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Como os bares de BH pretendem faturar mais em junho

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Junho começa com expectativa de aumento de faturamento para bares e restaurantes de Minas Gerais. A combinação entre Dia dos Namorados e Copa do Mundo deve ampliar o movimento nos estabelecimentos, especialmente em Belo Horizonte, onde a gastronomia e os bares têm forte peso na rotina de consumo e lazer.

Pesquisa da Abrasel-MG mostra que 96% dos estabelecimentos entrevistados pretendem abrir no Dia dos Namorados. A maioria, 74%, espera faturar mais do que em uma sexta-feira comum. Entre os empresários otimistas, 49% projetam crescimento de até 20% nas vendas, enquanto 26% esperam alta ainda maior.

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A Copa do Mundo também aparece como motor de consumo. Segundo o levantamento, 50% dos bares e restaurantes pretendem transmitir os jogos. Entre eles, 74% esperam faturar mais nos dias de partidas, e 55% acreditam que o crescimento pode chegar a até 20%.

Calendário favorece bares e restaurantes

O calendário da Seleção Brasileira ajuda a explicar o otimismo. O Brasil estreia na Copa em 13 de junho, um sábado, às 19h, contra o Marrocos. O segundo jogo será em 19 de junho, uma sexta-feira, às 21h30, contra o Haiti. A terceira partida da fase de grupos está marcada para 24 de junho, uma quarta-feira, às 19h, contra a Escócia.

Os horários noturnos favorecem consumo fora de casa, reservas, encontros entre amigos e eventos corporativos. Para bares, especialmente, partidas da Seleção costumam ampliar venda de bebidas, porções, petiscos e pacotes fechados.

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O Dia dos Namorados também cai em uma janela importante. A data é tradicionalmente forte para restaurantes, mas a Abrasel tem defendido a ampliação do movimento para a Semana dos Namorados, com ações antes e depois do dia 12 de junho. A estratégia tenta reduzir concentração em uma única noite e aumentar a ocupação ao longo da semana.

Movimento pode ajudar caixa apertado

Apesar da expectativa positiva, a pesquisa mostra que parte do setor ainda opera com fragilidade financeira. Em abril, 18% dos estabelecimentos mineiros disseram ter trabalhado com prejuízo. Outros 43% relataram estabilidade, enquanto 38% afirmaram ter operado com lucro.

O levantamento também aponta que 33% das empresas tinham pagamentos em atraso. Outro dado relevante é a dificuldade de repassar custos: 37% dos entrevistados disseram não ter conseguido reajustar preços nos últimos 12 meses.

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Esse cenário ajuda a explicar por que junho é tratado como mês estratégico pelo setor. O aumento de faturamento pode recompor caixa, ajudar no pagamento de fornecedores, reduzir atrasos e melhorar margem em empresas que ainda sentem efeitos de inflação, juros e custos trabalhistas.

Copa de 2022 serve como referência

A expectativa para 2026 tem base em experiências anteriores. Segundo a Abrasel, durante a primeira semana da Copa de 2022, o faturamento de bares e restaurantes cresceu cerca de 30% em relação a uma semana normal.

Brasileiros torcendo na Copa do Mundo
Brasileiros torcendo na Copa do Mundo – Foto: Envato

A comparação, porém, tem diferenças. A Copa de 2022 foi disputada no fim do ano, no Catar, em período mais próximo de confraternizações corporativas e festas de dezembro. A edição de 2026 volta ao calendário tradicional, entre junho e julho, e coincide com datas de inverno no Brasil.

Para Belo Horizonte, esse fator pode ser positivo. O período costuma favorecer bares, restaurantes, comida de boteco, cardápios de inverno, vinhos, caldos, massas, carnes e consumo em ambientes fechados.

BH prepara eventos e transmissões

Além dos bares e restaurantes tradicionais, Belo Horizonte já se movimenta com eventos voltados para a Copa. A capital terá programações com telões, música, festas temáticas e experiências para assistir aos jogos do Brasil.

Esse tipo de evento aumenta a concorrência pelo consumidor, mas também ajuda a criar clima de mobilização na cidade. Para bares de bairro, a estratégia tende a passar por reservas antecipadas, combos, decoração temática, telões, horários estendidos e cardápios ajustados para alto volume.

O principal desafio será transformar aumento de público em resultado financeiro. Casa cheia não significa, necessariamente, lucro maior. O setor ainda precisa lidar com custo de insumos, mão de obra, energia, aluguel, taxas de aplicativos e dificuldade de reajustar preços sem perder clientes.

Junho será teste para o setor

A combinação entre Dia dos Namorados e Copa do Mundo cria uma oportunidade rara para bares e restaurantes em Belo Horizonte e em Minas Gerais. São duas datas com forte apelo de consumo em um mesmo mês, com potencial para aumentar fluxo, reservas e venda média.

Ao mesmo tempo, os dados da Abrasel-MG mostram que o setor ainda não se recuperou de forma homogênea. Uma parte das empresas cresce, outra trabalha no limite, e muitas ainda não conseguem repassar custos ao consumidor.

Por isso, junho pode aliviar o caixa, mas também servirá como teste de gestão. Os estabelecimentos que conseguirem organizar estoque, equipe, reservas e promoções sem comprometer margem tendem a aproveitar melhor o período de maior movimento.

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Tati Oliveira
Tati Oliveira
Há quase 15 anos no mercado de comunicação, é apaixonada pela notícias e trabalha no jornalismo cobrindo entretenimento, grandes eventos e futebol.

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