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Escala 5×2 já está no Congresso: o que muda em Minas Gerais pra você?

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O presidente Luiz enviou ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, um projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial. Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.

A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Com a urgência constitucional, a tramitação pode ser concluída em até 90 dias — 45 na Câmara e 45 no Senado. O governo afirmou esperar a aprovação dentro desse prazo.

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O que Minas tem a ganhar e o que pode perder

Para Minas Gerais, o debate é direto. Os setores que mais empregam no estado — serviços e comércio — são justamente os mais afetados, tanto para o bem quanto para o mal.

Do lado positivo, os maiores beneficiados seriam trabalhadores de comércio varejista, supermercados, atendimento, hotelaria, telemarketing e serviços administrativos — categorias onde a escala 6×1 é mais comum. O governo argumenta ainda que jornadas mais equilibradas tendem a reduzir adoecimento e rotatividade. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais ligadas ao trabalho.

Do lado econômico, a conta pesa quando se fala em escala 5×2. A CNI estima que a medida pode derrubar o PIB brasileiro em 0,7%, o equivalente a R$ 76,9 bilhões, com impacto maior na indústria (-1,2%), seguida por comércio (-0,9%) e serviços (-0,8%). A entidade também projeta pressão média de 6,2% nos preços ao consumidor e custo adicional de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano nas folhas de pagamento das empresas.

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O que o projeto muda na prática

Vendedor de loja, escala 6x1
Foto: Banco de imagens Envato

O texto fixa o novo limite em 40 horas semanais, mantém as 8 horas diárias, assegura dois dias de repouso semanal de 24 horas consecutivas — preferencialmente sábado e domingo — e consolida o modelo 5×2. A abrangência é ampla: inclui domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias cobertas pela CLT e por leis especiais.

O texto também preserva a possibilidade de escalas especiais, como o 12×36, desde que negociadas por acordo coletivo e respeitada a média de 40 horas semanais.

Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham hoje na escala 6×1, com apenas um dia de descanso — incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Outros 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica jornadas frequentemente mais longas na prática.

Os setores mais expostos em Minas

  • Supermercados, restaurantes, padarias, hotéis, farmácias e comércio de rua — operações intensivas em mão de obra com funcionamento nos fins de semana
  • Micro e pequenas empresas, que responderam por 79,4% do saldo de vagas formais mineiras em 2024
  • Indústria de transformação, com base robusta em alimentos, metalurgia e mineração
  • O agronegócio aparece como o setor relativamente menos exposto, com projeção de queda de apenas 0,4% no PIB setorial segundo a CNI
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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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