembro registrou 509.686 emplacamentos de veículos novos, o melhor resultado para o mês na série histórica da entidade.

Esse total considera diferentes segmentos, incluindo motocicletas e veículos comerciais. Apenas automóveis e comerciais leves responderam por 268.721 unidades, crescimento de 16,16% em relação a setembro de 2025.

O desempenho indica que a demanda por veículos continua avançando, mesmo diante das dificuldades relacionadas ao crédito e aos custos de financiamento.

Para Minas Gerais, a presença de uma fábrica capaz de abastecer uma parcela tão expressiva desse mercado representa uma vantagem industrial construída ao longo de décadas. Mas também reforça a importância de manter a unidade competitiva diante das mudanças tecnológicas e da entrada de novos fabricantes.

A concentração das vendas em Strada, Argo, Pulse e Mobi mostra que os modelos tradicionais ainda sustentam boa parte dos resultados da Stellantis. Ao mesmo tempo, o investimento bilionário e a preparação de novos produtos indicam que a companhia pretende preservar essa posição durante a transformação do setor.

Aos 50 anos, Betim continua sendo uma das principais bases comerciais da maior montadora em participação de mercado no Brasil. E os números de setembro ajudam a mostrar que a importância da fábrica mineira não está apenas em sua história, mas nos veículos que ela continua colocando nas ruas todos os dias.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.