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Banco Inter estreia na Argentina com estratégia diferente da usada nos Estados Unidos

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O Banco Inter iniciou oficialmente as suas operações na Argentina no dia 8 de setembro, marcando a entrada da instituição financeira mineira em seu terceiro mercado nas Américas, ao lado de Brasil e Estados Unidos. Em vez de adquirir uma instituição financeira local ou construir uma infraestrutura regulatória própria do zero, a companhia optou por uma parceria estratégica com o Grupo BIND, responsável por fornecer a base operacional no país.

O modelo de entrada reflete uma estratégia de expansão internacional com menor exigência de capital. A instituição tenta exportar a tecnologia de seu aplicativo para novos mercados sem a necessidade de reproduzir fisicamente a complexidade operacional que desenvolveu no Brasil. As duas empresas permanecem juridicamente independentes, e o banco brasileiro apoia sua operação na infraestrutura de Banking as a Service (BaaS) do parceiro.

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O Grupo BIND possui presença consolidada no ecossistema financeiro argentino. A instituição processa as operações de mais de 70% das carteiras digitais locais e atinge um público superior a 20 milhões de usuários. Essa aliança permite ao Inter oferecer serviços financeiros sob as regras do Banco Central da República Argentina de forma imediata, reduzindo o tempo de implementação e os custos regulatórios.

O que o Banco Inter quer oferecer na Argentina

Nesta fase inicial, o portfólio de produtos disponível para os residentes na Argentina é voltado para a proteção cambial e a diversificação de ativos. Os clientes locais podem abrir uma conta, movimentar recursos no dia a dia e acessar o mercado financeiro internacional para administrar seu patrimônio em dólares.

A oferta de investimentos no exterior é estruturada por meio da Inter Securities, a corretora do grupo baseada nos Estados Unidos. A formatação do produto atende a uma característica econômica estrutural da Argentina: a alta demanda da população por manter reservas de valor em moeda forte devido ao histórico de desvalorização do peso. Segundo a diretoria da companhia, a proposta atende diretamente à necessidade dos argentinos de dolarizar os recursos.

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Crescimento da base e indicadores financeiros

Sede do Banco Inter em Belo Horizonte
Divulgação

A chegada à Argentina marca mais uma etapa na transformação da empresa, fundada em Belo Horizonte no ano de 1994 como Intermedium Financeira. A instituição operou por anos com foco em crédito imobiliário, empresarial e consignado, obtendo licença de banco múltiplo em 2008. A digitalização do negócio levou à adoção do nome Banco Inter em 2017 e à expansão acelerada da base de clientes.

Os resultados financeiros recentes demonstram a mudança de escala. Em 2018, o banco contabilizava 1,45 milhão de correntistas. Ao final do segundo trimestre de 2026, a base total alcançou 45,3 milhões de clientes, dos quais 26,4 milhões são usuários ativos.

No mesmo período, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 421 milhões, atingiu uma rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) de 16,3% e superou a marca de R$ 100 bilhões em ativos totais. Hoje, o aplicativo processa 32 milhões de transações diárias, originadas de 21,5 milhões de acessos por dia.

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Estratégia americana utilizou rota diferente

O modelo operacional adotado na Argentina contrasta com a estratégia de internacionalização aplicada nos Estados Unidos, que exigiu a construção de uma infraestrutura própria. O movimento em solo americano começou em 2021 com a aquisição da Usend, finalizada em 2022. A empresa de remessas serviu como a base inicial para a criação da conta global e da Inter Securities.

Em 2026, a operação nos Estados Unidos avançou do modelo de parcerias para uma estrutura autônoma. No mês de janeiro, o Federal Reserve (Fed) e os órgãos reguladores da Flórida aprovaram a abertura de uma filial bancária própria do Inter em Miami, com a licença definitiva sendo emitida em junho. Com essa autorização, a companhia passou a ter permissão para emitir cartões e ofertar produtos de crédito regulamentados no mercado americano sem depender de terceiros.

A instituição informou que pretende migrar cerca de 5,5 milhões de clientes de sua conta global para essa nova estrutura bancária sediada na Flórida. A comparação entre os dois mercados expõe as diferentes frentes do grupo: nos Estados Unidos, a via de crescimento demandou aquisição e licenças próprias; na Argentina, a entrada ocorre como um teste de viabilidade para expansões futuras na América Latina baseadas na tecnologia de uma plataforma digital única associada a parceiros locais.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.