A Receita Federal entrou em 2026 com mudanças que afetam diretamente o bolso dos contribuintes em Minas Gerais. As principais estão no Imposto de Renda, no calendário de restituições, na digitalização dos serviços, na preparação da Reforma Tributária do Consumo e na exigência de CPF regular para acesso a programas sociais.
Para o mineiro comum, a mudança mais sentida é no salário. Desde janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5 mil por mês passou a ter redução capaz de zerar o Imposto de Renda retido na fonte. Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, há uma redução gradual, que diminui até desaparecer acima desse patamar.
Imposto de Renda menor para parte da classe média
A ampliação da faixa de redução do IR mexe com a renda disponível de trabalhadores formais, servidores públicos, aposentados e profissionais que recebem pela tabela progressiva.
Para o comércio, essa renda extra ajuda. Supermercados, farmácias, postos de combustível, restaurantes, escolas e prestadores de serviço sentem quando o consumidor tem um pouco mais de folga. O impacto não é explosivo, mas se espalha pela economia local.
Restituição ficou mais rápida
Outra mudança importante está nas restituições. Em 2026, a Receita Federal organizou o pagamento em quatro lotes principais: 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 31 de agosto. Antes, o calendário costumava se estender por mais meses.
A antecipação melhora a vida de quem tem imposto a receber. Quanto mais cedo a restituição cai, mais rápido o contribuinte consegue usar o dinheiro. Em Minas, isso significa injeção de recursos em famílias que muitas vezes contam com a restituição para quitar dívidas, pagar despesas acumuladas, fazer compra maior, reformar a casa ou reforçar a reserva financeira.
A Receita também criou um lote especial de restituição automática para contribuintes de menor renda que tiveram imposto retido, mas não entregaram declaração em exercício anterior. Esse tipo de mecanismo tenta devolver valores pagos a mais sem exigir que todo cidadão tenha conhecimento técnico para pedir o dinheiro.
CPF virou chave para imposto e benefício social
O CPF ganhou peso ainda maior na relação entre cidadão e governo. Hoje, ele é usado para Imposto de Renda, restituição, Cadastro Único, Bolsa Família, BPC, Tarifa Social de Energia, programas estudantis e diversos serviços digitais.
No caso dos programas sociais, a situação irregular no CPF pode bloquear benefícios. O MDS já havia definido que inconsistências no CPF dentro do Cadastro Único poderiam gerar bloqueios para famílias beneficiárias do Bolsa Família. Isso não tem relação com “nome sujo” ou dívida em banco. CPF irregular costuma envolver divergência cadastral, suspensão, cancelamento ou dados inconsistentes na base da Receita.
Para famílias de baixa renda em Minas, esse ponto é decisivo. Uma inconsistência simples pode virar atraso no benefício. Em cidades pequenas, distritos e áreas rurais, o problema aumenta porque nem todo mundo tem facilidade para acessar atendimento digital ou corrigir cadastro rapidamente.
A recomendação de serviço é direta: conferir CPF de todos os membros da família, manter Cadastro Único atualizado e procurar o CRAS ou atendimento da Receita quando houver divergência. O CPF deixou de ser apenas documento. Virou senha de acesso a políticas públicas.
Reforma Tributária começa a chegar ao dia a dia
A Receita Federal também entrou na fase de preparação da Reforma Tributária do Consumo. O órgão já mantém página específica sobre a implementação da reforma e sobre os novos sistemas ligados à CBS, tributo federal que substituirá PIS/Cofins e parte do IPI.
Para empresas mineiras, especialmente pequenos negócios, comércio, indústria, supermercados, restaurantes, contadores e prestadores de serviço, essa mudança será uma das mais importantes dos próximos anos. A reforma não muda tudo de uma vez, mas começa a exigir adaptação de sistemas, notas fiscais, apuração e fluxo de pagamento.
O consumidor também será afetado, embora de forma gradual. A reforma cria a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo. Também prevê devolução personalizada de tributos, o chamado cashback tributário, para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico.


