O Brasil é o segundo país com mais chances de receber uma visita do Papa Leão XIV em 2027. Pelo menos é o que aponta um levantamento do site Aposta Legal, um destes novos sites que tenta prever eventos dos mais diversos. Uma outra plataforma, Kalshi, também colocou o país como segundo destino mais provável, atrás apenas do Peru. E no que depender do prefeito de BH, Álvaro Damião, se o Papa vier, passará pela capital.
Ambos os sites apontam o país com 65% de receber uma visita do pontífice. A possibilidade acende um alerta aos mineiros por que uma visita papal já aconteceu em 1980, quando João Paulo II esteve por aqui. E também por que antes de ser Papa, Leão XIV passou um bom tempo em Minas.
O Moon BH conversou com Damião sobre o levantamento, que é especulativo. Ele explicou que seria uma honra para a cidade receber o pontífice: “Belo Horizonte se sentirá muito honrada se acontecer e irá recebê-lo de braços abertos para que ele nos abençoe com a sua presença e a sua mensagem de paz, amor e harmonia entre os povos”.
Como foi a visita de João Paulo II a Belo Horizonte?
Segundo o site da Arquidiocese de Belo Horizonte, a visita aconteceu no dia 1° de julho de 1980 e atraiu cerca de 800 mil pessoas para a Praça João Pinheiro, que foi rebatizada simbolicamente de “Praça do Papa”.
Mesmo sem uma previsão oficial, o prefeito afirmou que, caso a visita acontecesse, a cidade estaria pronta para receber Leão: “No que depender de nossa ação, enquanto poder público, a cidade estará preparada para receber o Santo Padre e os milhares de católicos que se deslocarão para orar com ele em nossa capital”, disse.

A própria Arquidiocese pontua em seu site que a atuação do poder público foi fundamental para viabilizar a visita no século passado: “A vinda do Papa ao Brasil contou com a colaboração de várias entidades e setores oficiais dos três níveis do governo”.
Damião relembrou a visita: “Ainda menino, eu era um entre os milhões que acompanharam a vinda do Papa João Paulo II a BH. Aquele momento marcou tanto a minha vida que em janeiro deste ano eu fiz uma viagem particular a Polônia para conhecer a cidade onde nasceu e a casa onde morou o Papa”.
A presença do Brasil no topo dessas listas especulativas tem uma lógica óbvia: somos o maior contingente católico do mundo em números absolutos, e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) mantém um diálogo institucional e ativo com o pontífice, tendo visitado o Vaticano no início deste ano.
Por que Belo Horizonte entrou no radar?

Se a visita ao Brasil é uma tese estatística, a inclusão de Belo Horizonte nos debates nasce de uma forte relação histórica. Antes de assumir o trono de São Pedro, Robert Francis Prevost esteve em Minas Gerais em ao menos duas ocasiões (2004 e 2012), cumprindo agendas ligadas à Ordem de Santo Agostinho.
Os registros de sua passagem pelo estado incluem:
- Visitas ao Colégio Santo Agostinho, em BH.
- Atividades na Paróquia Cristo Redentor, na região do Barreiro.
- Passagens pela cidade de Mário Campos, na Região Metropolitana.
BH vem se tornando referência em eventos religiosos
Jornada Pascoal, OZ com Jesus, Ore Comigo e The Send Brazil são exemplos de grandes eventos realizados na capital. Na visão do prefeito, o poder público tem um papel importante como parceiro dos realizadores:
“Os eventos religiosos terão sempre o apoio total da Prefeitura de BH. Respeitamos todos os credos e as crenças de cada cidadão. Somos um povo de fé que precisa ter no poder público um parceiro para que possa externar as suas crenças e os seus ritos sem nenhuma discriminação e sem discriminar ninguém. Uma cidade inclusiva abraça todos”.
A memória afetiva de Leão XIV com as “Mineiridades” e a capital é inegável, mas entre ter passado por Minas como líder religioso agostiniano e retornar como Chefe de Estado há uma distância logística, pastoral e de segurança gigantesca. Ter o apoio institucional da cidade, porém, conta como um grande ponto positivo.
Para Minas Gerais, o tema transborda a religião e atinge a política e a economia. Uma eventual escala papal teria um impacto turístico e de mobilização de imagem imensurável para o estado. Damião conclui: “Se Ele me der a oportunidade de receber o Papa durante o meu mandato como prefeito de BH, eu estarei realizando um sonho que nem tinha sonhado.”