O estado inteiro de Minas Gerais abriga apenas uma única tela certificada com a marca IMAX. A estrutura de projeção fica no Cineart do Boulevard Shopping, na região leste de Belo Horizonte. É lá que os mineiros precisarão ir para ver “A Odisseia”, do diretor Christopher Nolan, que gravou cenas de tempestades em mar aberto usando câmeras gigantescas para preencher todo o campo de visão do público.
Em 2015, a rede Cineart desembolsou US$ 1,5 milhão para inaugurar a exclusividade no bairro Santa Efigênia. O projeto uniu técnicos canadenses da franquia e arquitetos locais para erguer uma tela inicial de 211 metros quadrados. A empresa modernizou o complexo comercial anos depois, instalando uma nova estrutura curva de 18 metros de largura ao custo de R$ 400 mil.
O sistema não aumenta simplesmente a imagem refletida na parede. Os equipamentos disparam luz a partir de dois projetores simultâneos, enquanto caixas de som independentes jogam o áudio pesado para áreas específicas da sala. O cineasta captou os 172 minutos do longa utilizando equipamentos projetados exatamente para dominar toda essa infraestrutura sem perdas de qualidade visual ou sonora.
O Moon BH consultou os dados da sala e encontrou durante a semana, três sessões do filme: 13:30, 17:00 e 20:30. A partir de quinta, o filme começará nas sessões de 13:35, 17:05 e 20:35. Veja no site do shopping.
A diferença entre o arquivo digital e o rolo analógico
A forte campanha de marketing de “A Odisseia” gerou uma confusão técnica sobre os formatos de exibição disponíveis no Brasil. A sala de Belo Horizonte entrega a proporção expandida em resolução 4K, operando com arquivos de vídeo totalmente digitais. O local não possui os projetores mecânicos que rodam a raríssima película física de 70 milímetros.
Nolan defende o rolo analógico original como a forma definitiva de assistir ao seu trabalho mais recente. Apenas uma pequena lista de cinemas nos Estados Unidos, no Canadá e no Reino Unido possui o equipamento em pleno funcionamento hoje. O espectador mineiro assiste a uma adaptação digital de altíssima qualidade, supervisionada e aprovada pela matriz da marca.
O impacto direto no preço da bilheteria
A exclusividade reflete imediatamente na tabela de preços cobrada pelos exibidores na capital mineira. O Boulevard Shopping cobra R$ 50 pelo ingresso inteiro entre segunda e quarta-feira. O valor exigido salta para R$ 62 durante os fins de semana e feriados nacionais, encarecendo o passeio de grupos maiores.
O cinéfilo gasta até R$ 16 a mais do que pagaria em uma sessão convencional no mesmo andar do shopping.
O isolamento estrutural de Minas Gerais
O mercado nacional concentra sua infraestrutura premium de exibição na região Sudeste, mas praticamente ignora o território mineiro. Um levantamento feito no último mês registrou 12 telas IMAX ativas em todo o país. O estado de São Paulo lidera o ranking com folga, mantendo complexos modernos na capital, em Campinas e em Ribeirão Preto.
A lista de cidades brasileiras com o formato inclui Salvador, Recife, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre. A restrição expõe uma falha comercial das redes exibidoras e afasta milhares de consumidores locais. Municípios ricos e populosos, como Uberlândia, Montes Claros e Juiz de Fora, não atraíram os investimentos milionários necessários para sustentar a tecnologia de ponta.
Essa ausência obriga o fã de cinema a planejar verdadeiras excursões rodoviárias apenas para ver um lançamento no tamanho correto desenhado pelos estúdios de Hollywood.


