O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, chegou a uma posição que dificilmente seria associada a Minas Gerais há alguns anos: passou a liderar o país em quantidade de destinos domésticos atendidos. A malha divulgada pelo BH Airport reúne 65 rotas nacionais e oito destinos internacionais em operação ao longo de 2026, o que permite chegar sem conexão a 73 mercados dentro e fora do Brasil.
Cidades que muita gente ainda acha que exigem escala em São Paulo já saem direto de Belo Horizonte. É esse o efeito prático de uma conquista pouco esperada para o aeroporto mineiro.
Como Confins ultrapassou aeroportos maiores como Guarulhos?
A resposta não está no volume de passageiros, campo em que Guarulhos ainda é muito superior, e sim numa medida específica: a quantidade de destinos domésticos oferecidos. Confins aparece à frente de Viracopos, que tem 59 destinos nacionais, e de Guarulhos, com 58.
Isso acontece principalmente pelo modelo de hub adotado pela Azul em Minas Gerais. Passageiros de cidades pequenas e médias chegam a Confins, trocam de aeronave e seguem para outros estados, e o mesmo sistema funciona ao contrário: moradores dessas regiões recebem visitantes sem depender obrigatoriamente dos aeroportos paulistas.
Em julho, a plataforma de programação analisada apontava cerca de 4,6 mil partidas mensais saindo de Confins, com São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro seguindo como os mercados de maior número de voos. A diferença de Minas está justamente na extensão da rede para localidades menos óbvias, como Salinas, Manhuaçu, Paracatu, Guanambi, Lençóis e Parauapebas.
A projeção de 1,14 milhão de embarques e desembarques só em julho ajuda a dimensionar o tamanho que essa rede alcançou.
Quais destinos internacionais Confins oferece atualmente?
São oito cidades conectadas diretamente a Belo Horizonte neste momento: Lisboa, Orlando, Cidade do Panamá, Santiago, Buenos Aires, Montevidéu, Bariloche e Willemstad, capital de Curaçao.
Nem todas essas rotas funcionam o ano inteiro. Lisboa, Orlando e Cidade do Panamá são operações permanentes da TAP, Azul e Copa Airlines, respectivamente. Já Bariloche e Santiago aparecem concentradas entre julho e agosto, atendendo à temporada de inverno, enquanto Curaçao integra a oferta sazonal do Caribe.
O caso de Curaçao ilustra bem como a malha muda ao longo do ano. A Azul retomou a ligação em 1º de julho e, a partir do dia 10, passou de duas para quatro frequências semanais, às segundas, quartas, sextas e domingos, numa operação anunciada até 31 de julho. Bariloche segue lógica parecida: a rota liga Confins diretamente à região de neve argentina em aproximadamente 5h15, sem necessidade de conexão em Buenos Aires, mas com programação concentrada apenas em julho e agosto.
Por que dizer “73 destinos” exige uma ressalva importante?
Porque nem todas as rotas coexistem ao mesmo tempo durante o ano. Bariloche, Santiago e Curaçao têm operação sazonal, enquanto outros destinos ainda vão entrar na programação nos próximos meses. O número de 73 é mais preciso como retrato acumulado da malha de 2026 do que como contagem de rotas permanentes simultâneas.
Existe ainda uma diferença entre contar cidades e contar aeroportos, que pode gerar pequenas divergências em bases de dados diferentes. Buenos Aires, por exemplo, pode ser atendida por Aeroparque ou Ezeiza, assim como São Paulo tem ligações com Congonhas, Guarulhos e Viracopos.
O mapa nacional de voos diretos de Belo Horizonte

Uma compilação da malha publicada para 2026 mostra que Confins alcança todas as regiões do Brasil, incluindo cidades do interior que normalmente dependem de conexão em São Paulo ou Brasília.
Minas Gerais
Araxá, Diamantina, Divinópolis, Governador Valadares, Ipatinga, Manhuaçu, Montes Claros, Paracatu, Patos de Minas, Salinas, São João del-Rei, Teófilo Otoni, Uberaba, Uberlândia e Varginha.
Sudeste, fora de Minas
Vitória, Linhares, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Congonhas, Guarulhos, Viracopos e os aeroportos do Galeão, Santos Dumont e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Nordeste
Aracaju, Aracati, Barreiras, Campina Grande, Fortaleza, Jericoacoara, Guanambi, Ilhéus, Imperatriz, João Pessoa, Lençóis, Maceió, Natal, Parnaíba, Porto Seguro, Recife, Salvador, São Luís, Teresina, Una — que atende a Ilha de Comandatuba — e Vitória da Conquista.
Norte
Belém, Manaus, Marabá, Parauapebas, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, Santarém e Macapá.
Centro-Oeste
Brasília, Caldas Novas, Campo Grande, Cuiabá e Goiânia.
Sul
Curitiba, Florianópolis, Foz do Iguaçu, Navegantes e Porto Alegre.
A maior parte dessas rotas é operada pela Azul, que usa Confins como um de seus principais centros de conexão no país. Gol e Latam dividem algumas das ligações de maior demanda, especialmente para Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Seguro, Fortaleza e Porto Alegre.
O marco de 73 destinos, portanto, merece o destaque que recebeu, mas com uma legenda essencial: é o mapa acumulado da malha de 2026, formado por operações permanentes, sazonais e rotas que ainda vão começar ao longo do ano.
Ainda assim, o resultado prático já é concreto: o aeroporto mineiro alcançou a maior variedade de destinos domésticos do país e passou a conectar diretamente Belo Horizonte a lugares que muitos passageiros ainda acreditam exigir escala em São Paulo.


