O BH Outlet, no Belvedere, vai investir mais de R$ 3 milhões para ampliar sua operação com uma vila gastronômica e um espaço de eventos de grande porte. A nova fase reforça uma mudança que vem aparecendo em shoppings e outlets de Belo Horizonte: o varejo físico quer ser mais do que um lugar para comprar.
A ideia é aumentar o tempo de permanência do público, atrair visitantes em dias sem grande apelo de promoção e transformar o empreendimento em destino de alimentação, lazer e eventos. O movimento também conversa com a localização. O BH Outlet fica na BR-356, em uma região de consumo de alta renda, próxima ao Belvedere, Vila da Serra, Olhos d’Água, Nova Lima e condomínios da zona Sul.
O maior investimento será no centro de eventos, em construção no andar superior do outlet. A estrutura terá cerca de 9 mil metros quadrados e poderá receber congressos, feiras, exposições e encontros corporativos. Segundo Mário Valadares, fundador e presidente do Grupo Mário Valadares, a proposta é criar um espaço com perfil comparável ao Expominas, em menor escala e com foco em uma demanda que o grupo vê como reprimida na capital.
A outra frente é a vila gastronômica, batizada de Vila Resende Costa. A previsão é inaugurar o espaço no fim de agosto, com aporte próximo de R$ 1 milhão. O projeto terá 10 operações, sendo cinco já assinadas. Entre os nomes confirmados estão Burger King, Vila do Alemão e Milk Moo.
Shopping quer vender experiência, não só desconto
O BH Outlet nasceu com uma proposta ligada a marcas e preços reduzidos, especialmente no segmento esportivo. O empreendimento reúne nomes como Adidas, Puma, Mizuno, Under Armour e Asics, e negocia a chegada da New Balance. Esse mix segue sendo um atrativo importante para o público que procura outlet.
Mas o varejo físico mudou. Só preço já não sustenta fluxo todos os dias. Shoppings e outlets passaram a investir em restaurantes, eventos, academias, serviços, entretenimento, espaços infantis, rooftops e experiências que não podem ser entregues pelo e-commerce.
A vila gastronômica entra nessa lógica. O cliente pode ir ao outlet para comprar tênis, roupa esportiva ou item de marca, mas também pode ficar para almoçar, encontrar amigos, levar a família ou apenas circular. Alimentação aumenta permanência, melhora a experiência e cria motivo de visita fora das datas promocionais.
O próprio desenho da Vila Resende Costa tenta explorar esse apelo. O projeto será inspirado em cidades históricas de Minas, com fachadas que remetem a sobrados e varandas coloniais. A área coberta terá uma réplica do teto de uma catedral de Ouro Preto, enquanto a parte externa contará com coreto.
A proposta não é apenas montar uma praça de alimentação convencional. O outlet tenta criar um cenário com identidade mineira, algo que converse com gastronomia, turismo urbano e convivência.
A escolha de fast food também preenche uma lacuna. O empreendimento já tinha restaurantes como Mitra e Pastus Fogo & Parrilla, com perfil mais gastronômico. A nova vila amplia a oferta para um consumo mais rápido, familiar e recorrente. O Pizza Pazza, que já opera no BH Outlet, será transferido para a nova praça.
Belvedere e Vila da Serra ajudam a explicar a aposta
A localização do BH Outlet é parte central da estratégia. A BR-356 é um dos corredores mais importantes entre Belo Horizonte e Nova Lima. A região reúne condomínios, prédios comerciais, hospitais, escolas, restaurantes, empresas, academias e um público de renda mais elevada.
Belvedere, Vila da Serra e Olhos d’Água formam um eixo de consumo diferente de outras áreas da cidade. Há moradores com maior poder aquisitivo, fluxo de profissionais, eventos corporativos, famílias que buscam conveniência e consumidores dispostos a pagar por experiência, desde que percebam valor.
Esse perfil ajuda a explicar por que o outlet aposta em gastronomia e eventos. Um centro de convenções dentro do empreendimento pode atrair público em dias úteis, fora do horário mais forte de compras. Feiras, congressos e exposições geram movimento para estacionamento, restaurantes, lojas e serviços.
Eventos viraram disputa no varejo de BH
Belo Horizonte tem tradição em eventos, mas ainda enfrenta gargalos de espaços versáteis, bem localizados e com boa estrutura. O Expominas segue como referência em grandes feiras. O Minascentro, o Mineirão, casas de shows e hotéis também dividem parte da demanda. Ainda assim, há espaço para centros menores e médios, especialmente em regiões de alto fluxo e boa renda.
O BH Outlet tenta entrar nesse mercado com um trunfo: o público não precisa ir ao local apenas pelo evento. Pode consumir no próprio empreendimento antes ou depois da programação. Essa combinação interessa a organizadores, marcas e lojistas.
Eventos também ajudam o varejo a enfrentar uma dificuldade recorrente: atrair pessoas para a loja física em um período em que parte das compras migrou para a internet. Um outlet que recebe feira, encontro empresarial, exposição ou congresso cria movimento que não depende apenas da vitrine.





