Enquanto as linhas de produção da JBS em Uberlândia, Ituiutaba e Iturama operam em ritmo acelerado para abastecer o mercado global, o homem por trás desse império industrial deixou os escritórios para ocupar um papel que parece saído de um roteiro de ficção diplomática. Em 2026, a força econômica que gera quase 200 novas vagas de emprego por mês no Triângulo Mineiro provou ser a chave para abrir as portas mais pesadas de Washington.
A revelação de que o presidente Lula utilizou o celular pessoal de Joesley Batista, um dos controladores da J&F, para destravar o diálogo com Donald Trump, coloca um empresário com raízes profundas na economia de Minas Gerais no epicentro da geopolítica mundial.
A Ponte Washington-Brasília: O Peso do Dólar
A influência de Joesley nos Estados Unidos não é coincidência nem apenas cortesia. A JBS consolidou-se como uma das maiores processadoras de proteína em solo americano, e o grupo soube jogar o jogo político da capital estadunidense com maestria.
- Investimento na Posse: A Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS, realizou a maior doação divulgada para a cerimônia de posse de Trump em 2025: US$ 5 milhões.
- Logística de Poder: Mais do que o celular, o jato da J&F foi peça fundamental na logística diplomática para viabilizar o encontro entre os dois mandatários, segundo informou a Reuters.
O Império Além da Proteína e o Impacto em Minas
A holding J&F não é apenas a “dona da Friboi”. Ela se transformou em um conglomerado multissetorial que toca o dia a dia do mineiro, seja no consumo, no crédito ou na infraestrutura:
Economia Real em Minas: Com operações industriais robustas no estado, a JBS é um dos pilares do PIB mineiro. As recentes 180 vagas abertas em cidades como Uberlândia e Ituiutaba reforçam a dependência regional da saúde financeira do grupo.
Braço Financeiro e Agro: A reorganização do Banco Original (focado em atacado e agro) e do PicPay (varejo) atende diretamente o produtor rural e as empresas de médio porte de Minas, setor onde o grupo detém grande fatia do mercado de crédito.
Diversificação: O portfólio inclui ainda a Âmbar Energia, a Eldorado Brasil (celulose) e a LHG Mining, criando uma rede de influência que vai da carne ao minério.
De Personagem de Delação a Articulador Global
O que se vê em 2026 é uma reconfiguração completa de imagem. Joesley Batista, que no passado esteve no centro de crises institucionais agudas no Brasil, agora opera como um “embaixador informal”. Sua capacidade de circular entre a esquerda de Brasília e a direita de Washington mostra que o pragmatismo empresarial da J&F se tornou um ativo diplomático.
Para Minas Gerais, ter um dos maiores empregadores do estado atuando como mediador entre as duas maiores potências das Américas traz um misto de estabilidade nos investimentos e atenção redobrada sobre como essa influência moldará os próximos acordos comerciais de exportação de proteína.
Ao conectar o chão de fábrica do Triângulo Mineiro aos tapetes da Casa Branca, Joesley Batista prova que, no tabuleiro de 2026, a carne brasileira é muito mais do que uma commodity: é uma ferramenta de poder.


